Cianose: coloração azulada de mucosa ou extremidade é sempre problema circulatório?

Problema ocorre nos tecidos quando há acúmulo de sangue venoso por alterações na circulação periférica ou problemas de oxigenação do sangue nos pulmões ou coração

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(foto: Wikimedia)

Cianose é um termo usado para indicar a coloração azulada de uma extremidade ou de uma mucosa (mucosa oral por exemplo). 

Sua presença indica sempre um distúrbio circulatório? Pode ser um fenômeno normal de algumas pessoas? Vamos a seguir tirar algumas dúvidas sobre o assunto.

O que acarreta a cianose?


A hemoglobina é a substância presente no sangue responsável pelo transporte do oxigênio para os tecidos. Quando o sangue está repleto de oxigênio, a hemoglobina está ligada ao mesmo, formando a oxi-hemoglobina. Isso torna o sangue arterial de uma coloração vermelho viva. Ao passar pelos tecidos periféricos, a hemoglobina libera o oxigênio e o sangue agora adquire uma coloração azulada, o que se chama de sangue venoso ou pobre em oxigênio. A cianose ocorre nos tecidos quando houver um acúmulo desse sangue venoso nos tecidos.

A cianose pode ocorrer devido a alterações na circulação periférica (cianose periférica) ou então devido a problemas de oxigenação do sangue nos pulmões ou coração (cianose central).

A cianose periférica é aquela em que apenas a pele das extremidades (mãos e pés) apresenta uma coloração azulada, permanecendo rosadas a língua e a mucosa oral. A causa mais frequente de cianose periférica é a exposição da extremidade ao frio, que provoca uma constrição (espasmo) das artérias nos tecidos periféricos, causando uma lentidão do fluxo sanguíneo e um acúmulo do sangue venoso.  Na grande maioria dos casos é um fenômeno fisiológico, reverte com o aquecimento das extremidades e não requer tratamento médico. Algumas pessoas inclusive tem a tendência de apresentar as extremidades mais frias com a exposição a baixas temperaturas, sem que isso signifique uma doença vascular.

Deve-se citar aqui também o fenômeno de Raynauld, quando o paciente apresenta uma reação vascular característica com a exposição ao frio : a extremidade fica pálida e depois cianótica. Nesses casos, pode ser o indício de uma doença reumatológica, mais comumente a esclerodermia ou lúpus.
A cianose periférica também pode ser um sinal de doença arterial periférica, quando a aterosclerose progressivamente causa o estreitamento ou obstrução das artérias. São geralmente pacientes fumantes, diabéticos e portadores de fatores de risco para trombose arterial (hipercolesterolemia, obesidade, sedentarismo, história familiar positiva). Nesses casos, há um histórico de dor nas pernas ao caminhar (claudicação intermitente), extremidades frias e ausência de pulsos arteriais periféricos.

Na cianose central, o problema é uma baixa oxigenação do sangue ao nível dos pulmões ou então um bombeamento inadequado desse sangue para os tecidos pelo coração. Diversas doenças pulmonares (enfisema pulmonar, fibrose pulmonar) ou cardíacas (insuficiência cardíaca congestiva, arritmias cardíacas) podem ser a causa da cianose. Nesses casos, além da cianose nas extremidades, também a língua e a mucosa oral se apresentam azuladas.

Como a cianose pode ser fisiológica ou então indicar um problema que pode ser mais grave, em todos os casos a consulta com um médico é importante para avaliar a causa e definir a conduta adequada para cada paciente.