Você já ouviu falar em pé diabético? Saiba o que significa

Três alterações básicas decorrentes da doença podem ocorrer, a neuropatia, a infecção e a vasculopatia; entenda

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Prevenção contra pé diabético é essencial para evitar até amputação do membro (foto: Wikipedia)

O termo Pé Diabético define todas as alterações que ocorrem nos pés dos pacientes portadores de diabetes e que evoluem por anos ao longo da doença. Seu conhecimento por parte dos pacientes e dos médicos torna-se essencial para minimizar as complicações e sequelas decorrentes dessa condição.

Ao se falar em pé diabético, deve-se focar em três alterações básicas decorrentes da doença e que afetam os pés: a neuropatia, a infecção e a vasculopatia. Essas três condições estão diretamente interligadas e podem ocorrer isoladamente ou associadas.

A neuropatia diabética é o acometimento dos nervos periféricos que acontece ao longo dos anos de evolução da doença. Está diretamente relacionada com os níveis de glicose no sangue e com o tempo de evolução do diabetes. Pacientes com um controle pouco adequado dos níveis de glicose no sangue e também aqueles com maior tempo de evolução da doença irão apresentar com mais frequencia e intensidade o quadro de neuropatia nos pés. Essa neuropatia afeta as fibras nervosas periféricas, tanto as fibras sensitivas quanto as fibras motoras e autonômicas. 
 
O acometimento das fibras sensitivas leva à sensação de dormência e formigamento nos pés e também à perda da sensibilidade à dor. Essa perda da sensibilidade dolorosa coloca em risco a integridade dos pés e por isso é de suma importância orientar o paciente a nunca andar descalço, pois com muita facilidade os pés poderão se ferir. È comum o relato de pacientes que andaram descalços na areia da praia quente ou no cimento da calçada em um dia de sol e tiveram queimaduras graves na sola dos pés.
 
O acometimento das fibras nervosas motoras causa a neuropatia motora. Essa por sua vez leva a alterações e deformidades na arquitetura dos pés, com a formação de dedos em garra e proeminências ósseas nas regiões plantares. Essas deformidades com o tempo favorecem o surgimento de feridas nos pés ( úlceras), que podem resultar em infecções graves e até amputações. O uso de calcados e palmilhas adequadas para os pés dos diabéticos é uma maneira bastante eficaz de prevenção.
 
Os quadros de infecção nos pés dos diabéticos podem ser leves ou graves. Geralmente decorrem das alterações neuropáticas sensitivas e motoras e principalmente quando o cuidado e prevenção não são executados de maneira adequada.

O exame dos pés dos diabéticos deve ser feito com frequência, tanto em casa quanto nos consultórios médicos, procurando sinais de alterações que possam causar um ferimento nos pés capaz de evoluir para um quadro infeccioso. A assistência imediata do médico é sempre necessária, a fim de se instituir medidas precoces para o combate à infecção e evitar quadro de septicemia ( infecção generalizada) e amputações dos membros.

A vasculopatia ou acometimento das artérias dos membros inferiores nos pacientes diabéticos também evolui ao longo dos anos e pode ser retardada ou minimizada com medidas preventivas e com o cuidado no controle do diabetes ao longo dos anos. Esse acometimento é mais acentuado nas artérias das pernas e dos pés e pode estar associado também aos quadros de neuropatia e infecção.

A assistência do especialista em Angiologia é indispensável para o diagnóstico e conduta adequados. Hoje em dia há diversos métodos disponíveis para tratamento, como medicamentos e procedimentos cirúrgicos nos quadros mais graves (angioplastia e pontes de safena nos membros inferiores).
 
Nunca é demais ressaltar que o conhecimento do pé diabético e suas potenciais complicações são fundamentais na prevenção. O correto acompanhamento e também o conhecimento e orientação dos pacientes são formas efetivas de se evitarem as complicações e amputações. O exame e cuidado diários dos pés, além do acompanhamento com a equipe multidisciplinar de saúde, podem reduzir de forma significativa as sequelas do pé diabético e tem grande impacto na qualidade de vida dos pacientes.
 
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