Quem vai cuidar de você, caso você precise em algum momento?

Políticas públicas que se apoiam na obrigação da família cuidar partem de um modelo antigo de famílias no qual a mulher ficava em casa e exercia naturalmente esse papel

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Você algum dia já pensou sobre isso? Se a sua resposta for sim, ótimo! Você está no caminho certo. Já escrevi algumas vezes aqui sobre o envelhecimento da população brasileira, mas ainda não falei muito sobre como devemos nos preparar para esse fenômeno, em termos de organização da nossa vida e dos serviços de saúde e assistência social

Se formos olhar para nosso futuro, veremos um problema: as famílias estão tendo menos filhos e, quando optam por ter filhos, fazem isso mais tarde. O que isso significa? Que muita gente não terá filhos para ajudar quando estiverem precisando ou os poucos filhos estarão dividindo seu cuidado com o cuidado dos filhos deles. E mais, ter filhos não é garantia de ser cuidado.

Além disso, políticas públicas que se apoiam na obrigação da família cuidar partem de um modelo antigo de famílias no qual a mulher ficava em casa e exercia naturalmente esse papel. O mundo mudou, as famílias mudaram, as mulheres mudaram, mas continuamos envelhecendo. 

Pensando coletivamente ou do ponto de vista social, o Brasil está envelhecendo muito rápido, muito mais rápido do que os países desenvolvidos. Imagine você se programando para uma festa em que você irá receber 50 pessoas, se você tem 10 dias para organizar a festa, a chance de correr tudo bem é muito maior do que se você tiver 10 minutos. O Brasil vai ter o dobro de idosos de hoje em muito pouco tempo! Precisamos arrumar a casa para essa nova realidade. 

Outro problema é que, no nosso país, o envelhecimento populacional vem acompanhado de várias mazelas sociais, como a enorme desigualdade e uma carência de serviços de saúde, educação e assistência social que consigam dar dignidade à nossa população. 

Irei me aprofundar no planejamento individual em outro momento. Hoje, contarei sobre um trabalho desenvolvido pela Secretaria de Assistência Social de Belo Horizonte em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, que é um exemplo para as iniciativas públicas, privadas e também para o terceiro setor. 

O programa Maior Cuidado existe desde 2011 em Belo Horizonte e o que ele faz é simples e, ao mesmo tempo, grandioso. Ele oferece “Cuidado” aos idosos que vivem em situação de vulnerabilidade, tanto do ponto de vista da saúde, quanto social. Ele é exclusivo para famílias muito carentes.

O programa Maior Cuidado apoia essas famílias, ao oferecer um cuidador para ajudar os idosos em suas tarefas do dia a dia. Na maioria das vezes, esses familiares precisam trabalhar para sobreviver e não teriam como conciliar seu trabalho com o cuidado de seu pai, mãe, avô, avó ou outro parente. 

Desde o início do programa, mais de 2000 idosos já foram assistidos. Atualmente, de 500 a 700 participam do programa. O Maior Cuidado está sendo avaliado por um instituto inglês de pesquisa, o Medical Research Concil,  em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz. Essas instituições estão analisando sua efetividade. Os resultados preliminares mostram um impacto positivo tanto para os beneficiários, quanto para suas famílias.

Iniciativas como essas precisam ser multiplicadas e merecem toda atenção e apoio da sociedade, afinal, todos nós queremos saber: quem cuidará de nós se precisarmos?

Tem alguma dúvida ou gostaria de sugerir um tema? Escreva pra mim: julianacicluz@gmail.com

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