Erasmo Carlos lança álbum 'Amor é isso' com participação de Emicida e outros

Com 12 canções, novo trabalho mostra o lado mais romântico do cantor e reúne parcerias de Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Samuel Rosa e outros

por Adriana Izel 06/06/2018 08:30
Som Livre/Divulgação
(foto: Som Livre/Divulgação)

Em 1965, quando lançou o álbum de estreia, A pescaria, Erasmo Carlos logo se destacou com a faixa Minha fama de mau, uma das mais conhecidas da carreira. Cinquenta e três anos depois, a tal fama de mau ficou totalmente para trás com o lançamento do disco Amor é isso.

O material, formado por 12 faixas, é uma ode ao lado romântico de Erasmo Carlos – muitas vezes pouco conhecido pelo público, mas reconhecido pela mulher, Fernanda Passos. Durante os oito anos de namoro do casal, antes de se casar há dois anos, Tremendão escreveu todo domingo um e-mail para a amada com uma poesia. O total chegou a 111, segundo ele.

E foram esses poemas que o inspiraram a criar o repertório de Amor é isso e todo o conceito em torno do disco, que tenta fazer com que as pessoas pensem na simplicidade do amor. No álbum, Erasmo se desprendeu das rimas e chamou uma lista de amigos para o ajudar nas composições. O time dos sonhos tem Marisa Monte, que escreveu com ele Convite para nascer de novo; Emicida, com quem fez a parceria Termos e condições; Samuel Rosa, parceiro em Novo sentido; Adriana Calcanhotto, com quem fez dobradinha em Seu sim; e Arnaldo Antunes, responsável pela música Parece que foi hoje.

Algumas canções também foram presentes, como Minha âncora, de Nando Reis, e Sol da Barra, de Marcelo Camelo. No entanto, uma das mais especiais para o cantor é a faixa Novo love, uma versão em português da música New love, de Tim Maia, amigo de infância do artista.

Amor é isso, além de marcar um certo afastamento de Erasmo Carlos do rock, representa uma nova fase para o cantor: a do lançamento de um álbum, por enquanto, apenas em versão digital. O que o compositor tem estranhado, como contou: “Eu quero mostrar, não tenho, não posso. (...) Então, eu fico assim, dançando conforme a música. Estou aprendendo ainda”. Essa estranheza, o conceito por trás do álbum e a expectativa em torno da cinebiografia Minha fama de mau, de Lui Farias, estão entre os assuntos abordados por Erasmo Carlos nesta entrevista.

Depois de três discos mais roqueiros, Amor é isso é um álbum mais voltado para o amor. O que lhe levou a isso?

Nesse disco, aposentei as distorções, as batidas fortes. Eu queria falar do amor como conceito. Não o amor sexual, pornográfico... O amor como conceito, que engloba todos os amores possíveis e imagináveis. Uma coisa que me fascina é que o amor não é uma coisa que você possa explicar com palavras, mas você pode explicar com gestos. Então, o que me levou a fazer e afirmar que “o amor é isso” foi um vídeo que eu vi no YouTube de duas crianças, em que uma delas serve de ponte para a amiguinha passar por ele. Quando ela atravessa a ponte, que é o corpo do amigo, ela estende a mão para ele e seguem os dois caminhando. Isso me comoveu muito e falei: “Poxa, o amor é isso”. O amor pode ser mostrado e definido por gestos. Uma cadela dando de mamar a uma ninhada de gatos. Amor é isso, independente da natureza. Então essas coisas me fascinam.

Você queria explicar isso, de certa forma, nesse disco?

Não explicar. Minha intenção, às vezes, é perguntar ou levar ao diálogo. Eu não tenho todas as respostas.

Trazer esse tema do amor agora na música brasileira era uma necessidade que você sentia?

O amor é sempre uma necessidade, porque o amor pra mim é a salvação de tudo. Todas as respostas estão no amor. E é uma coisa que a vida vai te fazendo, às vezes, esquecer disso. Então, é sempre importante você lembrar, exercitar, falar, exercer (o amor). Sem demagogia. O amor é verdadeiro.

Como se deram as parcerias e participações do disco?

Estou há dois anos casado e meu namoro começou há oito anos. Eu escrevia para a minha mulher todos os domingos um e-mail com um poema. Em oito anos foram 111 poemas e eu resolvi musicá-los. Pela primeira vez eu fiz isso na minha vida. Até porque me senti livre das rimas obrigatórias e viciadas das músicas. Aí se abriu um horizonte em termos de letras, com muito mais liberdade. Então, procurei amigos meus que já trabalham com isso, tipo Adriana Calcanhotto, Arnaldo Antunes... E juntos começamos a desenvolver esse trabalho. Convidei o Samuel Rosa, Marisa Monte e as músicas foram surgindo. Depois, o disco foi se desenvolvendo, o tema do “amor é isso” sobressaiu e o Nando Reis me mandou uma música dele só para mim. O Marcelo Camelo mandou lá de Portugal uma música também exclusiva pra mim e o Emicida fez uma participação numa faixa comigo, porque a gente fez uma música para a Gal Costa, Abre-alas de verão, que vai sair no próximo disco dela e por causa disso veio a nossa parceria.

Nesse disco você trouxe a versão em português de New love. Como foi trazer essa música do Tim Maia?

Essa música é de 1961 e o Tim só gravou em setenta e pouco. Quando a gente era menino – a gente foi criado junto. Ele foi para os Estados Unidos estudar e ele namorava uma menina chamada Marlene, que era da “turminha” da gente, lá da Tijuca. E ele mandou essa música lá dos Estados Unidos como um cartão-postal para ela, que ele tinha gravado lá. Essa música é uma canção especial para mim por esse momento, me lembra a minha infância. E, aí, levei esses anos todos esperando a oportunidade para colocar letra, porque ele gravou em inglês. E eu fiz a letra em português. Mas só agora chegou o momento.

Deve ter sido, então, muito emocionante fazer essa música...

Foi, foi. Não foi somente o ato de gravar uma música do Tim (Maia). Ela tem uma história por trás forte de amor, de saudade, uma coisa assim.

Em Termos e condições, você e Emicida falam um pouco sobre as desvantagens da tecnologia. Como é a sua relação com a internet? Usa rede social?


É a maior possível. Mas com um pé atrás, porque ao mesmo tempo que é uma coisa maravilhosa, é uma coisa infernal também. A internet é Deus e o diabo também, os dois juntos.

O seu livro Minha fama de mau deu origem a um filme, que estreia no segundo semestre. Você participou de alguma forma no longa-metragem?

Nada. Não vi nada. Só sei que o Chay Suede está muito bem no papel do Erasmo. O Gabriel (Leone) está muito bem no papel do Roberto e eles cantam muito bem também. A Malu Rodrigues também canta. A única coisa que eu sei é que eu ouvi a trilha sonora.

E como é a sensação de ter uma pessoa interpretando você na tela do cinema?

Não sei ainda. Deve ser muito estranho, porque deve estar tudo mudado porque tudo muda. O diretor, o roteirista, o editor eles mudam a sua vida lá. Vou acabar vendo uma outra pessoa, vendo a vida de outra pessoa. Tem a licença poética ainda por cima.

Hoje o que você gosta de ouvir? Você escuta artistas novos ou busca os clássicos?


Até por informação, ouço de tudo na internet, na televisão e também no rádio. Mas aí, na hora que quero ouvir mesmo música, eu ouço bossa nova e rocks antigos.

Tem algum artista que você ainda gostaria de trabalhar?

(risos) Sonho eu tenho, mas é um sonho que nunca vai se realizar. É João Gilberto. Mas aí tudo bem. Fica o sonho.

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