Gaby Amarantos comemora lançamento de clipe estrelado por negros, índios e homossexuais

A cantora paraense diz que é preciso 'olhar para dentro do Brasil' e se propõe a derrubar preconceitos

por Adriana Izel 04/06/2018 08:46

G. Amarantos/Divulgação
Clipe de 'Sou eu' é o primeiro single do disco 'afro-pop-amazônico' de Gaby Amarantos. (foto: G. Amarantos/Divulgação)

Representatividade. Essa é a palavra de ordem da carreira de Gaby Amarantos. Quando estourou com o sucesso Xirley, em 2011, a cantora já somava 15 anos de estrada na cena tecnobrega do Pará. O auge veio com Ex mai love, hit que integrou a trilha sonora da novela Cheias de charme, da TV Globo, em 2012. Tudo isso sem perder a essência nortista.

“Fico muito feliz, as pessoas amam o tecnobrega e a aparelhagem. E elas querem mais, a demanda é gigante. Sempre me pedem para regravar as músicas do Techno Show, a Banda Eva da minha carreira”, conta a artista paraense, aos risos, referindo-se ao ícone do axé baiano. “Até hoje as pessoas escutam aquelas músicas no Spotify e no YouTube. Além de atender a essa demanda maravilhosa, quero trazer cada vez mais a representatividade, porque o Brasil está precisando de autoestima neste momento”, afirma Gaby.

SINGLE Em maio, a cantora lançou o clipe de Sou + eu, o primeiro single de seu próximo álbum, previsto para o segundo semestre. A música, que já bateu 300 mil visualizações no YouTube, chamou a atenção por valorizar mulheres, negros, indígenas e homossexuais. “É o momento de olhar para dentro do Brasil e entender as nossas raízes, de onde a gente veio, fazendo justiça a esse povo tão lindo e maravilhoso”, defende.

De forma leve e divertida, a letra fala da mulher que descobre o amor próprio ao se livrar de um homem machista. “Aprende a me amar/ A não me fazer chorar/ Você não entendeu/ Agora eu sou mais eu/ Não quis valorizar/ Cansei de te aturar/ Otária já morreu/ Agora eu sou mais eu”, canta Gaby.

Essa música tem endereço certo. “Sou mulher do Norte e sei do índice de violência contra a mulher (que ocorre) lá. Fiz essa canção para chegar à ribeirinha que não faz ideia do que é feminismo. É uma forma de colocar uma sementinha pra ela se dar valor. Muito simples e bagaceira, a música quer chegar onde esse discurso talvez não chegue”, observa.

LIBERDADE Dirigido por Marcelo Sebá, o videoclipe tem elenco formado por pessoas que estão fora do protagonismo midiático. “É o momento de representatividade do povo negro, do povo indígena que está se urbanizando e da mulherada que está exercendo a liberdade sexual. Tudo isso de forma bem divertida, pop e colorida”, comenta Gaby.

O elenco traz alguns nomes conhecidos: a judoca e campeã olímpica Rafaela Silva; a vencedora do BBB 18 Gleici Damasceno; os atores Jonathan Azevedo (da novela A força do querer) e Jéssica Ellen (da minissérie Justiça); a rapper Preta Rara; a militante e blogueira Magá Moura. “Escolhemos a dedo. Se você pesquisar, todos eles têm envolvimento com causas sociais e de representatividade”, conta a artista. Outros destaques do elenco são os indígenas Kapaí Kalapalo, Aruan Kaiowa e Tamikuã Txhi, além do modelo senegalês Nabillah Sedar.

Com seu novo trabalho, Gaby quer derrubar paradigmas. Nabillah e Jonathan Azevedo, por exemplo, são os astros de Sou eu. “O negro é sempre colocado como aquela figura de estereótipo, numa posição menor, de criminoso. Por isso chamei os dois para serem os galãs do meu clipe”, diz ela. A cantora deu espaço também às religiões de matrizes africanas. “O ônibus em cena é o ônibus que eu pegava na infância. Tinha uma senhora mãe de santo lá, fiz uma homenagem a ela.”

Sou eu é o primeiro single do próximo álbum de Gaby, o sucessor de Treme, lançado em 2012. O novo disco é definido pela artista como “afro-pop-amazônico”. “Minha intenção é entrar em estúdio e lançá-lo no segundo semestre. Vou continuar trazendo os estilos do Pará e do Norte, mas com novidades”, adianta.

 

A 'MULHER DO NORTE' Gaby Amarantos se divide entre a música e a TV. Desde o início do ano, ela integra a equipe de apresentadoras do programa Saia justa, exibido pelo canal pago GNT. A paraense, que entrou no lugar da atriz Taís Araújo, divide o “sofá” com Mônica Martelli, Pitty e Astrid Fontenelle.

 

“O Saia foi um complemento muito maravilhoso para a minha carreira. Lá é o lugar de colocar a Gaby formadora de opinião”, explica.

 

Recentemente, na praia, Gaby foi abordada pela dona de uma barraca. A moça lhe disse que passou a entender o programa quando ela ingressou no elenco. “A gente pôde trazer um novo público e acrescentar ao lado daquelas mulheres maravilhosas. Elas me acolheram de uma forma ótima, estou aprendendo e trocando com elas. Era importante ter ali a ótica de uma mulher do Norte”, diz.

 

No Saia justa, a cantora é responsável pelo quadro Treme Gaby, em que reconstrói canções machistas com temática feminista. “São discursos muito importantes, que precisam ser ditos. Precisa desenhar, sim. Parece que as pessoas não entendem que chega de assédio, que tem de respeitar as manas. É uma parada bem didática”, conclui.

 

Abaixo, confira o clipe de Sou eu

 

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