Samuel Rosa participa do show de lançamento do álbum de estreia da banda Daparte, de seu filho

O músico, que sobe ao palco em BH no sábado, vai cantar os três primeiros discos do Skank

por Mariana Peixoto 15/04/2018 10:22
Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press
Samuel Rosa, vocalista do Skank, e Juliano Alvarenga, guitarrista e vocalista da Daparte (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Foi o clássico dos clássicos dos riffs de guitarra – de Smoke on the water, do Deep Purple – que fez Samuel Rosa parar um dia no meio da sala de casa. Assistiu, sem intervir, seu filho mais velho, Juliano Alvarenga, tocar, ao violão, o antigo riff. Ele não tinha mais do que 6 anos. O pai nunca havia lhe ensinado nada sobre o instrumento. O menino, até então, apenas brincava com o que via pela frente.

Isso seria só uma velha história entre pai e filho, não tivesse Juliano tomado o caminho que tomou. Na próxima sexta-feira (20), será lançado Charles, álbum de estreia da Daparte, banda que Juliano formou há três anos com quatro amigos de Belo Horizonte. Na terça (24), o quinteto sobe ao palco do Teatro Bradesco para o show de lançamento.

Entre as duas datas – no sábado (21) – o Skank apresenta no KM de Vantagens Hall seu mais recente show, Os três primeiros. No repertório estão canções dos álbuns Skank (1993), Calango (1994) e O samba poconé (1996), os trabalhos que desenharam a sonoridade da primeira fase da banda e fizeram dela uma das líderes da chamada geração 90.

Samuel tinha 25 anos quando o primeiro álbum do Skank foi lançado. Juliano está com 19 e vive numa situação bem diferente da que o pai experimentou quase 30 anos atrás. “Naquela época, com Virna Lisi, Pato Fu, Skank e Jota Quest, era um pouco cada um por si. Agora, a cena é mais caracterizada, eles vão nos shows de outras bandas, elas vão nos deles. Quando se tem uma cena, fica muito mais fácil para aparecer, vide a Brasília dos anos 1980, o Recife do mangue beat”, comenta Samuel.

As diferenças geracionais, no entanto, não fizeram com que o caminho fosse outro. Assim como o pai, Juliano montou uma banda com amigos. Não passava de um moleque de 10 anos quando criou a Twig. Na mesma época, virou aluno de Doca Rolim, há 15 anos guitarrista de apoio do Skank. A banda durou até quando tinha que durar.

No fim de 2015, Juliano recebeu um convite para um show numa festa do Saint Patrick’s Day. Sem banda, convocou alguns músicos com quem tinha afinidade e o Daparte fez sua estreia. De lá até o disco que vem agora a público, foram muitos shows e ensaios. “Um ano atrás, depois de abrir um show do Skank, vimos que estava na hora de gravar. Juntamos grana fazendo show em tudo o que é canto, já que a gravação não teve ‘paitrocínio’”, afirma Juliano.

INTERFERÊNCIAS Samuel assistiu a tudo o que pode, sem muitas interferências. “Tomei cuidado para não criar facilidades desnecessárias, pois, no futuro, elas podem atrapalhar. Eles precisam ‘comer grama’, quero que eles ralem. É carregar amplificador, tocar em boteco, em lugares onde as pessoas não têm conhecimento prévio deles. E eles conhecem mais do universo deles do que eu. Acho que têm ferramentas para tocar a carreira à maneira deles, no que é o sistema hoje.”

Ele só entrou em cena na Sony Music, gravadora do Skank, que também está lançando Charles. “É um contrato com a Sony de divulgação e distribuição. Eles não são artistas Sony na essência. Eles vão colocar as músicas nessas plataformas digitais e ver o que vai acontecer. É um contrato de experiência, mas já é legal estar lá.”

No show de lançamento no Teatro Bradesco, Samuel vai fazer a primeira participação oficial (até então havia dado canjas em bares) com a Daparte. Vai tocar Mendigo (Túlio Lima e Daniel Crase), a música mais pesada do disco. Também vai tocar Amores imperfeitos, do Skank, por sugestão da Daparte. Fernanda Takai também estará no show, em que dividirá os vocais com João Ferreira na balada Acidental (João Ferreira e Bruno Guzella).

Pai e filho estão prontos para o que vier. Juliano exibe uma segurança adquirida em cima do palco. “Na Daparte, o Daniel (baterista) e o Túlio (tecladista) são mais velhos que eu; o João, que tem a minha idade, tem vozeirão. Eu tinha voz de moleque quando começamos, então tentava empostar a voz para parecer mais velho. Era aquela galera com cara de homem e eu, de criança. Ficava meio intimidado”, assume.

Samuel também está tranquilo quanto à possibilidade de comparações ou críticas. “Ele é meu filho, mas isso não impede que cumpra todas as etapas, mesmo estando num lugar um pouco privilegiado. E isso que está acontecendo não é inédito, tem o Caetano com os meninos dele, o Nando (Reis) com os filhos. A minha preocupação é que façam uma música legal, que o Juliano cultive esse amor por uma arte.” E antes que falem, Samuel comenta, não é melhor ouvir? “Quem sabe a banda é boa?”, arrisca.

SKANK
Show Os três primeiros. No sábado (21), às 22h, no KM de Vantagens Hall, Avenida Nossa Senhora do Carmo, 230, São Pedro. Ingressos: 4º lote – R$ 120 e R$ 60 (meia). À venda na bilheteria e no www.ticketsforfun.com.br

DAPARTE
Show de lançamento do álbum Charles. Na terça, (24), às 20h, no Teatro Bradesco, Rua da Bahia, 2.244, Lourdes, (31) 3516-1360. Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia). À venda na bilheteria e na FNAC BH Shopping.

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