Especialistas apontam exposição da intimidade em redes sociais como principal fator de concentração da inveja

Benzedeira, taróloga e terapeuta alertam para os riscos de mostrar mais do que o necessário

por Luciane Evans 16/03/2014 10:56

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Cansaço sem motivos. Calafrios, dor no pescoço e uma sensação de baixa energia para os quais não há muita explicação, pelo menos para os leigos. Já para quem trabalha com o que está além de nossos olhos, esses sintomas podem até ser sinal de alguma doença, porém, podem indicar também que a inveja fez mais uma vítima. “O invejado, se não estiver forte e protegido, pode, sim, sofrer as consequências do mau-olhado que lhe jogaram”, avisa a benzedeira Maria José Limaa.

 

Por outro lado, aquele que emana a má energia pode adoecer, já que existe nisso a lei da ação e reação. E, para os estudiosos da área, tudo aquilo que se deseja de ruim a alguém volta para si. “Fale menos da sua vida. Isso vale tanto para as coisas ruins quanto para as boas”, aconselha a benzedeira, lembrando que as redes sociais podem, sim, alimentar tudo isso. E repete: “Não se exponha tanto. Sua alegria pode torná-lo frágil e incomodar muita gente”.

Cristina Horta/EM/D.A Press
''Fale menos da sua vida. Isso vale tanto para as coisas ruins quanto para as boas'', aconselha a benzedeira Maria José Limaa, e alerta: a pessoa invejosa pode sofrer consequências do mau-olhado (foto: Cristina Horta/EM/D.A Press)
Baiana e há 11 anos em Belo Horizonte, Maria José Limaa joga búzios, é taróloga e numeróloga. Bacharel em filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especializada em história da África pela Faculdade de Educação (FAE), é também benzedeira, dom que herdou de seus familiares baianos.

 

Sem cobrar pelo serviço, já que em se tratando de bênção nada pode ser cobrado, ela atende cerca de 10 pessoas por dia em Belo Horizonte e diz que a inveja é algo inerente ao ser humano, e o que muda de uma pessoa para outra é a maneira de lidar com esse sentimento. “Uma mulher, ao invejar o corpo da outra, pode fazer atividades físicas para ter o visual parecido ou desejar que aquela engorde”, compara.

Para Maria, não existe a inveja boa ou “branca”, como já ouvimos dizer por aí. “Esse é um sentimento ruim e o que muda é a maneira como lidamos com ele.” De acordo com ela, o invejoso é detectável, pois geralmente são pessoas que dizem palavras negativas, têm olhares marcantes para determinada coisa e estão no convívio do invejado. “Eles chegam a dizer ‘estou com inveja de você’”, alerta Maria, dizendo que a alegria alheia incomoda e desperta esse pecado capital, tanto é que, para ela, hoje, as redes sociais, em que os usuários expõem seus momentos felizes, servem como um despertar para o mau-olhado. “Há pessoas que gostam de provocar as outras. Isso não é bom, o melhor é sempre ser mais reservado sobre a sua vida.”

Leandro Couri/EM/D.A Press
''O invejoso é aquele que não sabe limitar seus desejos. Aquilo que ele não possui o tortura a ponto de negar aquilo que tem para desejar o que o outro tem'', define a terapeuta Carmem Farage (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Falando assim, esse sentimento pode até parecer algo esporádico na sociedade, porém, “é mais comum do que se imagina”, conforme comenta a terapeuta quântica e fundadora do Instituto de Pesquisas em Terapia Quântica, Carmem Farage. Segundo ela, o Facebook, por exemplo, se tornou um ambiente para as pessoas se mostrarem. “As pessoas nunca postam ali o que elas têm de ruim, mas o que acham que pode provocar no outro. Nessa brincadeira, não sabem a proporção que isso pode tomar e voltar contra elas mesmas.”

 

Na visão da Carmem, a inveja é uma das energias mais destrutivas que podemos observar naquele que a detém. “O invejoso é aquele que não sabe limitar seus desejos. Aquilo que ele não possui o tortura a ponto de negar aquilo que tem para desejar o que o outro tem. Nossa sociedade, estruturada como está, torna esse sentimento negativo tão comum que passamos a achá-lo normal. Mas não é. Ele consome quem o sente, podendo levar a pessoa a atos muito destrutivos.”

SAUDÁVEL

Reconhecendo que todos temos esse sentimento, Carmem diz que, em certo grau, ele é até saudável. Isso porque, segundo ela, esse pecado capital pode impulsionar a pessoa a melhorar de vida. “Chega a ser necessário, uma vez que impulsiona você a buscar algo. Somos seres desejantes. Porém, em um grau maior, a inveja vai além.”

Ela diz que a insatisfação generalizada trará sentimentos e atitudes indesejáveis na vida do indivíduo: o ódio, o ciúme, a alegria com a desgraça alheia, o desconforto com o sucesso alheio, a maledicência, a calúnia, a imitação e o roubo. “As consequências disso são mágoas, tristezas, lamentações, nostalgia, desprezo, indignação, urgência em satisfazer suas vontades – descontentamento em geral. Uma lista de energias tão negativas que acabam com a pessoa, podendo trazer doenças físicas a médio prazo.”

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