A IA que a sua empresa usa pode ser desligada pelo fornecedor? Pode, e a proposta não avisa
Modelos são aposentados, trocados e reprecificados por decisão de quem os fornece. Entenda por que isso importa quando a regra do negócio mora dentro deles
Pode. Modelos de inteligência artificial são produtos que evoluem a cada trimestre, e o fornecedor decide sozinho quando aposentar uma versão, trocar por um sucessor ou mudar a cobrança. Nos últimos dois anos, isso aconteceu com aviso de poucos meses. Para quem usa a IA em tarefa de rotina, é um transtorno. Para quem colocou a regra do negócio dentro dela, é a operação parando.
“Continuidade não é cláusula de contrato, é decisão de arquitetura. Se a sua operação para quando o fornecedor muda o modelo, você não comprou uma ferramenta, comprou uma dependência com mensalidade”, explica Guilherme Friol, CEO da Vircos, empresa de engenharia de inteligência artificial corporativa.
O risco tem três caras: o preço muda, o comportamento muda (o modelo novo responde diferente à mesma instrução) e a versão deixa de existir. Nenhuma delas aparece na demonstração, que é feita com a versão de hoje.
A saída que a Vircos aplica é separar: o que toda empresa faz igual roda no fornecedor mais barato do momento; o que faz a empresa decidir do jeito dela roda em modelo aberto, em infraestrutura própria, com versão e custo sob controle.
“Híbrido não é ideologia, é engenharia. O que é commodity roda na API que for mais barata hoje. O que carrega a regra do negócio roda onde a empresa controla a versão, o custo e a data em que aquilo deixa de existir”, diz o executivo.
Em resumo: pode ser desligada, sim. A pergunta antes de assinar é qual parte da operação para quando isso acontecer. Se a resposta for “nenhuma crítica”, compra tranquilo.