Saiba o que é a embolia pulmonar, como identificar sintomas e tratar

Sintomas de embolia pulmonar incluem dificuldade em respirar, dor no peito à inspiração e palpitações

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Imagem de exame que constata embolia (foto: Wikimedia commons)

A embolia pulmonar (EP) é uma obstrução da artéria principal do pulmão ou de um de seus ramos por alguma substância que viajou de outras partes do corpo através da corrente sanguínea (embolia).

Geralmente, isso ocorre devido à embolia de um trombo (coágulo sanguíneo) das veias profundas das pernas, um processo denominado tromboembolismo venoso e tromboembolismo pulmonar (TEP). Uma pequena proporção de casos é devida à embolização de ar, gordura, talco em drogas de usuários de drogas intravenosas ou líquido amniótico.

A obstrução do fluxo sanguíneo através dos pulmões e a consequente elevação da pressão no ventrículo direito do coração é que provocam os sintomas e sinais de TEP. O risco de TEP aumenta em várias situações, como câncer, repouso prolongado na cama (pós operatórios) e até mesmo longas viagens quando ficamos sentados por várias horas seguidas.

Os sintomas de embolia pulmonar incluem dificuldade em respirar, dor no peito à inspiração e palpitações. Os sinais clínicos incluem baixa saturação de oxigênio no sangue, respiração rápida e ritmo cardíaco acelerado. Casos graves de TEP podem levar ao colapso, pressão arterial anormalmente baixa e morte súbita.

O diagnóstico é baseado nesses achados clínicos em combinação com exames laboratoriais (como o teste do dímero D) e estudos de imagem, geralmente angiografia pulmonar por tomografia computadorizada.

O tratamento é realizado utilizando-se medicação anticoagulante, incluindo heparina e varfarina. Casos graves podem exigir trombólise (destruição medicamentosa do coágulo) com drogas como o ativador do plasminogênio tecidual (tPA) ou podem exigir intervenção cirúrgica para retirada do trombo que ficou aderido dentro da artéria pulmonar.

O risco pós-operatório de embolia pulmonar se estende por mais de seis semanas para seis tipos de cirurgia, de acordo com um estudo publicado on-line em 9 de outubro na revista JAMA Surgery.

Alexandre Caron, MD, da University Lille, na França, e colegas usaram dados de um banco de dados nacional de pacientes franceses (60.703 pacientes; 58,9% do sexo masculino; idade média de 56,6 anos) entre 2007 e 2014 para avaliar a duração do risco de embolia pulmonar após seis tipos de cirurgia: cirurgia vascular, cirurgia ginecológica, cirurgia gastrointestinal, substituição de quadril ou joelho, cirurgia para fraturas e outras operações ortopédicas.

Os pesquisadores descobriram que o risco de embolia pulmonar pós-operatória foi elevado por pelo menos 12 semanas após todos os tipos de cirurgia e foi maior durante o período pós-operatório imediato (uma a seis semanas).

O risco aumentado de embolia pulmonar pós-operatória variou de uma razão de chances (OR) de 5,24 para cirurgia vascular a 8,34 para cirurgia para fraturas. O risco permaneceu maior por sete a 12 semanas, com a OR variando de 2,26 para operações gastrointestinais a 4,23 para cirurgia para fraturas. Depois de 18 semanas após a cirurgia, não houve risco clinicamente significativo para nenhum dos procedimentos.

"A persistência desse excesso de risco sugere que mais ensaios clínicos randomizados são necessários para avaliar se a duração da anticoagulação profilática no pós-operatório deve ser estendida e para definir a duração ideal do tratamento em relação aos riscos trombóticos e hemorrágicos", escrevem os autores.

Quando as circunstâncias permitem, todos os pacientes devem ser submetidos a uma detalhada avaliação pré-operatória para identificação de fatores de risco, entre eles o de desenvolver uma embolia pulmonar. Na quase totalidade dos serviços de cirurgia, atualmente, já existem protocolos definidos para prevenção dessa doença que, em muitos casos, pode ser fatal ou deixar sequelas crônicas.
 
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Dr.Silvio Musman – Médico especialista em pneumologia, medicina do exercício e do sono.