Onde as mulheres devem aprender sobre prevenção do câncer de mama?

Não existe uma política pública nacional para garantir acesso às informações sobre prevenção, rastreamento e combate à doença

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(foto: Pixabay)

A prevenção do câncer de mama é um tema sempre em pauta e que ganha anualmente maior atenção durante o Outubro Rosa, elaborado devido à grande incidência e também aos óbitos causados pela doença. Aproximadamente 66.280 novos casos são esperados por ano até 2022.

Apesar desse esforço anual, observa-se que ainda existem muitas dúvidas entre as mulheres sobre os cuidados para a prevenção, rastreamento e até mesmo para identificação de sintomas ou sinais que possam indicar a presença de uma anormalidade. É uma situação crônica.

Obviamente, não estou dizendo aqui que as mulheres devem ter o mesmo conhecimento que seus médicos ginecologistas e mastologistas. No entanto, saber sobre os mecanismos que interferem na saúde das mamas ajudará no combate à doença.

Se você é uma leitora, faça o teste tentando responder às seguintes perguntas: a partir de que idade você deve iniciar o rastreamento com exame de mamografia? Em quais casos é indicado o acompanhamento precoce? Quais são os sinais aparentes de uma anormalidade na mama? Quais são os fatores de risco hormonais? Por que é importante sempre tentar identificar a doença ainda em fase pré-cancerígena, antes que apareçam sinais visíveis?

A grande questão sobre isso é que, fora o contato com os médicos durante as consultas de rotina e as notícias que chegam de forma difusa pela mídia, as mulheres não têm um local para adquirir informações seguras e confiáveis a esse respeito. O ideal seria que pudessem aprender sobre saúde mamária ainda na escola, nas aulas de biologia e em outras campanhas educativas.

Hoje, o acesso às informações é facilitado pela web. Mas isso não resolve o problema nacionalmente, visto que parte da população vive em regiões interioranas, com um modo de vida que não inclui o consumo de informações digitais.

A escola seria uma interessante instituição para assumir essa responsabilidade de informar às adolescentes e adultas jovens, que em breve iniciarão o acompanhamento ginecológico. Por meio de uma política pública, seria possível instituir nacionalmente esse viés, possibilitando o acesso à informação de forma massificada e homogênea para todas as classes sociais.

Existem ações pontuais, como o Projeto Se Toque, lançado pela Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, durante o Outubro Rosa de 2008, com o objetivo difundir ações educativas entre professoras da rede e alunas do Ensino Médio no estado. Mas, como disse, foi uma ação pontual.

Os problemas de acesso aos conhecimentos nesse sentido podem ser percebidos até mesmo entre acadêmicos da área da saúde. Um artigo publicado na Revista Gaúcha de Enfermagem apresentou dados da investigação sobre os "conhecimentos dos acadêmicos sobre prevenção do câncer de mama", nos cursos de enfermagem, fisioterapia e psicologia em uma instituição de ensino superior do estado de Santa Catarina.

Como resultado, os pesquisadores identificaram, entre outros indicadores, que, para 9,5% dos acadêmicos de enfermagem e 16% de psicologia, a amamentação não é um fator de proteção. Apesar de ser um estudo de caráter exploratório e descritivo, os dados indicam que há necessidade de investimento em políticas públicas para ampliar e solidificar os conhecimentos da população a esse respeito.

Enquanto não é criada uma política pública que trata da questão, nós, médicos, somos uma das fontes seguras, e devemos trabalhar para informar às nossas pacientes, bem como tirar todas as dúvidas possíveis.
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