A nutricionista Michele Bezerra destaca algumas consequências negativas de alterações nos níveis de pH, os valores de acidez e alcalinidade. “O desequilíbrio no pH é a porta de entrada para uma série de problemas, como cálculo renal, obesidade, câncer, doenças gástricas, sensação de fadiga, problemas na pele e nos ossos, entre outros”, enumera.
Um dos motivos por que isso ocorre é devido ao esforço do organismo para equilibrar o pH sanguíneo, cujo nível ideal está entre 7,35 e 7,45. “O corpo retira minerais alcalinos — como magnésio, potássio e sódio — dos órgãos e outras estruturas e leva para o sangue. Assim, ele pode acabar desequilibrando outras partes (que precisariam desses minerais)”, pontua Michele.
E até a água merece atenção. A nutricionista aponta que a água consumida atualmente tende a ser mais ácida, devido ao processo de industrialização e tratamento, com adição de cloro e flúor. Ela considera que buscar opções de água mais alcalina pode contribuir para a saúde. Hoje, uma das formas comuns de alcalinizar a água é com o uso de filtros especiais.
Há cerca de um ano e meio, a pastora e psicóloga Dimara Ribeiro, 33 anos, começou a usar um filtro com esse propósito. Ela considera que a escolha melhorou problemas digestivos da família. “Fez bastante diferença. Depois que começamos a tomar esse tipo de água, eu não tenho mais dores no estômago por causa de gastrite, e o meu marido sentiu menos azia.” A pastora lembra que, antes, eles precisavam tomar medicação quase todas as semanas para aliviar os sintomas e que tinham “estoques de antiácidos” em casa. Dimara também deu maior atenção para a água comprada fora de casa. Ela começou a olhar a informação sobre o pH nos rótulos e a dar preferência a produtos com níveis mais altos, ou seja, mais alcalinos.
saiba mais
A nutróloga avalia que “o nosso estilo de vida muito urbano, o estresse, a alimentação rica em gorduras, carnes e produtos industrializados têm acidificado o nosso corpo.” Ela destaca que essa acidificação favorece processos oxidantes nas células, que formam radicais livres e aceleram o envelhecimento. Paloma também cita um livro, chamado O milagre do pH, de Robert Young, que faz associações entre controle do pH e emagrecimento. Segundo o autor, a gordura tem uma grande concentração de ácidos e seria, portanto, uma forma de proteção do organismo, para evitar que essas substâncias ficassem na corrente sanguínea. Em uma alimentação mais alcalina, não seria necessário a mesma quantidade de gordura para armazenar esses ácidos, o que ajudaria na perda de peso.
Paloma também destaca que a água alcalina é uma forma de diminuir um fator estressante para o metabolismo, que é equilibrar os níveis de pH. A nutróloga apenas aconselha a não beber água alcalina durante as refeições, assim como qualquer outro tipo de líquido, para não atrapalhar a atuação de outras substâncias durante a digestão.
7,4
É o nível normal do pH do sangue humano, que pode variar de 7,35 a 7,45. O pH fica em desequilíbrio quando está acima ou abaixo desses valores.
Alimentos
Alcalinos: frutas (como limão, abacaxi e laranja), verduras, legumes, sal marinho (rico em minerais)
Ácidos: carnes, laticínios (queijo, margarina, iogurte etc.), massas, refrigerante, farinha, açúcares e sais refinados, café, alimentos industrializados de modo geral (com excesso de conservantes e corantes)
Como identificar
A acidez não guarda relação com o gosto dos alimentos, e sim com o efeito dentro do corpo. “O limão tem um sabor ácido, mas é uma das frutas mais potentes para alcalinizar o organismo”, cita a nutricionista Michele Bezerra. O pH mede a concentração de íons de hidrogênio (o chamado potencial hidrogeniônico). Ácidos são aqueles com íons H+ e básicos (alcalinos) com OH-. A escala do pH vai de 0 a 14: quanto menor o valor, maior a acidez. O valor 7 é neutro.