Cavalos são usados no tratamento de crianças e adultos com paralisia cerebral

Além de ter a vantagem do movimento tridimensional e do deslocamento, cavalo leva o paciente a fazer as atividades com motivação, dando, ao mesmo tempo, a sensação de capacidade e autoestima

por Zulmira Furbino 29/01/2015 15:00

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Rodrigo Clemente / EM / D.A Press
Miguel, de 5 anos, nasceu prematuro e perdeu os movimentos do corpo. Após três anos e meio de tratamento, já conseguiu firmar o tronco, as pernas e os braços (foto: Rodrigo Clemente / EM / D.A Press)
O uso do cavalo com finalidades terapêuticas tem seus primeiros registros com Hipócrates, no livro das dietas, no século 5 a.C. De lá para cá, esses animais continuam sendo auxiliares no tratamento de crianças e adultos portadores de paralisia cerebral e em muitos outros distúrbios de movimento, como hipotonia, hipertonia, ataxia e atetose, acompanhados ou não de déficits cognitivos e comportamentais, incluindo a crise do pânico. E os resultados, tanto para casos mais graves quanto para os mais leves, fazem toda a diferença na vida dos pacientes. “O resultado obtido é fruto dos ganhos de equilíbrio que ocorrem quando o paciente está sobre o cavalo que se movimenta”, explica Lílian Albuquerque, fisioterapeuta especialista em neurologia e hipoterapia e coordenadora da equipe de equoterapia do Centro de Preparação Equestre da Lagoa (Cepel).

Segundo Lílian, ao se movimentar, o cavalo passa ondas vibratórias que o cavaleiro tenta acompanhar, posicionando-se para buscar equilíbrio e, com isso, fortalecendo sua musculatura. “Os movimentos feitos em cima do cavalo são tridimensionais, parecidos com aqueles que as pessoas fazem ao andar. O corpo se desloca para a frente e para trás, para um lado e para o outro, para cima e para baixo. São deslocamentos triplanares do centro de gravidade do cavaleiro, que estimulam simultaneamente o sistema vestibular, somatossensorial e visual, provocando ajustes posturais, orientação e aquisição do equilíbrio. “A orientação é o ajuste do corpo e da cabeça para a vertical e o equilíbrio é a capacidade de manter o centro de massa em relação à base de sustentação. Somado ainda ao ganho motor, o cavalo proporciona ao paciente ganhos psicológicos, cognitivos e sociais”, diz a especialista.

De acordo com a fisioterapeuta, também é possível fazer fonoaudiologia sobre o cavalo e até tratar distúrbios como a hiperatividade e alfabetizar as crianças enquanto cavalgam. Claro que existem treinamentos com bolas e outros tipos de exercícios, mas o cavalo, além de ter a vantagem do movimento tridimensional e do deslocamento, leva o paciente a fazer as atividades com motivação, dando, ao mesmo tempo, a sensação de capacidade e autoestima. “Mesmo que haja exercícios com movimentos muito parecidos com os do cavalo, não há condições de substituir tudo o que o animal supre”, sustenta Lílian Albuquerque, responsável por trazer a equoterapia para Minas, há 24 anos. Depois de todo esse tempo à frente da equipe do Cepel, ela se lembra de casos como o de um juiz que sofreu um AVC e cujo médico garantiu que ele jamais voltaria a andar.

“Com a reabilitação sobre o cavalo, hoje ele consegue andar sozinho”, comemora. Outro caso é o de um jovem que sofreu um acidente, de onde saiu com lesão medular grave e que parou de andar, mas hoje está independente”, lembra. As conquistas de cada paciente dependem da situação de cada um. Há casos de pessoas condenadas a passar a vida em cima de uma cadeira de rodas e que hoje já andam utilizando um andador; crianças que jamais falariam e hoje não só falam como também andam; crianças em estado mais grave que conseguiram firmar o pescoço e, com isso, conseguem emitir sons; e até casos como o de um jovem que não conseguia entrar em elevadores e hoje controla seu medo administrando suas sensações sobre o dorso de um cavalo, sem medicamentos. “Na equoterapia, temos a parte motora, a social, a psicológica e a parte mágica”, define.

Rodrigo Clemente / EM / D.A Press
(foto: Rodrigo Clemente / EM / D.A Press)


SONHO
Rodrigo Diniz, pai de Pedro Arthur, de 12 anos, que teve meningite bacteriana quando começava a dar os primeiros passos e ficou tetraplégico, fala sobre os ganhos do filho com a equoterapia e o therasuit, treinamento que a criança faz vestida com uma roupa usada pelos astronautas, desenvolvida para evitar que eles percam a força muscular pela falta de gravidade na Lua. São três horas de atividades variadas com cavalo, bicicleta e esteira. O sonho de Rodrigo, cuja luta pelo filho implantou a vacina contra meningite na rede pública de saúde, beneficiando dezenas de milhares de outras crianças, é ver o filho voltar a andar. “Hoje, Pedro tem mais força no braço e nos membros inferiores, depois do therasuit, perdeu peso e melhorou”, explica Diniz.

Já o mecânico Ubiratan Ferreira Silva acompanha o filho Miguel, de 5, que nasceu prematuro e perdeu os movimentos do corpo. Em tratamento com equoterapia há três anos e meio, o menino já conseguiu firmar o tronco, as pernas e os braços, mexendo-se e movimentando-se bastante. E, além de tudo, adora cavalos. “Quando digo que ele não poderá vir, ele protesta”, avisa o pai.

Tetraplégico depois de contrair meningite, quando dava os primeiros passos, Pedro Artur, hoje com 12 anos, faz três horas de atividades variadas com cavalo, bicicleta, esteira e o therasuit, exercício para ganhar força nos braços e nos membros inferiores


CAMPANHA
O pai de Pedro Arthur, Rodrigo Diniz, está em campanha para arrecadar R$ 240 mil para que o filho faça um transplante de células-tronco na Alemanha, o que poderá fazê-lo voltar a respirar sem aparelhos e, futuramente, caminhar. Toda viagem dos sonhos tem um motivo especial. A do Pedrinho é a cura. Mais informações no site www.pedroarthur.com.br

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