A solução estava nas sapatilhas. “Eu sempre gostei de dança. A minha filha já participava das aulas na escola. Foi quando, ano passado, surgiu esse espaço para as mães”, lembra. Desde 2012, a bancária participa não apenas das aulas, mas também das exibições eventuais. “No começo, eu perguntei: ‘Filha, você quer que a mamãe participe da apresentação com você?’ Então ela respondeu que não tinha problema algum”, garante.
Quando questionada pela reportagem sobre o assunto, Amanda foi enfática: “Eu gosto muito de ter ela aqui, do meu lado, me motiva mais”. A estudante conta que as amigas dela curtiram a ideia e até insistiram para as próprias mães comparecessem, mas a maioria acaba participando só esporadicamente. Ambas concordam que, mais do que o trabalho com o corpo, o maior benefício da atividade é mesmo de ordem afetiva. A relação das duas saiu fortalecida. “Eu sei que posso contar com a minha mãe. Agora, ela é muito mais minha amiga”, reflete a estudante, que, além da dança, gosta muito de voleibol, esporte que pratica com o pai nos fins de semana.
saiba mais
-
Veja sete mitos sobre alimentação e atividade física
-
Versátil, slackline promove estilo de vida em contato com a natureza e a cidade
-
Arte marcial não competitiva, Aikido cresce, mas ainda atrai poucas mulheres
-
Prana balls tem ajudado quem quer relaxar da correria do dia a dia
-
Atividade física com os bebês pode render muito mais do que boa forma
Para o professor de educação física Marco Rodrigues Vieira, fazer atividades com o filho Heitor Sanchez, 8 anos, é algo natural. Heitor acompanha Marco durante as aulas numa grande academia da cidade e, quando há um tempo livre, o professor brinca com o filho. “A gente faz atividades que eu sei que são boas para ele, como a imitação de animais, atividades lúdicas que ajudam no desenvolvimento dele”, conta o educador. Além disso, Heitor pratica com outras crianças judô, natação e capoeira, mas é com o pai o momento mais divertido. “Fazemos várias brincadeiras, como pique-pega e pique-esconde. Andamos de skate e praticamos slackline no Parque da Cidade. A gente se diverte e acaba treinando”, reforça Marco.
“A matroginástica elimina o sedentarismo e melhora a relação familiar — coisa que a academia não necessariamente proporciona”, confirma Waldir Assad, especialista em educação física infantil. Ele explica que a prática não é sistematizada. “Não há um programa: são apenas atividades lúdicas que você participa com seu filho”, explica. Nessa perspectiva, o desenvolvimento da criança ganha relevo. “Torna-se um grande incentivo para uma vida mais saudável no futuro”, enfatiza.
Saiba mais
Brincadeiras sempre existiram, mas o conceito de matroginástica foi popularizado nos anos 1970 pelo professor alemão Helmut Shulz. Ele valorizava a atividade física entre pais e filhos em nome de uma melhor saúde física e piscológica das crianças. Shulz desembarcou no Brasil em 1975 para ministrar palestras e, assim, a prática se difundiu no país. Curiosamente, no mesmo período, o regime militar tentou implantar um programa com princípios muito próximos ao da matroginástica — o Esporte para Todos. “Vivíamos em uma ditadura. Como era algo imposto, a população não aceitou bem o programa, mas houve o boom da ginástica e todos começaram a praticar”, recorda o professor Waldir Assad.