Cantor paulista Jão lança seu primeiro álbum, 'Lobos'

Com pop eclético e dançante, músicas como 'Imaturo' e 'Vou morrer sozinho' falam de medos e desilusões da juventude. Turnê começa por BH, em setembro

por Walter Felix 27/08/2018 08:00

Hudson Renan/Divulgação
Aos 23 anos, Jão canta os anseios do jovem contemporâneo (foto: Hudson Renan/Divulgação)
Sem preconceitos e com sonoridade eclética, o paulista Jão canta os anseios de uma aflita geração de jovens da qual faz parte. Aos 23 anos, ele lança seu primeiro álbum, Lobos, que, em 10 faixas, discorre sobre amor-próprio, autoconfiança, ilusões e desilusões amorosas, entre outros temas recorrentes à juventude – mas nem sempre contemplados pela música. “Quis falar sobre coisas que geralmente não se fala; sentimentos que não são tão bonitos, como a inveja, autossabotagem ou ser o lado mais fraco de uma relação, aquele que se entrega mais”, conta o artista.

O mais recente single, Vou morrer sozinho, divulgado em 14 de agosto, trata de um dos maiores receios das pessoas na atualidade, tão ansiosas na busca por viver um grande amor. O tema permite ainda uma abordagem sobre o medo de se embarcar em um relacionamento quando a paixão finalmente bate à porta. “Bem que a minha mãe me avisou/ Que eu ia conhecer o amor/ E deixaria ele ir embora/ Se você me amar demais/ Eu paro de te amar/ Um amor fácil me apavora”, diz a canção.

“É um pouco de ironia e sarcasmo com um sentimento tão recorrente nestes tempos sombrios. Não queria que a música tivesse um lado tão pesado, por isso existe um contraste entre a letra dramática e a parte musical mais alegre”, define Jão. Com pegada dançante, a canção ganhou um clipe bem-humorado, que, em menos de 10 dias, ultrapassou a marca de 2 milhões de visualizações no YouTube. Assista:



IMATURO “Falo de partes ruins da vida, mas o disco também está permeado por coisas boas”, garante o cantor. As melhores delas provavelmente estão impressas nos versos de Imaturo, o maior sucesso do cantor até aqui. A ode à aceitação dos defeitos e das peculiaridades de cada um já angariou 17 milhões de views para o videoclipe oficial, lançado em janeiro.

O vídeo mostra como ainda somos, em essência, as crianças que fomos um dia. Tal premissa foi fundamental, segundo Jão, para despertar a identificação dos fãs. “Quando gravamos o clipe, conseguimos sentir uma energia muito legal, porque remete a uma nostalgia e uma inocência que todos têm dentro de si.”

Imaturo não ficou de fora do primeiro disco, assim como a tristonha Aqui, divulgada em junho em formato acústico. Para o disco, Jão regravou a música contando com a participação do português Diogo Piçarra, conhecido nas bandas de cá pela parceria com a dupla Anavitória em uma versão do sucesso Trevo.

CONCEITO Jão despontou nas redes sociais interpretando canções de artistas diversos, como Anitta, Charlie Brown Jr. e a dupla Maiara & Maraísa. Com Lobos, um trabalho totalmente autoral, o jovem cantor investe em um modelo clássico, mas esnobado por muitos artistas contemporâneos: o lançamento de um álbum com várias canções, em vez da divulgação de singles aleatórios. As faixas já estão disponíveis nas plataformas digitais e o CD físico deve chegar ao mercado em breve, mas ainda não há data confirmada.

“Sempre fui apaixonado por álbum, por conhecer um artista desta forma, vendo um trabalho seu do começo ao fim. Não funciona para todos os artistas, mas senti que era importante usar esse molde para mostrar quem eu sou e o meu tipo de música, com um conceito bem trabalhado e junto a uma turnê”, aponta.

Jão fará shows pelo Brasil a partir de setembro, começando por Belo Horizonte, onde o cantor desembarca no dia 21 do próximo mês, no Cine Theatro Brasil. A capital mineira não foi escolhida ao acaso, segundo o paulista. É uma espécie de agradecimento ao público que lhe acolheu calorosamente. Foi aqui, na casa de show Granfinos, que ele fez uma de suas apresentações mais memoráveis. “Foi um show muito grande e surpreendente, com ingressos esgotados”, lembra.

SOFRÊNCIA A popularidade de Jão prova que as novas gerações consumidoras de música pop já não apresentam a resistência de outrora com letras românticas ou com uma sofrência descarada. “Estamos vencendo essa barreira de preconceito musical no Brasil. Somos todos tão plurais e não há porque se prender a um só estilo. No fundo, todo mundo é brega e gosta de falar de amor, de sofrência”, acredita o cantor.

Nas faixas de Lobos, Jão dá espaço à viola, triângulo, sax e outros instrumentos pouco utilizados na música pop. “No planejamento do disco, tive uma preocupação muito grande em fazer um pop brasileiro. Tinha medo de cair em um pop reciclado, a partir de coisas que já fizeram lá fora. Comecei a ouvir muita música regional, procurando elementos que não são necessariamente da música pop, mas que eu pudesse englobar neste trabalho.”

No passeio pelo cancioneiro brasileiro, Jão se encantou com o forró de Nina Oliveira, cujo estilo inspirou a proposta de seu novo álbum. “Ela timbre de música pop e elementos que não são recorrentes no forró. O resultado é um baiãozinho muito gostoso, que despertou a minha vontade de ir mais a fundo no repertório brasileiro”, diz Jão.

LOBOS
Jão
10 faixas
Universal Music
Disponível nas plataformas digitais

 

Ouça:

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