Música, cinema e arte: a plataforma MECA toma conta de Inhotim; confira a programação

Até domingo (1º/7), a quarta edição do MECAInhotim recebe show de Elza Soares, Pabllo Vittar, Alice Caymmi, Iconili, Baco Exu do Blues e Letrux

por Márcia Maria Cruz 29/06/2018 08:00

I Hate Flash/MECA/Divulgação
Festival realiza quarta edição com novidades, como a mostra de cinema com curadoria de Antonio Grassi, diretor-executivo do Instituto Inhotim. (foto: I Hate Flash/MECA/Divulgação)

Até domingo (1º/7), a quarta edição do MECAInhotim vai reunir Elza Soares, Pabllo Vittar, Alice Caymmi, Iconili, Baco Exu do Blues e Letrux, entre outros destaques da música brasileira, em três dias de shows no maior museu de arte contemporânea a céu aberto da América Latina.


A festa mescla arte, música, moda e tecnologia. Pela primeira vez, o projeto contará com uma mostra de cinema. Outra novidade: este ano, o público não poderá acampar dentro de Inhotim.

“Cada vez mais, estamos aprimorando uma parceria muito importante para nós. O Meca traz público jovem, vindo de todos os lugares do Brasil”, afirma o ator Antonio Grassi, diretor-executivo do Instituto Inhotim.

Grassi destaca que o público terá mais tempo para apreciar as obras. “Este ano, a visita a Inhotim aparece com muita presença. É a possibilidade de que as pessoas possam conhecer melhor o museu. O formato foi pensado para que as atividades diurnas deem margem para aproveitar as galerias”, diz.

O instituto mantém 23 galerias (19 permanentes e quatro temporárias) e 23 obras de grande escala distribuídas em 140 hectares. O visitante terá contato com a coleção de cerca de 4,5 mil plantas, algumas delas ameaçadas de extinção.

CAZUZA Elza Soares vai apresentar o projeto A voz e a máquina. “É um show supermoderno e tecnológico, foi ideia minha e dos meus empresários, Pedro e Juliano, que também assinam a criação do espetáculo”, adianta a cantora. Elza vai interpretar canções marcantes de sua trajetória, além de músicas de compositores que admira, como Cazuza, Chico Science e Cássia Eller.

“Cazuza foi um cara com quem convivi muito. Ele já profetizava o que estamos vivendo hoje na letra de O tempo não para e de Milagres, música que fez pra mim. Na época, gravamos um clipe dessa canção”, conta.

O show é aberto com uma canção da banda Nação Zumbi: Computadores fazem arte, faixa do disco Vivo feliz (2003), de Elza. “Ali eu já flertava com a música eletrônica”, comenta a cantora.


Mauro Pimentel/AFP
Pabllo Vittar fecha a programação, no domingo (1º/7) à noite. (foto: Mauro Pimentel/AFP)


VISUAL Alice Caymmi prepara um espetáculo visual, propondo o diálogo com as referências de arte contemporânea em Inhotim. “Meu show é muito estético, além de musical. A parte visual é bem complexa e diferente, inclui figurino, maquiagem e afins”, adianta a cantora carioca.

O repertório traz canções do novo disco dela, Alice (2018), combinadas com faixas do álbum anterior, Rainha dos raios (2015). “Apresento músicas autorais e também canções de artistas que me influenciaram, como Rihanna, Lana Del Rey e Britney Spears. As músicas do álbum antigo foram rearranjadas”, revela.

É a primeira vez que Alice Caymmi se apresenta em Inhotim. Ela destaca o quanto seu trabalho é influenciado por Tunga e Adriana Varejão, artistas plásticos de quem é fã, cujas obras estão em galerias no museu.


LUZ, CAMERA, AÇÃO! Com curadoria de Antonio Grassi, a mostra audiovisual do MecaInhotim adotou o fazer artístico como tema. “Sonhávamos há algum tempo com essa experiência”, afirma o ator, diretor-executivo do espaço. Com Profissão: artista, o espaço se abre à sétima arte. “Vamos inaugurar a sala de cinema. A ideia é, em vários momentos, construir uma programação cinematográfica”, diz.


Grassi considera o atual momento oportuno para a reflexão sobre o papel do artista. “Essa discussão apareceu muito com a conversa a respeito da regulamentação da nossa profissão. Pensamos que seria legal fazer leitura por meio de filmes sobre a elaboração do trabalho do artista”, diz ele, que é ator.

LEGALIZE O público verá Todos os Paulos do mundo, que documenta a carreira do ator Paulo José, e Legalize já, cinebiografia do rapper Marcelo D2 e da banda Planet Hemp. Também estará em cartaz Divinas divas, dirigido pela atriz Leandra Leal.

“Leandra mostra travestis que fizeram história. Além do trabalho delas como artistas, o filme aborda a questão de gênero, um debate muito importante”, diz Grassi. Também será exibido Beijo no asfalto, dirigido pelo ator Murilo Benício, adaptação da peça de Nelson Rodrigues. “É muito interessante a maneira como ele mostra a construção do filme, o bastidor”, afirma Grassi.

Palestras estão programadas. Sábado, às 16h15, a atriz Débora Falabella e o diretor Amir Haddad falam sobre a adaptação da obra de Nelson Rodrigues para o cinema. Domingo, no mesmo horário, será a vez de o ator Renato Góes e Johnny Araujo, diretor de Legalize já, discutirem o processo de elaboração da cinebiografia da banda Planet Hemp.

 

DUAS PERGUNTAS PARA...

Rodrigo Santanna, idealizador do MecaInhotim

  

Em 2016, quando a proposta do MecaInhotim foi lançada, houve polêmica porque o preço do passaporte foi considerado muito alto. Na época, surgiu a proposta bem-humorada do Merreca PraiadaEstação. De lá pra cá, os organizadores buscaram se aproximar da cena cultural de BH por meio de parcerias com Guaja, Benfeitoria e Amadoria. O que guiou o olhar da curadoria desta quarta edição?
Consolidamos o festival no sentido de entender essa parceria e o público. Estamos nos aproximando de Belo Horizonte. Fizemos o MiniMeca com o Guaja, e MecaBenfs, parceria com a Benfeitoria. Experimentamos edição após edição. Seguimos três critérios: ser verdadeiro, atual e relevante. Ser verdadeiro, procurando admirar e respeitar os artistas da programação. Atual, estar conectado com o movimento cultural e refletir o que se está vivendo. E relevante ao celebrar o que tem de melhor no mundo. Temos olhos construtivos, procurando dar voz e espaço a cenas relevantes que nem sempre têm espaço em festivais tradicionais. Trazemos artistas como a Elza Soares, que tem história musical e continua atual. Trazemos Letrux, Rubel, procuramos juntar gerações e estilos que nem sempre convivem no mesmo espaço, dentro da coerência da curadoria em que acredito. Baco Exu do Blues é uma voz nova e Alice Caymmi se reinventa dentro de uma família muito importante. E a própria Pabllo Vittar, que é ícone.

Nesta edição, não há possibilidade de acampar em Inhotim. Isso reduz a experiência de imersão?

A imersão continua grande. O que muda é a conexão com a cidade, com o que há ao redor do museu. Queríamos contribuir para fomentar o turismo local. Entramos em contato com a rede de hoteleiros para fomentar o turismo e a economia de Brumadinho. Não é redução da imersão. É uma experiência diferente, que possibilita à pessoa conhecer a região como um todo: comer em restaurantes em Brumadinho, por exemplo. É superinteressante essa conexão com a população local. A pessoa chega de manhã, às 9h30. Tem o dia inteiro de visitação a Inhotim, com palestras. E fica direto, depois do horário em que o museu fecha, com programação exclusiva.

 

Imagem Filmes/Divulgação
Renato Góes (Marcelo D2) e Ícaro Silva (Skunk) no filme Legalize já, que será exibido em Inhotim. (foto: Imagem Filmes/Divulgação)
 


PROGRAMAÇÃO

 

» SEXTA (29/6)
» A partir das 17h30
E a Terra Nunca me Pareceu Tão Distante
JP
Iconili
Alice Caymmi
Baco Exu do Blues

» SÁBADO (30/6)
» A partir das 17h30
Rubel
Letrux
Elza Soares
Cordel do Fogo Encantado

» DOMINGO (1º/7)
» A partir das 17h30
Gelpi
Jules
Kafé
Pabllo Vittar

 

 

MECAINHOTIM

Inhotim – Rua B, 20, Brumadinho. Passaporte para os três dias: R$ 540 (inteira) e R$ 270 (meia-entrada). Hoje (noite): R$ 180 (inteira) e R$ 90 (meia-entrada). Amanhã (dia e noite): R$ 360 (inteira) e R$ 180 (meia-entrada). Domingo (dia e noite): R$ 180 (inteira) e R$ 90 (meia-entrada). Informações e programação completa: www.meca.love. 

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