Forró invade as pistas de BH e ganha eventos especiais para quem gosta de dançar

Diferentes casas da capital passam a abrigar eventos semanais dedicados ao estilo. Confira a programação

por Walter Felix 06/04/2018 08:57

Marcos Vieira/EM/D.A Press
O projeto Forró na Savassi se abrigou n%u2019A Autêntica depois de lotar o Vinnil Cultura Bar. (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)

Em Belo Horizonte, todo dia é dia de arrasta-pé. O forró, definitivamente, virou o xodó dos mineiros. Na capital, há eventos dedicados ao estilo em vários dias da semana. Até casas voltadas para o repertório pop rock se renderam ao pé-de-serra.

Há sete anos Ric está à frente do Forró na Savassi, projeto que passou por outras casas da região, como Gamboa e Cheio de Graça. Até o início deste ano, a festa rolava no Vinnil Cultura Bar, que já não comportava o público que aparecia por lá. O DJ, então, encontrou abrigo n’A Autêntica. Dedicada à valorização da música autoral, a casa promove o seu bate-coxa todas as terças-feiras, sob o comando dos DJs residentes Ric Barreto e Teles.

Focado nos estilos musicais alternativos, o espaço deu uma guinada ao abrigar o ritmo nordestino. Ric nota que, além do público cativo, a festa atrai quem frequenta a Autêntica nos outros dias –  clientela que, até pouco tempo, não era “forrozeira”.

“O público da Autêntica curte o alternativo e não tem preconceito. O forró casou perfeitamente com o lugar, pois todas as terças-feiras vejo as pessoas muito à vontade”, avalia o DJ, que trabalha com o estilo há 20 anos. A paixão surgiu quando ele frequentava o antigo Blue Banana, que viria a se tornar Lapa Multishow e fechou as portas em 2011. Ric comandou eventos ali e no Recanto da Seresta, em Santa Tereza. Inclusive, trouxe Elba Ramalho e Falamansa para cantar no extinto Hard Rock Café.

O DJ nota a valorização crescente dos ritmos brasileiros por parte dos jovens, que há alguns anos torciam o nariz para a “música de raiz”. Exemplo disso são as folias universitárias. Porém, os mais velhos também têm entrado nessa dança.

“Trabalho muito com forró e samba de raiz. Percebo o aumento nas buscas, também motivado pelo crescimento da oferta. Com a crise, bares e boates procuram promover eventos durante a semana. Querem se reinventar, misturar ritmos e trazer coisas novas”, aponta Ric. “Por dia, recebo de duas a três ligações de boates para as quais nunca imaginei ser convidado”, afirma.

FORROZIM Parceria dos DJs Vhinny e Yuga, o Forrozim é realizado periodicamente em dois locais: no Ziriguidum, às quintas-feiras e sábados, e na Benfeitoria, quinzenalmente. Uma antiga tradição se mantém em ambos: aulas gratuitas de forró para quem não sabe dançar, geralmente realizadas uma hora antes do início da festa.

Vhinny e Yuga se dedicam ao estilo pé-de-serra, com repertório que contempla Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Marinês e outros nomes do baião, xote e xaxado. Quando convidados para eventos onde o público é mais jovem, eles dão atenção especial ao forró universitário do Falamansa e do Rastapé.

 

Marcos Vieira/EM/D.A Press
Terça-feira é dia de bate-coxa n%u2019Autêntica, casa de shows da Savassi. (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)


Vhinny destaca a quantidade de eventos do gênero realizados periodicamente na capital. E lembra que, há dois anos, não havia tantas casas reservando dias da semana para o ritmo nordestino. Aponta um motivo para isso: “A dança está muito em evidência nas academias, o que automaticamente tem levado a galera a frequentar nossos eventos.”

Vhinny integra a organização do Festival Rootstock, realizado há 10 anos em BH. O projeto propõe o resgate de bandas e trios da velha guarda, gente que fez sucesso nas décadas de 1970 e 1980, além de destacar novos artistas. Em 2017, na edição de homenagem à cantora Marinês, o evento reuniu Elba Ramalho, Flávio José e outras 30 atrações. A próxima edição está programada para novembro, mas antes o festival será levado à Alemanha.

DISCOTECAGEM Tanto o Forrozim quanto o Forró na Savassi costumam contar com música ao vivo. Mas os organizadores negam que uma festa comandada só por DJs cause estranheza em quem curte o bate-coxa. “A festa acaba sendo mais democrática, pois nós tocamos de tudo. A gente mistura o velho com o novo e por isso há grande procura por forró com DJ. Se você só toca músicas bem antigas, o público não se renova”, explica Ric. Seu projeto aposta no forró mais atual, valorizando jovens artistas.

“No começo dos anos 2000, todos os forrós da cidade eram com DJ, pois o custo de trazer trios do Nordeste ou de São Paulo era muito alto. Não sinto que haja resistência, já é algo bem difundido”, opina Vhinny. Ele trabalha principalmente com discos de vinil, dispensando playlists digitalizadas.

“Há um grande trabalho de pesquisa com LPs. Quem for ao Forrozim pode ter contato com os discos, ver os detalhes, quem é o artista, as fotos antigas... Isso chama muito a atenção”, afirma Vhinny.

 

Marcus Ferreira/Divulgação
Trio Lampião levou o forró para a Europa. (foto: Marcus Ferreira/Divulgação)
 

 

ARRASTA-PÉ UNIVERSITÁRIO Foi nas festanças da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que o músico Fred Letro teve o primeiro contato com o pé-de-serra. Desde a adolescência, ele frequentava eventos promovidos por universitários. Atualmente, Fred integra o Trio Lampião, forte representante do gênero no cenário mineiro. A banda está há 14 anos na estrada –  a formação atual tem 10 anos.

 

“O público está sempre se renovando, muito em função do ambiente universitário”, acredita o artista. Fred destaca o Picadeirró, realizado nos fins de tarde das quartas-feiras, na Praça de Serviços do câmpus da UFMG. Sobre a popularidade do estilo entre os jovens, ele chama a atenção para o surgimento de uma nova vertente: o “forró de plástico”, mistura de axé e sertanejo. Wesley Safadão é um representante dessa tendência.

 

O tradicional pé-de-serra, contudo, tem o seu lugar. Em 2015, o Trio Lampião fez turnê por nove países da Europa. “Foi um intercâmbio cultural muito rico. Na primeira vez que fomos ao exterior, eu me senti um medalhista de ouro por representar o meu país lá fora”, relembra Fred, que é cantor e toca zambumba. Completam o grupo Glauco Bruzzi (vocal e triângulo) e Júlio César Bretas (vocal e acordeom).

 

Agenda


SEXTA-FEIRA

>>Iate Tênis Clube. Av. Otacílio Negrão de Lima, 1.350, Pampulha, (31) 3490-8400. Sexta-feira (6), às 22h: Dois Dobrado e DJ Adriano Lopes. R$ 15 (antecipado) e R$ 20 (portaria)

>>Mercado Distrital do Cruzeiro. Rua Opala, s/nº, Cruzeiro, (31) 3284-0709. Sexta-feira (6), às 20h: Forró do Mercado, com DJs Yuga e Flávio Bruno. A partir de R$ 15


SÁBADO

>>Ziriguidum. Av. Presidente Carlos Luz, 470, Caiçara, (31) 98716-1523. Sábado (7), às 22h: Trio Malaquias e DJ Du. R$ 20

 

DOMINGO

>>Gilboa. Rua Pium-í, 772, Carmo, (31) 3646-2433

Domingo (8), às 19h: Raphael Moura e Chama Chuva. R$ 15 (até 20h30), R$ 20 (depois das 20h30) e R$ 25 (portaria)

 

SEGUNDA-FEIRA

>>A Casa de Cultura. Rua Padre Marinho, 30, Santa Efigênia, (31) 3141-2979. O local está sob reformas e deve voltar a funcionar nas próximas semanas


TERÇA-FEIRA

>>A Autêntica. Rua Alagoas, 1.172, Savassi, (31) 3018-6169. Dia 10, às 21h: Forró na Savassi, com DJs Ric e Teles. R$ 20

 

QUARTA-FEIRA

>>Mi Corazón. Rua Sapucaí, 511, Floresta, (31) 98897-7150. Dia 11, às 20h: Quarta Forrozeira, com DJ Adair Groove. Entrada franca

>>Benfeitoria. Rua Sapucaí, 153, Floresta. Evento quinzenal. Dia 11, às 20h: Forrozim, com DJs Vhinny e Yuga. Edição especial Genival Lacerda – O senador do rojão. R$ 10

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