Eles são do Rio de Janeiro, terra do choro, da bossa nova e do samba de gafieira. Mas gostam mesmo é de um bom arrasta-pé. Aos puristas que porventura perguntem o que carioca entende de forró, a resposta vem rápida e certeira. “Nordestinos como Alceu Valença, Gilberto Gil e Elba Ramalho já dividiram palco conosco e nunca reclamaram”, brinca Duani, vocalista do grupo Forróçacana.
Formada por forrozeiros “da gota serena”, como diriam Dominguinhos e Sivuca, a banda se apresenta sábado (23) no Freud Bar, em Nova Lima. O show comemora os 20 anos de estrada do grupo, que lançou quatro discos e foi indicado duas vezes ao Grammy Latino.
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No repertório não faltarão sucessos do grupo, como Menina mulher da pele preta, Bola de meia e Lei do silêncio. Clássicos de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro também animarão o baile. Arranjos criativos dão o tom ao bate-coxa, garante Duani. “Talvez esta seja nossa principal característica: a originalidade. A gente toca o forró tradicional, que reverenciamos e adoramos, mas não nos prendemos só a ele. Damos roupagem do Nordeste a canções de muitas feras da MPB, como Jorge Benjor, Cássia Eller e Lenine”, explica.
No showbiz desde os 10 anos, Duani criou um instrumento musical: a zabumbateria, mistura de zabumba com bateria. A engenhosidade consiste em tocar o bumbo da bateria com os pés. A zabumba fica pendurada no corpo, enquanto os pratos são acionados pelo instrumentista de pé, em alternância com a zabumba.
“Chegou um momento em que sentíamos a necessidade de incluir batidas consistentes ao som que a gente fazia, mas não queríamos contratar baterista. Achávamos que isso descaracterizaria o forró. Daí criei a zabumbateria. Hoje, outras bandas até usam a nossa invenção, mas fomos nós que começamos com isso”, conta ele.
Forróçacana é formado por Duani (voz e zabumbateria), Chris Mourão (percussão), Marcos Moletta (bandolim), Cachaça (cavaquinho e guitarra) e Mará (sanfona).
Criado em 1997, antes de o forró virar “febre” (que começou no início do ano 2000), o grupo surgiu a partir de uma viagem de Mará ao Nordeste. “Ele voltou muito contagiado pela sonoridade maravilhosa que rola por lá. Começou a nos reunir na casa dele para ouvi-lo tocar sanfona. Dali, fomos crescendo. Do quarto do Mará alcançamos o Brasil todo. O nome veio do trocadilho formado pelas palavras forró, roça e cana”, diz Duani.
FORRÓÇACANA
Freud Bar. Rua Nossa Senhora de Fátima, Vale do Sereno, Nova Lima. Sábado (23), às 21h. Ingressos: R$ 40, à venda no site Sympla. Informações: (31) 99637-9899.