Maria Rita finca o pé no samba com seu novo disco, 'Amor e música'

Em seu terceiro álbum dedicado ao ritmo, cantora diz que finalmente seguiu o conselho de Arlindo Cruz para respeitar o ritmo, mas sem exagerar. "Escancarei", diz

por Ana Clara Brant 26/01/2018 07:00
FOTOS DARYAN DORNELLES/DIVULGAÇÃO
(foto: FOTOS DARYAN DORNELLES/DIVULGAÇÃO)
Maria Rita caiu no samba e não quis mais sair. Amor e música, seu terceiro disco dedicado ao mais brasileiro dos gêneros musicais, chega hoje às plataformas física e digital. Os anteriores foram Samba meu (2007) e Coração a batucar (2014). “Logo que comecei a fazer o Samba meu, o Arlindo (Cruz) comentou comigo que achava muito legal eu respeitar o samba, mas que não precisava respeitar tanto assim (risos). Acho que agora eu escancarei”, diz ela.

A música que batiza o projeto, parceria de seu sogro, Moraes Moreira, com Luiz Paiva, é dos anos 1980 e, vira e mexe, era dedilhada pelo músico Davi Moraes, marido da cantora. “Eu não conhecia essa música, mas o Davi sempre a tocava e ela me chamou a atenção. No ano passado, eu estava me preparando para gravar um DVD quando o ouvi tocando essa música como samba. Fiquei eufórica; arrepiei. Foi quando falei: é essa a música que vai explicar tudo que está acontecendo comigo”, conta.

O projeto do DVD não foi pra frente, mas Maria Rita acabou aproveitando boa parte do material no novo álbum. Amor e música é tão presente no trabalho que, além da versão que abre o CD, em ritmo de samba, se transformou em um bolero na faixa 12. “Originalmente, ela é meio assim, mais bolero, mas virou esse sambão maravilhoso”, comenta.

A filha de Elis Regina e César Camargo Mariano afirma que seu processo de escolha do repertório é bem intuitivo e que houve uma coincidência de surgirem várias canções abordando exatamente os temas sobre os quais ela gostaria de cantar. Fé, esperança, emoção, coragem e, claro, amor e música. “Estamos atravessando um momento estranho, e eu carrego uma sensibilidade muito grande. Então, tudo isso que mostro no disco é um chamado de alma, mesmo que inconsciente. Mais do que nunca, a vida precisa de mais amor e música.”

À exceção da faixa-título e de Saudade louca (Arlindo Cruz, Acyr Marques e Franco), as composições são inéditas. Arlindo deu de presente à cantora Cara e coragem, feita com Davi Moraes. O sambista, que sofreu um AVC em março do ano passado e continua hospitalizado, é uma espécie de padrinho de Maria Rita. “Ele é uma figura muito importante na minha carreira. Arlindo acreditou em mim bem antes de eu entender que era sambista. Ele me deu seis músicas para gravar no Samba meu; me trouxe para perto, me deu essa bênção. Arlindo Cruz é o meu padrinho, e a Mart’nália é a minha madrinha no samba. Estou bem apadrinhada, não é?”

COLABORAÇÃO
Em Amor e música a cantora contou com a colaboração de outros grandes nomes, como Zeca Pagodinho e Fred Camacho (Nem por um segundo), Marcelo Camelo (Pra Maria), Pretinho da Serrinha (Reza), que aliás coproduziu algumas das músicas, Batatinha (Samba e swing) e Carlinhos Brown (Cadê obá), outra parceria com Davi Moraes. Sobre o companheiro, que assina cinco faixas e ainda toca em Amor e música, Maria Rita é só elogios e assegura que, apesar de estarem juntos na vida pessoal e profissional, não misturam as coisas. “A gente é tudo macaco velho. Palco é palco, e casa é casa. Ele me ensina mesmo sem perceber. Davi só me alimenta, me fortalece e me encoraja a pensar diferente. Eu já o admiro como músico há muitos anos. Desde que o vi como guitarrista da banda do Caetano. Ficava passada com a sonoridade, com sua performance. Acabou sendo meu parceiro de vida e pai da minha filha (Alice, de 4 anos)”, diz a cantora, que também é mãe de Antônio, de 13, do relacionamento com o cineasta Marcus Baldini.

Apaixonada por carnaval desde garota – ela se lembra de estar fantasiada quando menina diante da TV para assistir aos desfiles das escolas de samba –, Maria Rita acaba de ser coroada musa de um camarote na Sapucaí. A coroação contou com a presença de bambas, como o cantor e compositor Monarco, um dos ícones portelenses. “Eu adorava ver as escolas, principalmente a ala das baianas e as porta-estandartes. Eu queria ser aquilo. Eu as via rodando e ficava fascinada”, recorda. Paulistana, Maria Rita sempre teve a Vai Vai como escola do coração, mas, no Rio, não tinha nenhuma preferência até ser “escolhida” pela Portela. “Eu me identifico muito com a musicalidade da escola, com a velha-guarda, com o próprio seu Monarco, o Paulinho da Viola. Quando eu vi, já estava nos braços da águia.”

Embora tenha aderido ao formato digital de lançamento, Maria Rita conserva ressalvas em relação ao modelo de negócio das plataformas de streaming. “É uma realidade que veio para ficar, mas o que espero, ainda, é um diálogo sobre o assunto, porque o streaming pode ser uma maneira, mas não a única, de consumo de música. Já conversei com alguns advogados e várias pessoas da indústria e cada um me dá uma explicação diferente sobre como é feita a arrecadação da execução. O fato de não ter como dar crédito para os compositores e os músicos, de não ter uma ficha técnica, acho que desvaloriza muito a arte e a classe. As pessoas vivem disso, vivem desse sonho. Não é ético elas não serem creditadas”, opina.

Por causa de seu amor pela folia, Maria Rita vai deixar para fazer o show de lançamento do álbum apenas em março. A apresentação está marcada para o dia 3, no Rio de Janeiro, mas ela já comemora a proximidade com os fãs. “O retorno que já estou tendo nas redes sociais está sendo tão carinhoso. Tantas manifestações lindas. Estou muito feliz.”


Amor e música
Artista: Maria Rita
Gravadora: Universal Music (13 faixas)
Preço sugerido: R$ 35





Flávio Henrique

No fim da entrevista, feita por telefone, a reportagem pediu a Maria Rita uma declaração sobre o cantor e compositor Flávio Henrique, morto na semana passada, vítima de febre amarela. A cantora, que conviveu com o músico mineiro no início de sua carreira, foi pega de surpresa com a notícia de sua morte. “Estou chocada. Não sabia. Estava imersa nesse processo de gravação do disco e não soube de nada”, lamentou. Ela disse que o admirava muito e não se esquece de um show que fizeram juntos em Belo Horizonte, por volta de 2003, em que interpretou algumas canções de Flávio. Ela esteve na capital a convite dele e estava escolhendo o repertório de seu primeiro disco, Maria Rita, lançado naquele mesmo ano. “Nem sei o que falar. É muito triste”, afirmou, antes de pedir, com a voz entrecortada pelo choro, para encerrar a conversa.

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