Em seu quarto álbum, 'Gaya', Tiê se aproxima ainda mais do pop romântico

Disco ainda traz dueto com Luan Santana e homenagem à avó da cantora, Vida Alves, que morreu durante a preparação do disco

por Guilherme Augusto* 08/11/2017 08:58

Jorge Bispo/Divulgação
'Vamos parar de cada um ficar dentro da sua própria bolha', declarou a cantora em entrevista ao EM. (foto: Jorge Bispo/Divulgação)
Desde que lançou A noite, há três anos, a cantora Tiê experimentou os deleites do sucesso. Emplacou a música na trilha sonora da novela global I love Paraisópolis (2015), abriu os shows brasileiros dos britânicos do Coldplay, atingiu a marca de mais de 82 milhões de visualizações com o videoclipe no YouTube e ainda conquistou lugar em um dos palcos do prestigiado festival Primavera Sound, na Espanha. ''Ela foi um divisor de águas para mim, me levou para outros públicos, que, provavelmente, não me ouviam antes'', afirma. Agora, Tiê encara o desafio de emplacar sucessos com uma nova cartada, o recém-lançado álbum Gaya.

 

''Esse disco começou a nascer em maio do ano passado. Então, ele foi feito com muita calma. Além disso, tive a oportunidade de testar as composições no palco, nos shows que fazia'', relembra a paulistana, que contou com a parceria dos produtores André Whoong e Adriano Cintra. ''A vivência desse disco foi muito orgânica, já que muitas coisas foram feitas na estrada. Nossa maior vontade era colocar timbres diferentes nas músicas. No final, deu num trabalho bastante pop'', comenta.

Em geral românticas, as composições mantêm o elo estreito com a vida pessoal de sua autora, tanto que lhe serviram como suporte para depurar as dores do luto após a morte de sua avó, a atriz mineira Vida Alves (1928-2017). ''No meio do processo de gravação, em janeiro, minha avó faleceu. Ela era uma figura extremamente importante para mim, sempre foi como um pai, já que o meu saiu de casa quando eu era muito nova. Quando ela morreu, me deu uma sensação louca e, por conta de toda essa tristeza, eu quis mergulhar de cabeça no disco; finalizá-lo'', diz Tiê, que dedicou à avó a música Vida. Ela conta que foi a partir dessa experiência de perda que surgiu a ideia de associar o trabalho a uma noção de ''purificação'', metaforizada com a presença da água, tanto na capa do disco quanto nos videoclipes lançados.

 

 

A cantora faz uma associação entre o título do álbum, Gaya, e a força feminina. ''Durante todo o desenvolvimento, pensei muito sobre maternidade, educação, sobre ser feminista. Venho de uma família formada por mulheres muito fortes, então, de certa forma, é uma maneira de homenageá-las.'' O disco também pretende traduzir a visão feminina por meio do projeto gráfico, assinado pela artista Rita Wainer e pela fotógrafa e cinegrafista Carol Quintanilha.

POTÊNCIA
 ''É muito louco quando junta muita mulherada. A gente precisa cada vez mais unir forças, lutar por isso, mostrar trabalho, potência e talento. É engraçado, rola uma outra energia'', comenta Tiê. ''Acredito na importância desse feminismo. Sou mãe de duas meninas e acho que todo o mundo tem que ser educado dessa maneira. Ao mesmo tempo, sou contra ter raiva dos caras. Faço questão de acentuar que a troca é muito importante.''

 

Premissa que ela cumpre com destreza no novo trabalho. Logo na terceira faixa, Duvido, Tiê insere uma parceria incomum: com o cantor sertanejo Luan Santana. ''Essa mistura é proposital, faz parte do meu conceito. É um recado bastante claro: vamos parar de cada um ficar dentro da sua própria bolha. Uma coisa é você não gostar porque experimentou, e outra coisa é odiar o que nunca ouviu. Sempre gostei do Luan. Ele é um artista bastante completo. Ele ter aceitado esse convite foi um prazer enorme para mim'', afirma. Escrita por Rafael Castro, a música conta uma história de amor com um final triste. Para o instrumental, synths eletrônicos se unem a violão, coro e piano. O resultado é uma bela amostra daquilo que é comum aos dois artistas: a música romântica.

As outras duas parcerias estão nas faixas Tudo ou nada e Vida. Na primeira, Tiê divide a autoria com a artista mexicana Ximena Sariñana numa das poucas músicas animadas da tracklist, que mistura português e espanhol na letra. Já na segunda, escrita em homenagem à sua avó, foram convidados para o coro o grupo As Bahias e a Cozinha Mineira (representado pelas cantoras Assucena Assucena e Raquel Virgínia) e o cantor Filipe Catto. ''São pessoas que admiro demais, corajosas, trabalham duramente. Quando fiz essa música, chamei os três e acho que o resultado ficou muito emocionante, pelo menos para mim.''

 

Gaya é um disco que traz um trabalho apurado de produção e apresenta um desenho definido – começa na desesperança e termina com uma certa expectativa. Apesar de a primeira faixa ser Mexeu comigo, é somente na segunda, Me faz, que o disco engata em uma mensagem mais uniforme. Para o miolo, Tiê reserva boas faixas, como é o caso de Pra Amora e Deixa pra depois, além de repetir a fórmula de abordar amenidades do cotidiano em Torrada e café. Quando se acha que ela vai perder o fôlego, introduz a bem bolada e romântica Amuleto. Por fim, Tiê entrega Oi, cujo título não corresponde à sua grandeza, principalmente em relação aos vocais.

Depois de apostar no folk em seus dois primeiros discos – Sweet jardim (2009) e A coruja e o coração (2011) – e inclinar seu trabalho para o pop rock em Esmeraldas (2014), Tiê mostra que mergulhou de cabeça na tarefa de aliar o indie ao pop, um em relação à forma e o outro, ao conteúdo. O resultado se mostra como um quarto disco consistente e maduro. ''Eu me sinto mais segura, mais cantora e mais experiente'', afirma.

*Estagiário sob a supervisão de Silvana Arantes

 FAIXA A FAIXA COMENTADA
Tiê fala sobre as 11 músicas do álbum Gaya

>> Mexeu comigo
É o começo de tudo. A música é interessante, porque tem uma
quebra importante, além de ser a introdução dos timbres eletrônicos.

>> Me faz
É uma música romântica, que tem uma coisa sensual, um clima quente. Fala sobre um amor que nasce e cresce, se você aceitar as coisas que rolam.

>> Duvido (com participação de Luan Santana)
Na primeira vez em que a ouvi, pensei: tem que ser do Luan. Traz uma letra com uma história incrível, universal, que eu adoro, além de fazer isso com humor.

>> Pra Amora
Essa letra é um recado. Comecei a fazer para Amora, minha filha, e acaba que traz uma mensagem que vale para todo mundo. É essa coisa de olhar cada vez mais para si e se respeitar.

>> O mar me diz
Uma constatação pessoal: no fundo, a felicidade está em nós mesmos e não nos outros. Escrevi para mim.

>> Deixa pra depois
Música leve, com um clima de descontração. Fala sobre esses momentos da vida que não precisam necessariamente rolar agora.

>> Tudo ou nada (participação de Ximena Sariñana)
Essa faixa sintetiza muito a ideia geral do disco. Na vida, a gente fica procurando e pode ser que dê em tudo ou mesmo em nada.

>> Torrada e café
É uma brincadeira de casal, daqueles que já viveram muito tempo juntos, mas que ainda têm muita esperança no amor.

>> Amuleto
Esse amuleto, na verdade, são as coisas que a gente carrega na vida: os traumas, dores, vivências, experiências que nos transformam.

>> Oi
Essa é uma parceria com o André (Whoong) e fala muito sobre desespero.

>> Vida (participação de As Bahias e a Cozinha Mineira e Filipe Catto)
Comecei a fazer quando minha avó estava no hospital e acabei depois que ela morreu. Acabou que é uma música sobre saudade.

 

Abaixo, confira o preview do disco Gaya

 



Gaya
Artista: Tiê
Gravadora: Warner
Preço sugerido: R$ 30
Disponível nas plataformas digitais

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