Daniela Mercury, Valesca Popozuda e Tiê participam de campanha contra desigualdade salarial das mulheres

#MaisQue70: mulheres receberem por seus trabalhos, em média, apenas 70% dos salários dos homens

por Diário de Pernambuco 29/03/2017 10:33

Facebook/Reprodução
Campanha é organizada pela ONG feminista AzMina (foto: Facebook/Reprodução )
As cantoras Valesca Popozuda, Daniela Mercury e Tiê decidiram se unir numa campanha para protestar contra o fato de as mulheres receberem por seus trabalhos, em média, apenas 70% dos salários dos homens. O número é apresentado pela ONG AzMina, que organiza a campanha #MaisQue70, iniciada no último final de semana. "Não estamos sendo pagas pela nossa qualidade profissional, mas por uma questão de gênero e isso é inaceitável", diz Valesca à reportagem, ao explicar o motivo de ter aderido à campanha. "Buscamos por igualdade, não existe a questão 'homem X mulher' se estamos exercendo a mesma função profissional."

A funkeira acredita que a diferença entre salários de homens e mulheres está presente em vários setores, inclusive na música. "Homem que toca, compõe e canta é super valorizado, como um grande artista. Uma mulher que faz isso é julgada como apenas 'um dom', sendo que a mulher também estuda e se capacita para ser ainda mais uma grande artista."

 

Em postagens recentes de performances das cantoras, elas excluem 30% das musicas. Os vídeos são interrompidos pelo anúncio: "Esta música chegou a 70% de sua reprodução. O equivalente ao que mulheres ganham em comparação aos homens no mercado de trabalho." Valesca é confiante com a campanha e afirma não ter medo de reações negativas dos fãs pela música "cortada". "Os fãs entendem o recado que estou querendo passar", diz, garantindo que eles aprovaram a campanha. "Tenho recebido diversas mensagens de apoio nas redes sociais."

Segundo a organização da campanha, o mote para o projeto foi o Relatório Global de Desigualdade de Gênero do Fórum Econômico Mundial, que indica que são necessários mais de 170 anos para colocar fim à desigualdade de gêneros no aspecto econômico. "Para termos uma real mudança na disparidade salarial que vemos hoje, é preciso dar a devida importância ao tema", afirma Nana Queiroz, diretora-executiva da publicação em revista da AzMina. "Com o apoio de mulheres de peso na música brasileira, esperamos que as pessoas se sintam instigadas e procurem saber mais sobre o tema."

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