Festival Botecar reúne 38 bares e celebra mineiridade

Até 30 de abril, projeto estimula botecos de BH a criar pratos inspirados na história da Estrada Real

por Ana Clara Brant 13/04/2018 08:30

Túlio Santos/EM/D.A Press
Elisa Fonseca preparou o Mix da Lora (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
A palavra botecar, definitivamente, entrou para o dicionário dos belo-horizontinos. Tanto é que virou nome de um dos festivais etílico-gastronômicos mais aguardados da capital. A 5ª edição do Botecar, que começou na quarta-feira e vai até  30 de abril, reúne 38 bares. Todos oferecem pratos inspirados na Estrada Real e no que Minas Gerais tem de melhor: a culinária.

A casa que conquistar a maior nota será eleita campeã do Botecar 2018, que tem o apoio do Estado de Minas. Os preços dos pratos, para duas a quatro pessoas, variam de R$ 26,90 a R$ 36,90.

“Mais uma vez, estamos prestigiando as nossas raízes. A diversidade e a infinidade de ingredientes e temperos mineiros permitem que os chefs ousem na criatividade”, ressalta Antônio Lúcio Martins, idealizador do festival. Com exceção de 2014, quando o evento homenageou a Copa do Mundo, as demais edições celebraram a mineiridade.

“Não há ingrediente obrigatório. Aliás, nada é obrigatório no Botecar. O boteco está livre para criar o que quiser, da melhor forma. A gente só recomenda que usem os produtos in natura, valorizando a nossa gastronomia”, acrescenta Martins.

O número de participantes foi reduzido de 50, em 2017, para 38. Martins explica que a decisão atende ao público e aos proprietários dos bares, que terão maior concentração de clientes durante o festival. “A gente percebeu que os frequentadores desejavam um circuito mais fechado, inclusive solicitaram isso. Assim, pode-se experimentar o maior número possível de petiscos. Tem gente que consegue ir a todos os bares. Então, chegamos a 38, número quase ideal”, afirma.

Proprietários dos bares participantes afirmam que a freguesia aumenta cerca de 40% durante o festival. Há casos até de 60%. De acordo com eles, o Botecar desperta a curiosidade, estimulando o público a circular em regiões diferentes daquelas a que já está acostumado.

“Um grupo de Jundiaí, no interior de São Paulo, vem todos os anos e roda os bares. O festival acaba atraindo novos públicos e aumenta o faturamento”, celebra Marcílio Diniz Cruz, proprietário do Armazém Medeiros, em Lourdes.

O bar de Marcílio participa do Botecar desde a primeira edição. Ele se inspirou nas fazendas coloniais instaladas por onde passa a Estrada Real para criar o prato chamado Tem barão e tem baroa (filé-mignon empanado com molho ao sugo e purê de batata-baroa gratinados com muçarela e queijo canastra). Ele serve três pessoas e custa R$ 34,90.

Túlio Santos/EM/D.A Press
Marcílio Diniz Cruz, do Armazém Medeiros, criou o prato especial Tem barão e tem baroa (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
AMBIENTE O Armazém Medeiros conquista a clientela não apenas pelo paladar, mas pela ambientação. Montado no charmoso prédio do antigo armazém da família, exibe prateleiras de madeira cheias de produtos característicos daqueles antigos estabelecimentos.

O tradicional Bar do Zezé, no Barreiro, é outro participante do Botecar. O proprietário José Batista Martins promete um tira-gosto caprichado, a Costela atropelada na Estrada Real: costela bovina ao molho especial com canjiquinha em pedaços, couve e ovo. Dá para duas pessoas e custa R$ 34,90.

Zezé diz que ganhou novos clientes por causa do Botecar. “Mesmo a gente sendo conhecido na cidade, ficamos no Barreiro e o pessoal da região é que frequenta o bar. Com o evento, outras pessoas ficam curiosas e querem nos conhecer. Muitos clientes se tornaram fiéis depois do festival”, revela.

No Mercado Central, o Bar da Lora, comandado por Elisa Fonseca, virou tradição. Ele participa do Botecar com o Mix da Lora – mandioca na manteiga de garrafa, linguiça especial, carne de panela, torresmo crocante e molho da casa. Serve quatro pessoas e custa R$ 34,90.

“A linguiça artesanal é receita minha, exclusiva. O molho é de cebola roxa. E tem um ovo de codorna para decorar. Sempre ofereço dois tipos de carne, pois tem quem goste mais de porco, outros de boi”, comenta Elisa. Segundo ela, os petiscos que participaram de outras edições do Botecar continuam fazendo sucesso. Origens da Lora, de 2015, reúne costelinha, molho de goiabada com pimenta, queijo, linguicinha e abacaxi. “Durante o festival, o nosso tradicional fígado acebolado com jiló é desbancando pelo prato que está disputando. É bacana”, revela Elisa Fonseca.

 

Confira lista de bares participantes do Botecar 2018 no site oficial.

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