Feito de rum, gelo, limão e hortelã, o mojito se tornou um drinque popular

Bartenders ensinam como inovar no preparo desse clássico refrescante

por Sílvia Pacheco 24/02/2011 14:38
Pedro Motta/Especial para o EM. 04/04/2009
(foto: Pedro Motta/Especial para o EM. 04/04/2009)
Grande parte do público que consome bebidas alcoólicas é hoje adepta dos novos drinques que, só pela maneira de preparo, conquistam olhares. Porém, uma receita antiga, que remonta ao fim do século 16, não perde sua majestade: o mojito. Entra e sai ano, lá está o drinque surgido em Cuba reinando nos bares e nas casas noturnas do mundo todo, sendo também um dos mais pedidos nas praias mais badaladas do Brasil. O principal motivo de tanto sucesso pode estar no fato de seus ingredientes serem fáceis de encontrar e seu preparo, simples. Além disso, a combinação refrescante de limão, hortelã e rum agrada em cheio paladares que buscam um sabor equilibrado. Nada muito forte nem seco, amargo ou doce demais. “O mojito é um dos três drinques mais pedidos no mundo inteiro, ao lado do cosmopolitan e do sex on the beach”, atesta Genaro Macedo, bartender e proprietário do Genaro Jazz Café. Tal popularidade faz com que sua fórmula seja reinventada a todo instante. A receita clássica consumida em Cuba é bem distinta da apreciada no resto do mundo. “Em Cuba, eles não maceram a hortelã. A planta é colocada inteira para finalizar o drinque”, explica Macedo. Em outros países, a bebida pode ganhar muitos formatos. O único item que não muda é sua base, o rum. “Se não tiver rum, não é mojito”, destaca o bartender. No Brasil, com a abundância de frutas frescas, podem-se adicionar sucos — de preferência cítricos — tranquilamente à bebida. “Com maracujá fica perfeito”, garante Macedo. Segundo o bartender, que trabalhou por 17 anos em bares londrinos e já passou uma temporada em Havana, no exterior é usado xarope em vez de suco, o que, na sua opinião, deixa a bebida muito mais doce e sem equilíbrio. “Prefira sempre ingredientes frescos, pois os sabores não sobressaem um sobre o outro”, aconselha. Para sugerir diferentes maneiras de se aproveitar o mojito, o Correio convidou alguns bartenders para ensinarem como fazer versões do drinque (veja quadro). Na receita de Macedo, batizada de Golden Mojito, é utilizado o rum envelhecido, no qual o gosto da cana-de-açúcar é mais acentuado. “No rum branco, o álcool é mais forte e ele acaba sobressaindo. Já com o envelhecido, a pessoa sente mais o gosto da cana, além de ele ser um pouco mais doce.” Para finalizar, em vez de utilizar club soda, Genaro triturou o gelo. “O efeito é quase o mesmo”, diz. Na versão de David Lechtig, do El Paso Texas, o espumante tomou o lugar da água gaseificada. O sabor continuou equilibrado e refrescante, “mas com um toque mais cosmopolita”, acrescenta o criador. Já na receita de Paulo Jacovos, membro da Associação Brasileira de Bartenders e campeão brasileiro do Grand Prix Bacardi Martini de Coquetelaria, o toque especial foi a adição da pimenta dedo-de-moça inteira. “Ela vai aromatizar e dar mais cor ao visual meio apagado do mojito”, aposta Jacovos. História Embora seja um drinque bastante apreciado durante o dia, o mojito floresceu na noite de Havana, mais precisamente no tradicional bar cubano La Bodeguita del Medio, encrustrado até hoje na Rua Empedrado, número 207. Apreciado por marinheiros e piratas, a bebida caiu no gosto do escritor Ernest Hemingway, autor, entre outras obras, do clássico O velho e o mar e responsável pela popularização do drinque nos Estados Unidos. Hemingway costumava contar, depois de ouvir contos no La Bodeguita, que o almirante e aventureiro inglês Francis Drake — primeiro europeu a aportar em inúmeras ilhas do Pacífico Sul, por volta de 1577 —, apaixonado pelos aromas da hortelã, teria sido a primeira pessoa a misturar a erva com doses de rum. A intenção dessa mistura seria criar uma infusão para amenizar problemas respiratórios, como asma, e males estomacais que atingiam a tripulação de Drake. “Dizem que as doenças nunca foram curadas. Pelo contrário, o número de doentes aumentou consideravelmente, pois todos queriam ganhar uma dose de rum, mesmo que ela viesse com algumas folhas de hortelã”, pontua Paulo Jacovos. Agora nas graças do mundo, o mojito pode ser apreciado a qualquer hora do dia ou em qualquer estação do ano. Ele é ideal, por exemplo, para ajudar a abrir o apetite. Que o diga o bancário Kennon Rodrigues, 29 anos. Para ele, o drinque vai muito bem antes de uma refeição que tenha comida picante. “O sabor é refrescante e suave, contrasta muito bem com pratos de sabor mais marcante.” Já o analista de sistemas Alex Saler, 36, diz que o mojito é um de seus drinques preferidos por reunir um conjunto de sabores únicos e ingredientes simples. “A refrescância da hortelã combinada com o limão e o rum me atrai. Além disso, é um drinque mais livre e simples de fazer, sem as frescuras de outras bebidas.” Ingredientes certos Além do rum de qualidade, o bom mojito deve ser preparado com hortelã e limão-tahiti (aquele bem verde) frescos. Tendo os ingredientes certos, basta macerar a hortelã no suco de limão, adicionar água gaseificada (ou club soda) e gelo. “Em vez do gelo inteiro, quebre-o. Isso gela a bebida rápido”, ensina Paulo Jacovos. Confira outras versões do Mojito Mojito light Ingredientes Uma banda do limão Tahiti cortado em quatro cubos Seis folhas da hortelã 50 ml de rum branco Duas colheres rasas de adoçante Água com gás ou club soda Gelo Preparo Macere o limão até obter o suco. Coloque a hortelã, macere mais um pouco e acrescente o adoçante. Adicione 50 ml de rum branco e água com gás, ou club soda. Coloque gelo triturado e mexa. Decore com um galho de hortelã. Sirva Mojito brasileiro Metade de uma banda do limão Tahiti cortado em quatro cubos Seis folhas da hortelã Uma colher rasa de guaraná 50 ml de rum branco Duas colheres rasas de açúcar Água com gás ou club soda Gelo Preparo Macere o limão até obter o suco. Coloque a hortelã, macere mais um pouco e acrescente o açúcar e o guaraná. Adicione 50 ml de rum branco e água com gás, ou club soda. Coloque gelo triturado e mexa. Decore com um galho de hortelã. Sirva Ingredientes De 4 a 5 cubos de abacaxi 10 ml de suco de limão 6 folhas de hortelã Duas colheres (sobremesa) de açúcar 50 ml de rum Havana Club 3 Anos Água com gás Modo de preparo Adicione o abacaxi, o suco de limão, a hortelã e o açúcar no copo long drink e macere até que o suco do abacaxi se misture aos demais ingredientes. Em seguida, acrescente o gelo, o rum e complete com água com gás. Misture todos os ingredientes e sirva.

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