Sorveteria aposta as fichas nas frutas do cerrado brasileiro

por Eduardo Tristão Girão 23/04/2010 07:00
Pedro David/Esp.EM/D.A Press
Araticum, buriti, jabuticaba, graviola e milho verde invadem as prateleiras (foto: Pedro David/Esp.EM/D.A Press)
Em entrevistas, chefs estrangeiros adoram dizer que amam (além de caipirinha, feijoada e churrasco) os ingredientes brasileiros. Nesse sentido, o referencial deles quase sempre é a Amazônia, vista como uma espécie de despensa exótica ainda pouco explorada. O que a maioria desconhece, no entanto, é que a diversidade de produtos do cerrado brasileiro é igualmente impressionante. Chefs do país começaram a despertar para isso: já “redescobriram” o pequi, elegeram a castanha de baru como bola da vez e em breve elegerão a baunilha gigante, nativa da região.

As frutas são parte representativa dessa riqueza e poucos lugares são melhores do que as sorveterias para conferir isso de uma só vez. Nesse sentido, chama a atenção a recente inauguração da sorveteria Sabor do Cerrado, especializada justamente em picolés (R$ 1,90, cada) e sorvetes (R$ 34,90, quilo) de cagaita, baru, pequi, mangaba, buriti, murici e gabiroba, entre muitos outros sabores cujo fornecimento oscila em função da disponibilidade dos frutos no mercado. Se está na época, tem no freezer; se não está, pode ser que não tenha.

No geral, as frutas empregadas na produção de sorvetes e picolés (ambos à base de leite ou água) são compradas de pequenos produtores familiares próximos à fábrica Do Cerrado, que fica em Goiânia (GO). As mais conhecidas, como pequi, não costumam faltar. O mesmo não pode ser dito do araticum, fruta grande e carnosa, com polpa dourada e de sabor forte: os picolés foram tão vendidos que já acabaram; nova remessa chega ainda esta semana. Já o de mutamba, praticamente desconhecido, é tão procurado que acabou. Além disso, o preço da fruta subiu e não há previsão de quando haverá outra remessa. 

Porém, nem tudo são lágrimas para os amantes dos ainda raros sabores trazidos do cerrado. O picolé de jatobá, por exemplo, está em estoque e é um dos de aceitação mais difícil, mas vem ganhando a confiança da freguesia. “Todos têm aquela lembrança do jatobá como fruta nojenta, meio fedorenta, com polpa que gruda no dente. Quando experimentam o picolé, se surpreendem”, garante Maria Consolação Fagundes, sócia de Lucas Gomes Peixoto e José Geraldo de Andrade Gomes na sorveteria.

Propositalmente, a casa não serve sorvete em casquinhas (só copinhos de isopor), nem disponibiliza coberturas, confeitos e afins para despejar sobre o produto. O objetivo é fazer com que a freguesia sinta ao máximo o sabor de cada produto. Também há sabores relacionados ao Norte, como taperebá, cupuaçu, graviola e açaí, além dos não menos interessantes acerola, cana, caqui, cajá, jabuticaba, melancia, queijo com goiabada, umbu, abóbora com coco, coalhada, jaca e banana. Sabores tradicionais (chocolate, morango etc) são os menos pedidos. Diet, apenas maracujá, coco e chocolate (R$ 49,90, quilo).

Origem Os sócios da casa são novatos no ramo. Lucas e José (o primeiro é sobrinho do segundo) são da cidade mineira de Araguari, no Triângulo, onde conheceram os produtos da marca. Conscientes da escassez desse tipo de sorvetes e picolés na capital mineira, eles resolveram apostar as fichas na loja. O ambiente é simples e conta com apenas três mesas, sobre as quais estão peças (porta guardanapo e apoio para descartar embalagens) feitas com material reciclado. Copinhos e embalagens para viagem também são produzidos a partir de reaproveitamento. De maio em diante, será oferecido o café Nuance, do cerrado mineiro, servido como expresso (R$ 2) ou cappuccino (R$ 2,50). A embalagem de 500g já está a venda e sai por R$ 16.

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SABOR DO CERRADO
Rua Mato Grosso, 960, loja 3, Santo Agostinho. (31) 2514-2226. Aberto de segunda a sábado, das 10h às 20h; domingo, das 12h às 20h.

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