Amantes da cerveja aprendem a produzir a própria bebida

por Eduardo Tristão Girão 05/03/2010 07:00
Pedro Motta/Esp.EM/D.A Press
O cervejeiro Felipe Viegas (C) e sua turma de alunos curtem o prazer do homebrewing (foto: Pedro Motta/Esp.EM/D.A Press)

Se você gosta de cerveja e ainda não ouviu falar de homebrewing, é bom correr ao dicionário de inglês-português. A expressão se refere ao movimento de apreciadores que produzem a bebida em suas próprias casas – muitas vezes, com os utensílios habituais da cozinha. Ao que tudo indica, esse hobby gourmet nasceu nos Estados Unidos há cerca de 30 anos, mas só em meados da década de 2000 surgiram no Brasil as primeiras associações de cervejeiros caseiros. Atualmente, a mania se alastra por lares e bares de Belo Horizonte. Nada mais natural do que aparecer gente para ensinar, caso dos entusiastas Felipe Viegas e Danilo Mendes, sócios da Taberna do Vale, no condomínio Vale do Sol, em Nova Lima.

Não é bar, nem restaurante. Trata-se de espaço especificamente destinado a quem quer se iniciar na produção de cerveja em âmbito doméstico. O surgimento de um local como esse reflete o novo perfil de consumidor: gente que torce o nariz para as grandes cervejarias, conhece rótulos importados e descobriu o (grande) valor dos pequenos produtores nacionais. Dado o refinamento de paladar, o próximo passo não poderia ser outro: fazer cerveja personalizada. E quem resolve se aventurar por esse verdadeiro universo descobre que ele é imenso – há quem diga, mais complexo que o do vinho.

O curso oferecido pela dupla tem três módulos. “O primeiro é a introdução ao universo da cerveja, voltado para o consumidor totalmente inexperiente no segmento de cervejas especiais”, explica Felipe. São abordados conceitos básicos como estilos da bebida e de degustação, em formato de bate-papo. Esse módulo custa R$ 100, tem duração de três horas e inclui degustação de cinco rótulos (um deles produzido no local) harmonizados com petiscos feitos por chefs convidados. Neste fim de semana, por exemplo, quem vai preparar a comida é o chef Adriano Santos, do Haus München.

O segundo módulo (R$ 100, três horas de duração) é o mais teórico. Felipe e Danilo explicam minuciosamente cada uma das etapas da produção artesanal de cerveja. O processo é longo, trabalhoso e exige extrema higiene e atenção, pois pequenos descuidos podem comprometer o processo. Mas isso não significa que leigos ficam de fora. “Há grandes cozinheiros que não sabem fritar um ovo”, garante Danilo. Trata-se de ensaio para o módulo final, no qual os alunos colocam a mão na massa para produzir a bebida. Na ocasião, todos têm a oportunidade de experimentar, em média, três rótulos.

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Carolweiss, cerveja de trigo produzida em homenagem à mulher de Felipe Viegas (foto: Pedro Motta/Esp.EM/D.A Press)
Maturação O último encontro da turma (R$ 150, oito horas de duração) consiste na aplicação de tudo o que foi aprendido: noções de higine específicas para o processo, moagem do malte, rampa de brassagem e uma série de etapas que termina com a maturação da cerveja em grandes galões. “O que é produzido na aula não é bebido na hora pelos alunos, pois demora no mínimo 15 dias para maturar”, explica Felipe. Terminado esse período, necessário para chegar à cerveja ao ponto, os alunos se encontram rapidamente só para ver o envase em garrafas próprias. Ninguém fica chupando dedo: quem quiser, pode comprar quantas quiser.

“Ao final, são todos cervejeiros artesanais formados. Não usamos o termo ‘caseiros’, pois parece coisa de fundo de quintal. Não são mestres-cervejeiros, mas fazem cerveja”, garante Felipe. As turmas regulares já estão preenchidas até maio. Para fazer o curso antes disso, é preciso se organizar em grupo fechado de 10 a 20 pessoas. Quem já tem conhecimentos básicos sobre cerveja pode pular para o segundo módulo. Os que optarem por fazer todos os módulos ganham desconto de 10% e levam para casa duas garrafas produzidas no curso, além de apostila com todo o conteúdo.

TABERNA DO VALE
Rua Tebe, 278, Vale do Sol, Nova Lima. (31) 9136-8484 e (31) 9985-3458.

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