A exótica comida indiana ganha novo espaço em BH

O Buffet Bhagwan, no Bairro Sagrada Família

por Eduardo Tristão Girão 05/02/2010 07:00
Pedro David/Es. EM/D.A Press
Bhagwanasinh Dhyanasinh Keintura, que veio para o Brasil a convite de um primo, comanda a casa (foto: Pedro David/Es. EM/D.A Press)
A arte de se virar sozinho, além de necessária, em alguns casos é notável. O indiano Bhagwanasinh Dhyanasinh Keintura é bom exemplo. Era o chef do Restaurante Maharaj, especializado na culinária de seu país natal, até setembro. Há apenas dois anos em Belo Horizonte, tomou coragem e decidiu partir para voo solo. Trouxe da Índia a filha Rukmani para ajudá-lo e abriu recentemente seu próprio negócio, batizado de Buffet Bhagwan, no Bairro Sagrada Família. Bom lembrar que o Maharaj, inaugurado há três anos, rompeu a quase inexistente tradição da cidade em se tratando de casas indianas.

O Buffet Bhagwan é um pequeno e simples restaurante, embora a palavra que preceda seu nome na placa provisória sirva para avisar que ele aceita praticamente qualquer tipo de encomenda de comida indiana. É a velha luta pela sobrevivência. Filho de agricultores, Bhagwan nasceu Uttranchal, região Norte da Índia, e de lá saiu aos 20 anos, à procura de emprego. Chegou a Mumbai, onde começou como ajudante de cozinha no Hotel Ambassador. Depois, foram 10 anos trabalhando em catering da mesma empresa: produzia comida para todos os aviões que pousavam no país.

O chef chegou ao Brasil a convite de um primo, que havia desistido de trabalhar no restaurante indiano Tandoori, em São Paulo. Bhagwan veio substituí-lo e comandou a cozinha da casa de 1996 a 2007. “A comida de lá era a mesma que faço aqui. Se não fosse muito fiel às receitas e sério, não iria tão longe”, acredita. Indicado pelo cônsul de seu país na cidade, aceitou a proposta de vir chefiar o então recém-inaugurado Maharaj, em 2008, cujo proprietário também é cônsul da Índia, mas em Minas.

Forno típico Quem conhece o cardápio do restaurante da capital mineira encontrará no da nova casa muitas semelhanças, do início ao fim. Uma das principais diferenças é o uso do tandoor, forno de argila cilíndrico comum na Índia e em vários países asiáticos. “No Maharaj não tinha. Aqui estou arriscando. Os meus já quebraram umas três vezes e em cada uma delas construo de maneira diferente. Já gastei R$ 1 mil. Como meu patrão iria gostar disso?”, conta. A brasa fica no fundo (a temperatura chega a 500 graus) e o alimento é assado em espetos.

“A gordura que pinga na brasa ajuda a perfumar as carnes”, explica. No tandoor são preparados cortes de cordeiro, frango, peixe e camarão, além de ricota, tudo temperado com iogurte e/ou especiarias (entre R$ 22 e R$ 38, a porção com 10 pedaços). Bhagwan diz que, se pedidos com acompanhamentos, cada um desses pratos são o suficiente para duas pessoas. Opção de guarnição são os pães feitos na hora: o naan (R$ 4,50) e o roti chapati (R$ 3,50) são assados na parede interna do forno e o roomali roti (R$ 3,50) é preparado na chapa.

A samosa, espécie de pastel, funciona como entrada, servida com chutneys (coco, tamarindo, mamão) feitos na casa (entre R$ 10 e R$ 11, porção com quatro unidades de frango ou legumes). Carnes variadas ao molho são maioria no cardápio, como o frango ao molho de castanha de caju (R$ 22); o pernil de cordeiro ao molho de tomate com especiarias (R$ 38); e o camarão ao leite de coco com curry e gengibre (R$ 42) – também neste caso todos servem duas pessoas se pedidos com acompanhamentos. Pratos vegetarianos não poderiam faltar: o grão de bico ao molho masala (R$ 19) é um dos seis.

Entre as sobremesas, kulfi (sorvete à moda indiana, com cardamomo e manga; R$ 6), gulab jamun (R$ 7, bolinhas de leite na calda de rosas com cardamomo) e kheer (arroz doce à moda indiana; R$ 6). Para beber, lassi de abacaxi ou manga (bebida a base de iogurte; R$ 5, cada, 300ml), cerveja long neck (R$ 3), caipifruta (R$ 7) e vinhos (12 rótulos da Zahil; entre R$ 38 e R$ 78).

Quer mais opções? Confira o Guia de Bares e Restaurantes do Divirta-se

BUFFET BHAGWAN
Rua Conselheiro Lafaiete, 771, Sagrada Família, (31) 3653-3000. Aberto de segunda a quinta, das 19h às 23h; sextas e sábados, das 19h à 0h; domingos e feriados, das 12h às 22h.

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