Restaurantes japoneses investem em vários rótulos de saquê

A mais popular bebida japonesa conquista cada vez mais casas da cidade

29/05/2009 07:00
Pedro Motta/Esp. EM/D. A Press
Menos complexos que o vinho e com pouca acidez, os saquês são leves e não determinam uma refeição (foto: Pedro Motta/Esp. EM/D. A Press)
Se para você não faz muita diferença o que colocam dentro do seu matsu ou se você sequer sabia que esse é o nome do copo quadrado para tomar saquê, é bom começar a tomar conhecimento da situação. A mais popular bebida japonesa, que tem como principal ingrediente o arroz, está chegando com tudo em Belo Horizonte. As divisões “nacional e importado” e “quente e frio” começam a se tornar insuficientes para dar conta da variedade de rótulos que vários restaurantes típicos de BH passaram a oferecer recentemente. Casa com a maior diversidade de rótulos da cidade, o Mayu tem no cardápio seção especial dedicada ao saquê. Aberta em novembro passado, começou com 10 rótulos. Hoje são 26: japoneses são maioria, mas há também brasileiros e norte-americanos. “Foi difícil ter tudo isso, pois no início era complicado achar saquês para comprar aqui. Além disso, as opções da bebida nos restaurantes eram poucas. Fomos a São Paulo procurar fornecedores”, afirma Mário Reis, que comanda a casa com a mulher, Letícia Baptista. “Já abrimos querendo uma carta diferente. Não entendíamos muito de saquê e quando começamos a pesquisar qualidades e tipos, ficamos encantados e resolvemos investir mais”, lembra Letícia. As garrafas são de encher os olhos, uma verdadeira profusão de cores, desenhos e caracteres japoneses. Os saquês da casa estão disponíveis em latas e garrafas de tamanhos e formatos variados, que vão de 150ml a 1,8l, incluindo embalagem que imita portal japonês e outra envolvida em palha típica do país. Até saquê com ouro tem. Com tanta novidade, o velho hábito de tomar saquê no matsu foi revisto. No Mayu, o freguês pode pedir seu saquê numa jarra especial, com compartimento interno para gelo, que chega à mesa acompanhada por copinhos de vidro transparentes. “Aqui no Brasil, as pessoas gostam do saquê gelado mesmo, mas a bebida muito fria dificulta a percepção dos aromas e sabores. Para mim, o ideal é servi-lo entre zero e 2º graus, pois até chegar à mesa, a temperatura vai subindo”, diz João Paulo Clementino da Silva, barman da casa. Gelado, entre 5 graus e 7 graus; quente, entre 35 graus e 45 graus, recomenda. Os preços variam entre R$ 37 e R$ 289 (garrafas com cerca de 720ml). Os principais fatores que determinam essa variação são o grau de polimento do arroz e a adição ou não de álcool etílico a bebida. Os grãos mais polidos são empregados nos saquês dos tipos ginjo e daiginjo (o mais nobre); ao saquê honjouzou é adicionado álcool etílico, enquanto ao junmai, não, já que é feito exclusivamente com álcool proveniente da fermentação do arroz. Há também opções de drinques com a bebida, como o wasabi martini (saquê, limão, açúcar e wasabi; R$ 13) e o samurai of spirit (saquê, gangibre, lima e açúcar; R$ 13), e as já tradicionais caipsaquês (entre R$ 10 e R$ 14). Quer mais opções? Confira o guia de Bares e Restaurantes do Divirta-se
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Sashimi harmonizado com saquê, uma das pedidas do cardápio do Mayu (foto: Pedro Motta/Esp. EM/D. A Press)
HARMONIA No Udon, também aberto ano passado, já são 12 os saquês no cardápio. “Abrimos com essa variedade e a ideia é aumentar”, diz João Emílio Soares. “A grande dificuldade é a regularização da entrega. Acontecem muitos atrasos e com isso podemos acabar tendo de mudar a carta”, acrescenta. Mesmo assim, garante, a oferta ampliada tem estimulado a freguesia a experimentar novos rótulos e, na maioria das vezes, migrar para o importados. “Mas os produtores nacionais hoje têm saquês de qualidade superior. Há dois anos, isso não existia”, relativiza. Lá as bebidas têm preço entre R$ 35 e R$ 245 (garrafas com cerca de 720ml). “O saquê é menos complexo do que o vinho e não tem muita acidez. É leve e não determina uma refeição, como ocorre com o vinho. Harmonizam bem do aperitivo até o final. Os mais adocicados e suaves combinam bem com carnes, comidas mais condimentadas, frituras e pratos com mais gordura. Os mais secos vão bem com sushis, sashimis, assados, grelhados, frutos do mar, verduras, legumes. O salmão, por ser mais gordo, merece saquê mais doce”, observa. ADEGA Outra carta extensa na cidade é a do Kei. Recentemente, a casa inaugurou adega só para seus saquês, logo na entrada da casa. Atualmente, são 27 rótulos (entre R$ 37 e R$ 69, garrafas com cerca de 720ml), todos importados. A procura pela bebida tem sido tanta que o serviço de clube do saquê (idêntico ao oferecido para outras bebidas) já está prestes a ser implantado: o freguês pede sua garrafa, bebe o quanto quiser e pode deixá-la armazenada na casa, para terminar de degustá-la na próxima visita. Mas se a ideia é experimentar drinques com saquês, variedade é o que não falta no restaurante que leva o nome da bebida, o Saquê. Entre as pedidas, estão o sakê royal (saquê, xarope de morango, água de coco e curaçau blue; R$ 11,50); o saketini (saquê, licor de maçã verde, água de coco e kiwi; R$ 11,50); o sakê havaiano (saquê, água de coco, licor de maçã verde e suco de abacaxi; R$ 11,50); o sakê kampai (suco de morango, água de coco, saquê, licor de coco, groselha e cereja; R$ 10,90) e o sakê tropical (suco de maracujá, morango em pedaços, abacaxi em cubos, suco laranja e saquê; R$ 10,90). ONDE IR Kei Rua Bárbara Heliodora, 54, Lourdes, (31) 3337-4000. Aberto de segunda a quarta, das 18h à 0h; quinta a sábados, das 18h à 1h; domingo, das 13h à 0h. Mayu Rua Rubim, 107, Sion, (31) 3225-6644. Aberto de domingo a quarta, das 18h30 à 0h; quinta a sábado, das 18h30 à 1h. Sakê Rua Marília Dirceu, 170, Lourdes, (31) 3292-4030. Diariamente, das 11h às 15h e das 18h às 2h Udon Rua Gonçalves Dias, 1.965, Lourdes, (31) 3243-8005. Aberto diariamente, 18h/último cliente

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