Café Palhares vence o festival Comida di Buteco 2009

24/05/2009 19:59

Fred D'alcântara/Divulgação
Karacol de Pernil foi o petisco mais apreciado do festival (foto: Fred D'alcântara/Divulgação)


Atualizada em 25/05/2009

Uma receita de pernil em forma de caracol, regado com molho de picante de abacaxi, fios de couve e pão árabe conquistou o paladar da cidade ao vencer o festival Comida di Buteco 2009. O tradicional Café Palhares, no Centro de Belo Horizonte, conseguiu seu primeiro título com o tira-gosto “Karacol de Pernil”, preferido pela maioria dos mais de 160 mil votos válidos do festival.

O vice-campeão foi o estreante Bar do Ferreira, do Barreiro, com o tira-gosto “Pecado Capital” (Taioba, mandioca, carne bovina, costelinha e tomate recheado). Já a medalha de bronze ficou com o Bar do Véio, com o petisco “Cada um no seu quadrado” (Bolo de carne recheado, bolinho de mandioca com parmesão e molho ao sugo).

Considerado um dos favoritos do concurso, o Bar do Zezé emplacou o quarto lugar com o seu SPC (Suã, polenta e couve). E o estreante Bar da Lora conseguiu o quinto lugar, com o petisco “Mercadão da Lora ao molho dos Bohemios” (Fígado com jiló, linguiça com couve, pernil com conservas e molho de cerveja).

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Nesta edição o número de votos aumentou 30% em relação ao ano passado. Foram aproximadamente 163 mil votos válidos durante 31 dias de maratona pelos 41 bares participantes.

O segredo

Maria Verônica Castanheira, esposa de Luiz Fernando Ferreira, um dos proprietários do Café Palhares, foi quem criou o Karacol de Pernil, após três meses de experimentos. Ela revela que a receita foi uma nova versão da porção de pernil, uma das mais pedidas no bar. O nome, escrito com “k”, é uma homenagem ao famoso Kaol (cachaça, arroz, ovo e linguiça), que também pode ser servido com pernil.

“O prato já é uma tradição de 50 anos no Café. O que fizemos foi dar um novo design acrescentando ingredientes da culinária mineira, de acordo com as regras do festival, além do pão sírio e o molho de abacaxi. Estamos muito felizes com o resultado, pois é um reconhecimento do nosso trabalho”, diz Verônica. O Café Palhares está com as portas abertas desde 1938.

Para combinar a alegria dos botecos vencedores, a Saideira contou também com um repertório musical de peso, principalmente com o samba, talvez o ritmo mais popular quando o assunto é música de botequim.

O show de encerramento ficou por conta de Beth Carvalho, com seus grandes sucessos de 44 anos de carreira. Mas antes, teve espaço para o grupo de chorinho Pedacinhos do Céu, o grupo de samba Copo Lagoinha e a banda Geraes FM, relembrando a programação da extinta rádio.

Thiago Ventura/Portal Uai
O estreante Bar do Ferreira levou o vice-campeonato (foto: Thiago Ventura/Portal Uai)
A banda, formada especialmente para o evento, contou com as participações de Podé (Tianastácia), Affonsinho e Alexandre Massau (CidadeNegra).

Estrutura

Segundo estimativas dos organizadores, cerca de 15 mil pessoas participaram da festa na sexta e sábado no Centro Esportivo Universitário (CEU) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Num local mais amplo e com mais vagas de estacionamento, a expectativa é reverter a imagem negativa do ano passado, quando boa parte do público reclamou da estrutura e do excesso de pessoas no espaço. Nesta edição os ingressos foram limitados e o espaço dispôs de uma estrutura maior.

Pelo menos é a opinião de botequeiros de carteirinha como o estudante Wagner Neves, de 24 anos, que participou da festa de Saideira de 2008 e veio prestigiar novamente. “Está bem melhor esse ano. Achei uma estrutura melhor, mais organizada e mais tranquila. Deu até para pegar uma mesa e comer um prato”, acrescenta.

Já a estudante Isaura Cardodo, de 20 anos, participou pela primeira vez da Saideira e gostou do que viu. A jovem, que torcia pelo título de melhor tira-gosto para o Bar da Lôra, também estava ansiosa para conferir as atrações musicais. “Hoje (domingo) os shows estão melhores e a festa está muito legal”, afirma.

A festa da Saideira do Comida di Buteco encerra também mais uma edição dos mais bem sucedidos eventos de Belo Horizonte. Na sua décima edição, o festival já é uma atração oficial no calendário da cidade e virou mania entre os belo-horizontinos.

Para as receitas deste ano os donos dos botecos tiveram um desafio: colocar entre os ingredientes dos petiscos a couve, a taioba e a mostarda, três tradicionais elementos da culinária mineira. Em 2010, a proposta será outra. O jiló deverá constar em todas as receitas.

História

O Comida di Buteco surgiu em 1999, numa idéia do chef Eduardo Maya, que apresentava um programa de culinária na extinta Geraes FM. A diretoria da rádio gostou da proposta e o projeto foi inaugurado em 2000, com dez bares participantes. A emissora saiu do ar em 2004, mas o Comida di Buteco continuou como sucesso de público e crítica.

Iniciando sempre no mês de abril, o festival é visitado por um público estimado em cerca de 400 mil pessoas (Vox Populi / 2007), entre moradores e turistas. Numa das características mais democráticas do Comida di Buteco, os bares participantes estão espalhados por toda cidade, do Barreiro a Venda Nova, o que torna mais fácil o acesso do público que mora mais longe, ou de quem deseja explorar lugares ainda não conhecidos.

Voto popular

A escolha dos melhores pratos de Belo Horizonte é decidida num misto de voto popular e especializado. O público é convidado a visitar os 41 bares participantes e opinar sobre a receita. Além disso, a temperatura da cerveja, a higiene do local e o atendimento também contam pontos para os bares.

Os botecos são visitados ainda por uma equipe especializada que avalia as condições de cada estabelecimento. Os cinco primeiros colocados são premiados, mas todos recebem certificado de participação.

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