O filme Como se tornar o pior aluno da escola (2017) deve permanecer nos catálogos de streaming no Brasil, após decisão da juíza Daniela Berwanger Martins, da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro.
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Na última terça-feira (05/04), a magistrada suspendeu o despacho da censura federal que ordenava a retirada da produção das plataformas.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional do Consumidor, determinou, no dia 15 de março, a remoção do filme, baseado no livro do humorista Danilo Gentili, das plataformas de streaming.
O descumprimento da medida podia gerar multa de R$ 50 mil, conforme documento assinado pela diretora do Departamento de Proteção e de Defesa do Consumidor (Senacon), Lilian Brandão.
A censura à produção foi a primeira de um filme desde o final da ditadura militar, alegando que o longa fazia uma suposta apologia à pedofilia após a viralização de uma cena em que o personagem do comediante Fábio Porchat tenta abusar de dois meninos, mas não consegue.
"Vamos esquecer isso tudo, deixar isso de lado? A gente esquece o que aconteceu e, em troca, vocês batem uma punheta pro tio. É super normal, vocês têm que abrir a cabeça de vocês. Uma juventude retrógrada", sugere o personagem, que também coloca a mão de um dos garotos em seu pênis na cena em questão.
Já no dia seguinte, em 16 de março, a Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), também ligada ao Ministério da Justiça, alterou a classificação indicativa da obra de 14 para 18 anos de idade. A determinação foi aplicada à Netflix; Globo, que possui as plataformas Telecine e Globoplay; Google, com o YouTube; Apple e Amazon.
Como o despacho que censurava o longa-metragem era baseado na classificação indicativa anterior, de 14 anos, a juíza considerou que ele não tem mais validade.
"Considerando que falha na classificação indicativa do filme foi apontada como situação fática a dar ensejo à decisão, com a sua alteração para o limite máximo pela SENAJUS o motivo indicado para o ato deixa de se fazer presente. Diante disso, é imperioso reconhecer que a decisão deixa de ter compatibilidade com a situação de fato que gerou a manifestação de vontade, tornando a motivação viciada, e, consequentemente, retirando o atributo de validade do ato", diz a decisão desta terça-feira.
De acordo com as informações do G1, a suspensão foi feita a partir de um pedido do Ministério Público Federal e a Associação Brasileira de Imprensa, que alegavam que a censura era um cerceamento da liberdade de expressão.
"O objetivo dessa ação é corrigir uma violação à liberdade de expressão artística", declarou o procurador da República Claudio Gheventer na ocasião.
O que disseram as plataformas de streaming quando houve a censura
Em nota, as plataformas de streaming do Grupo Globo, Globoplay e Telecine informaram que estão atento às críticas ao filme, mas que a ordem de retirá-lo do ar configurava censura. E afirmou que não iria retirar a obra de seus catálogos.
O YouTube, plataforma do Google, disse que não comentaria sobre o assunto. Já o Prime Video informou que o longa não consta no catálogo da plataforma da Amazon. Apple e Netflix não se manifestaram até a última atualização desta reportagem.
Confira, abaixo, o trailer de Como se tornar o pior aluno da escola: