Com 10 indicações ao Oscar, 'Trapaça' chega aos cinemas do Brasil nesta sexta

Novo filme de David O. Russell tem elenco afinado e méritos pelo conjunto da obra

por Gracie Santos 24/01/2014 07:00

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Sony Pictures/Divulgação
Bradley Cooper usa bobs para cachear os cabelos e Christian Bale tenta disfarçar a careca (foto: Sony Pictures/Divulgação)

O melhor de 'Trapaça' ('American hustle') é o roteiro de Eric Warren Singer e David O. Russell. Não, melhor é o elenco: Christian Bale, Amy Adams, Bradley Cooper, Jeremy Renner e Jennifer Lawrence. Ou seriam o figurino anos 1970 criado por Michael Wilkinson e a trilha sonora que passeia de Duke Ellington ('Jeep's blues') a Led Zeppellin ('Good times bad times'), passando por Elton John ('Goodbye yellow brick road') e Wings ('Live and let die')?

 

Confira os horários das sessãoes em BH


Difícil responder. 'Trapaça', novo filme do diretor nova-iorquino David O. Russell, de 55 anos (O lado bom da vida, 2012), tem mérito mesmo é pelo conjunto da obra. Conjunto que soma para torná-lo tão cult quanto Boogie nights (1997) ou Quase famosos (2000). Coisa de americano? O nome original avisa, é sim – mas, acredite, das melhores. Divertido, o filme tem humor inteligente.

 

Veja fotos de 'Trapaça'

O filme não serve apenas para voltar aos tempos dos bobs e cabelos cacheados. Não é só experiência estético-musical. Tem bom enredo e história bem contada. Aproveita-se dos trapaceiros menores, mais vulneráveis, para mostrar como trapaças maiores são mais bem engendradas e quase sempre encobertas.
Sony Pictures/Divulgação
Jennifer Lawrence interpreta a despirocada e exuberante Rosalyn (foto: Sony Pictures/Divulgação)

“As pessoas acreditam no que querem acreditar.” Espécie de slogan do trapaceiro, a frase é repetida para justificar as ações dos ditos, enquanto conhecemos a história de personagens nada convencionais. Eles são esquisitos, engraçados mas também carregam certa tensão, como se estivessem o tempo todo dizendo: ‘‘Há muito mais sobre mim e talvez não dê tempo de você saber.’’ Não restam dúvidas de que passaram por muitas coisas antes de tudo o que estamos presenciando. Não agem assim por acaso. E é essa sensação que transforma o espectador em espécie de cúmplice dos envolvidos na trama do malandro Irving Rosenfeld (Christian Bale), um cara que encontra na amante Lady Edith Greensly (Adams) a melhor partner para suas trapaças.

Dono de uma rede de lavanderias, Irving ganha dinheiro de fato com a comissão de empréstimos que promete aos clientes. Casado com a despirocada Rosalyn (Jennifer Lawrence), ele vê seus negócios serem ameaçados quando é obrigado a colaborar com Richie DiMaso (Bradley Cooper).

ILUMINADA
Sony Pictures/Divulgação
Amy Adams foi a vencedora do prêmio de melhor atriz de comédia ou musical na edição 2014 do Globo de Ouro (foto: Sony Pictures/Divulgação)

Boas interpretações são ponto forte do filme e já valem a ida ao cinema. Não à toa o elenco faturou, sábado, o prêmio do Sindicato dos Atores nos Estados Unidos (SAG Awards). Se tal afinação deriva da “boa mão” do diretor, também se deve a valores individuais. Destaque para a iluminada Jennifer Lawrence, impagável como a esposa de Irving. Em uma das cenas mais divertidas do filme, ela começa a cantar Live and let die. A cena é tão espontânea que dá a impressão de ter sido improvisada pela atriz e mantida no corte final.

Figurinista das sagas 'Crepúscul'o (2011 e 2012) e de 'O Homem de Aço' (2013), Michael Wilkinson acertou criando mulheres glamourosas (Jennifer, Amy e Elisabet Röhm estão exuberantes) ligadas a homens estranhos (a cara dos seventies): o topete do prefeito Carmine Polito (Jeremy Renner) é simplesmente hilário. Tem ainda Bradley Cooper de bobs minúsculos e Christian Bale colando tuchos de cabelo para esconder (grotescamente) a careca.

Caso à parte é a trilha do filme, capitaneada por Jeep's blues, com Duke Ellington, um dos fortes elos do casal protagonista. Tem mais, muito mais: Donna Summer ('I feel love'); Frank Sinatra ('The coffee song'); The Temptations ('Papa was a Rollin' Stone'); America ('A horse with no name') e Ella Fitzgerald ('It's de-lovely'), só para citar alguns. Para fechar, o velho e bom rock and roll: 'Good times bad times', do Led Zeppelin.


Confira o trailer de 'Trapaça':



VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE CINEMA