
Urubus, material atômico, bichos peçonhentos, plantas pantanosas, lixo eletrônico, carcaças... O que parecia o fim do mundo era o desfile do bloco Unidos do Barro Preto, na Região Centro-Sul de BH, que viveu ontem uma era pós-apocalipse. É verdade que o final dos tempos chegou cheio de alegria, ao som do mangue beat, mas carregado de críticas sociais e políticas. Em seu nono ano, o bloco optou pela primeira vez em não sair com os corpos cobertos de barro, em respeito às vítimas do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho.
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No lugar do barro, que é uma referência ao mangue e ao bairro belo-horizontino onde o bloco foi fundado, em 2011, o Unidos do Barro Preto elegeu uma estética "pós-apocalíptica". O caos é a leitura dos foliões para o momento atual. "As pessoas estão sentindo falta do barro, mas ficamos com muito receio do que isso poderia sugerir. Lama, nesse caso, não é fantasia. Estamos falando de pessoas", explica um dos integrantes Celso Biamonti.
Uma bandeira de Minas Gerais foi dependurada em um dos carros de som com frase que parodia o slogan do governo de Jair Bolsonaro (PSL) – Brasil acima de tudo, Deus acima de todos – e ainda exige a responsabilização da mineradora Vale. “Grana acima de tudo, lama acima de todos: Vale assassina”. Bolsonaro foi alvo de muitos protestos e xingamentos, em meio ao repertório com sucessos de Chico Science, Nação Zumbi, maracatu.
#CarnavalBH Bloco Unidos do Barro Preto puxa paródia com a marchinha do carnaval. "Doutor, eu não me engano, o Bolsonaro é miliciano", cantam. Público vai ao delírio %uD83D%uDCF7 Gladyston Rodrigues /E.M/D.A Press pic.twitter.com/vKgSrj7oOE
— Estado de Minas (@em_com) March 4, 2019
Com a bateria toda sentada do asfalto, o grupo puxou a marchinha adaptada: "Doutor, eu não me engano, o Bolsonaro é miliciano", cantaram. O público foi ao delírio. Contra o atual governo, um folião, gay, só pediu à reportagem para que alertasse foliões em BH para mudar o xingamento, em respeito à população LGBT. '”Vai tomar no c*' não é xingamento”, alertou.