Ampliado e sob aplausos dos foliões, Corte Devassa prega 'resistência' por tragédia em Brumadinho

Bloco incorporou a sua bateria 40 instrumentistas de sopro no desfile na Rua Sapucaí

por Gustavo Werneck 04/03/2019 18:10
Ver galeria . 60 Fotos Foliões do Corte Devassa homenageiam a corte inglesa com muito pancake, roupas e perucas tradicionais da época.Marcos Vieira/EM/DAPress
Foliões do Corte Devassa homenageiam a corte inglesa com muito pancake, roupas e perucas tradicionais da época. (foto: Marcos Vieira/EM/DAPress )
Perucas do tempo de Maria Antonieta, reis cobertos de pancake, da corte inglesa, roupas de veludo num calor escaldante e muita gente à vontade, de meia arrastão e cílios enormes. Com muito brilho, "carão" e roupas bem trabalhadas, o bloco Corte Devassa fez desfile - o oitavo, na história do carnaval de Belo Horizonte - na Rua Sapucaí, no Bairro Floresta, na Região Centro-Sul. O atraso de quase duas horas deixou alguns foliões ligeiramente irritados, mas umas das organizadoras, Lira Ribas, disse que o bloco tinha até 21h para fazer seu cortejo.

Formado há oito anos por alunos do curso de teatro da Fundação Clóvis Salgado (Palácio das Artes), o bloco atrai uma multidão de foliões bem-humorados e criativos. Cada um capricha mais no traje 'devasso'. Ator, diretor e figurinista, Fred Mozart 'encarnou' uma rainha devassa e arrastou muitos súditos, que posaram perto dos peitos enormes e desnudos da monarca irreverente. "Está tudo ótimo, adoro a festa", disse Fred.

Bailarino e especialista em pole-dance, Tiago Gambogi veio especialmente da Inglaterra, onde vive há 22 anos, para brincar. "Estou fantasiado de guerrilheiro urbano", afirmou Tiago, que trazia na cabeça um capacete feito com vassoura e uma tela de plástico sobre a malha azul.

Já o gaúcho professor de jornalismo Felipe Viero colocou uma  peruca rosa e contou que estavam homenageando uma professora de moda, sua amiga.

Em memória às vítimas da tragédia em Brumadinho, o bloco toca com tema: Ser feliz é ato de resistência. Não queremos lama, queremos rio vivo. Não queremos gaiolas, queremos corpo livre. Desta vez, o bloco incorporou a sua bateria 40 instrumentistas de sopro e a multidão aplaudiu.

Leandro Couri/EM/D.A. Press
(foto: Leandro Couri/EM/D.A. Press)