Baianas Ozadas supera dificuldades e leva mensagens de paz e inclusão a foliões

Bloco levou muita música e cores para o carnaval de BH, tendo o bloco soteropolitano, Oludum , como tema principal. Ano passado, o Baianas reuniu cerca de 650 mil pessoas. Confira como foi o desfile

por Juliana Cipriani 04/03/2019 15:51

Leandro Couri/EM/DAPress
Geo Cardoso, fundador do BBO, que promete um grande desfile no oitavo ano do grupo. (foto: Leandro Couri/EM/DAPress)

Ver galeria . 50 Fotos Poli Paixão, produtora do BBO, disse que a paz é o principal recado que o grupo pretende passar este ano.Leandro Couri/EM/DAPress
Poli Paixão, produtora do BBO, disse que a paz é o principal recado que o grupo pretende passar este ano. (foto: Leandro Couri/EM/DAPress )

Na manhã seguinte em que pessoas foram baleadas na Savassi, o Baianas Ozadas desfilou nesta segunda-feira (4) pela Avenida Afonso Pena com uma mensagem de paz e inclusão, e também homenageou as vítimas do rompimento de mais uma barragem da Vale em Brumadinho.


O recado ao poder público também foi forte e deu resultado imediato. Sob ameaça de ter que mudar o percurso planejado desde o ano passado, o vocalista Geo Cardoso foi ao microfone pedir respeito aos blocos e mais organização e estrutura à Prefeitura da Capital. O grito fez com que o comitê organizador, que alegava problemas de segurança, recuasse e deixasse o cortejo seguir com os milhares de foliões até a Praça da Estação.

Milhares de foliões vestidos de branco e com colares baianos lotaram o Centro e seguiram o bloco cantando clássicos do Axé. O Baianas estreou a música Tum Tum e homenageou o Olodum pelos seus 40 anos. Da lavagem da escadaria da Igreja São José, lembrando a tradição na Bahia em homenagem ao Senhor do Bonfim, à finalização na Praça da Estação, com a música Toda menina baiana, coreografada em libras, não faltou animação e muita disposição aos foliões.

Silêncio por Brumadinho


O bloco abriu o desfile com um minuto de silêncio em homenagem às vítimas da Vale em Brumadinho. O cantor e fundador do bloco, Geo Cardoso, e uma criança soltaram uma pomba como pedido de paz e em sinal de respeito às vítimas do rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão. "Um minuto de silêncio todos os dias. Vamos mandar força e amor para as famílias de Brumadinho", registrou o banner estendido pelo trio elétrico do bloco. Antes, a ala infantil Os Baianinhas! se apresentou e levantou o público, que cantou músicas de Xuxa e Balão Mágico.

Integrante dos Baianinhas, o menino Rodrigo Adriano, de 7 anos, encantou a todos e viveu nesta segunda-feira quase um dia de celebridade. Ele contou que sempre gostou do Baianas, mas é a primeira vez que desfila como integrante do bloco.



Depois que ele apareceu tocando pandeiro e dançando, todos queriam fotografar e abraçar o dançarino mirim. Até selinho ele ganhou de uma foliã. Tudo acompanhado de perto pela auxiliar administrativo e mãe dele Carla Adriana, 39, que não escondeu o orgulho do filho.

O bloco desfilou com 100 percursionistas e 105 dançarinos. Uma delas é a auxiliar de processamento Gracielle Cristina da Costa, 34 anos, que passou 8 meses ensaiando para dançar no carnaval.

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Gacielle Cristina da Costa,34, integrante da ala de dança do BBO conta que é o quarto ano que desfila. (foto: Leandro Couri/EM/DAPress)


O Baianas Ozadas é o maior dos quatro blocos em que desfilou e também um dos mais acolhedores, segundo ela. "Amo dançar e estar dentro do bloco é uma experiência única. É muito bom interagir com o público, é muito gostoso", conta. No carnaval, são de 4 a 5 horas dançando na rua e, segundo Gracielle, não precisa nenhuma preparação. "Basta querer, é só gostar de dançar e se divertir muito."

Carnaval da paz


Segundo a produtora do Baianas Polly Paixão, o principal recado que o grupo quer passar este ano é de tranquilidade. "Queremos o carnaval de paz. Um carnaval tranquilo. Nossa mensagem é de conscientização, para que não venham brigar, venham pela paz", afirmou. E foi neste sentido que o grupo atuou. Em um rápido momento de princípio de confusão entre ambulantes, a banda parou o som e avisou aos policiais para apaziguar a situação.

Este ano, o bloco também deu palanque ao grupo Amor, que trabalha com a prevenção do HIV e veio falando da importância do teste rápido. A coordenadora do grupo, Dona Irene Adams, disse que a prevenção e a detecção precoce são as principais formas de combate à Aids. "É importante fazer o teste. Se dá negativo, graças à Deus. Mas se dá positivo, a pessoa toma o remédio e não vai ter a doença", orienta.


Respeito aos blocos


O percurso até à Praça da Estação só foi mantido às custas de um protesto em cima do trio elétrico por mais estrutura para a folia. Ao saber da notícia de que teriam de mudar o trajeto, terminando na Rua Tupinambás entre Avenida dos Andradas e rua da Bahia, o vocalista da banda Geo Cardozo esbravejou ao microfone e pediu respeito aos blocos de BH."Estão querendo atrapalhar nosso carnaval. Alô Belotur, estão atrapalhando nosso desfile". O músico se dirigiu aos organizadores e disse que se o carnaval está evoluindo, o poder público tem que evoluir também. "Crescemos junto com o Carnaval de Belo Horizonte. A cidade tem que estar preparada, respeitem os blocos", disse.

Cardozo chegou a anunciar a intenção de seguir até a praça mesmo com a proibição e, pouco depois,  integrantes do bloco cobraram explicações dos bombeiros. Foi quando o tenente Igor disse ao grupo que foi uma decisão conjunta da organização, levando em conta a segurança do evento.

A produtora Polly Paixão o confrontou, dizendo que a explicação não era suficiente.

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Mudança no trajeto inicial do bloco provocou muito bate-boca e protestos dos foliões e representantes do grupo (foto: Leandro Couri/EM/DAPress)


Em menos de 30 minutos, a orientação mudou mais uma vez e a PBH permitiu que o bloco concluísse os planos iniciais. O cantor e líder do grupo, Geo Cardoso, confirmou a informação ao microfone, sob aplausos: "Vamos pra Praça da Estação, agora ninguém segura a gente", anunciou.

Ao retomar o desfile, o trio teve dificuldades para passar por alguns sinais de trânsito, já que era muito alto. Foi preciso que os produtores levantassem o equipamento enquanto o motorista manobrava para que o carro enfim chegasse à Avenida dos Andradas pela contramão rumo à Praça da Estação.

Com a incerteza, o bloco passou por dificuldades na Rua Tupinambás para entrar na Avenida dos Andradas e chegou à praça pela contramão. Os organizadores precisaram levantar os semáforos no braço para que o trio pudesse passar.

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(foto: Leandro Couri/EM/DAPress)

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