Cidades do interior de Minas cancelam carnaval por atrasos em repasses de verba

Enquanto BH se prepara para recorde de público, pelo interior diversas prefeituras cancelam os festejos para economizar

por Larissa Ricci Luiz Ribeiro 08/02/2018 06:00
Prefeitura de Araxá/Divulgação
Desfile das escolas de samba no carnaval de Araxá em 2016 (foto: Prefeitura de Araxá/Divulgação)

O carnaval deste ano promete dividir as emoções dos mineiros. Enquanto Belo Horizonte espera um público recorde de 3,6 milhões de pessoas na festa, cidades do interior recolhem o confete e a serpentina, preocupadas com gastos em momento de crise econômica e de instabilidade política. Ao cancelar a programação, prefeituras denunciam diminuição e atraso de repasses de verbas tanto federais quanto estaduais, e preferem deixar as ruas entregues à tranquilidade ou a manifestações espontâneas. Levantamento feito pelo Estado de Minas mostra que pelo menos 14 municípios decidiram suspender o evento.

Entre as prefeituras que cancelaram a folia oficial estão Cataguases, Caputira, Santos Dumont e Leopoldina, todas na Zona da Mata; Araxá, Monte Carmelo, ambas no Alto Paranaíba; Gonçalves, Maria da Fé, São Sebastião do Paraíso, Três Pontas, no Sul de Minas; Uberlândia, no Triângulo Mineiro; Januária e Janaúba, ambas no Norte de Minas, e Pará de Minas, na Região Centro-Oeste.

A falta de verba e os atrasos de repasses estão entre os motivos apontados pela Prefeitura de Gonçalves para a decisão. Em nota, o prefeito Luiz Rosa da Silva informou que a medida teve que ser tomada devido aos cortes. “O cancelamento se justifica, especialmente, pela necessária e imprescindível economia de recursos, em virtude dos cortes orçamentários e dos repasses vindos do governo federal e principalmente do governo estadual, que mês a mês não vem honrando suas transferências obrigatórias, como a do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) nas datas devidas”, diz o documento. A cidade de Maria da Fé é outra que culpa a administração estadual pelo fim da folia, devido a atraso nos repasses de impostos.

A decisão movimenta as redes sociais. Vários moradores reclamaram do cancelamento. “Agora vamos aguardar pra ver se vão investir mesmo nas áreas com mais prioridade. Porque pelo que falaram, não iam fazer festa de réveillon porque investiriam no carnaval, que é uma festa que compensa. A população aguarda ansiosamente pela melhoria na saúde, educação e infraestrutura”, disse uma internauta, sobre o anúncio do cancelamento da festa em Gonçalves. Mas há quem apoie a decisão da prefeitura. “Parabéns! Isso é ser responsável com o dinheiro público, todos os envolvidos merecem meu respeito”, escreveu outro internauta na página da prefeitura na internet.

Araxá, no Alto Paranaíba, engrossa a fila de prefeituras que não promoverão carnaval de rua para contenção de despesas. Na opinião da superintendente de Turismo, Régia Côrtes, “o momento econômico pelo qual passa o país requer “cautela, bom senso e austeridade”. “Quando foi possível, a prefeitura realizou o carnaval. Hoje o momento não permite”, informou, referindo-se ao segundo ano em que a festa não ocorre.

Uberlândia, no Triângulo, também decidiu ficar sem o som dos tamborins por mais um ano. O município não terá participação na festa com aporte de recursos próprios, mas, “em reunião com os representantes de blocos e escolas de samba da cidade, a Secretaria Municipal de Cultura se comprometeu a realizar um edital para acompanhar e desenvolver ações e planejamento para a realização da festa em 2019.” 

‘FESTA DA SAÚDE’ 
A Prefeitura de Pará de Minas, no Centro-Oeste do estado, informou ter decidido poupar no carnaval de rua para investir em saúde. “Vamos ter o carnaval da saúde. Passamos por um ano de dificuldades e tudo o que gastaríamos com o carnaval vamos destinar ao setor”, disse o prefeito Elias Diniz, em nota. Ele promete um mutirão para identificar quais cirurgias precisam ser priorizadas, para que sejam feitas nesse período.

Na Zona da Mata, onde pelo menos quatro cidade desistiram da festa, Caputira cancelou a tradicional “Capufolia”. Os motivos são os mesmos que levaram a cidade a não realizar a ornamentação de Natal e de réveillon, e a conta novamente é repassada ao estado: “Além dos débitos anteriores à nossa gestão e da falta dos recursos do ICMS, o governo de Minas continua segurando os repasses. Mesmo sendo uma das festas que requerem menos recursos financeiros, não seria coerente realizá-la”, informou o município. A justificativa foi a mesma levantada pelos municípios de Cataguases, Leopoldina e Santos Dumont: dar prioridade a investimentos nas áreas de saúde, educação e infraestrutura. 

Estado de Minas tentou ouvir o goveno estadual sobre as queixas dos municípios quanto ao atraso em repasses, mas ninguém se pronunciou.

 

 

Pesquisa aponta o perfil do turista em BH


 

Com muitas cidades de Minas cancelando o carnaval, no ano passado, a maioria dos visitantes que curtiram a festa na capital mineira vieram do interior (67,4%), seguidos dos paulistas (15,4%) e dos cariocas (5,3%). Os dados foram tabulados por meio do Observatório do Turismo, em parceria com a Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais, que pesquisou o perfil dos foliões em 2017. Entre os foliões que visitam a capital mineira estão moradores de Divinópolis (5,3%), Montes Claros (4,4%), Juiz de Fora (3,5%), Viçosa (3,1%), Lavras (2,6%), Bom Despacho (2,2%) e Conselheiro Lafaiete (2,2%). De acordo com o estudo, participaram do evento, por dia, em média, 845.963 pessoas, sendo 697.073 (69,4%) moradores e 148.889 (17,6%) visitantes, totalizando um fluxo de 3 milhões de foliões. O estudo tem margem de erro de 2,7%.

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