Alzheimer está estabilizado em países ricos

Tendência ocorre na Europa e nos EUA e dá esperança de frear o tipo de demência que mais debilita pessoas no mundo. OMS estima mais de 7 milhões de novos casos anualmente

por Estado de Minas 20/09/2016 14:06

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Max Res / Divulgação
Imagem ilustrativa do cérebro saudável (E) e o atingido pelo mal de Alzheimer, que leva a deterioração da memória e de outras faculdades intelectuais (foto: Max Res / Divulgação )
Paris – Às vésperas do Dia Mundial do Alzheimer, lembrado amanhã, a divulgação de que a estabilização do número de casos de Alzheimer e doenças afins nos países desenvolvidos lança luz de esperança ante essa patologia devastadora que ainda não tem cura. A tendência, inesperada em um contexto de previsões alarmistas, é observada particularmente para a taxa de novos casos na Europa Ocidental e nos Estados Unidos, segundo estudos recentes. “A baixa incidência (taxa de novos casos) do Alzheimer e de tipos de demências em pessoas maiores de 65 anos é uma tendência nítida”, afirma o epidemiologista Philippe Amouyel, do Instituto Pasteur-CHRU, em Lille, no Norte da França.

A quantidade total de casos deverá aumentar, porém, considerando-se a quantidade cada vez maior de pessoas que vivem mais tempo, graças ao aumento da expectativa de vida. “Limitamos o fluxo, mas sem conseguir detê-lo”, afirma David Reynolds, da associação britânica Alzheimer’s Research UK (Aruk). Os custos econômicos e sociais das demências chegam a US$ 818 bilhões em nível mundial e não estão perto de diminuir, segundo relatório de 2015 dos especialistas da federação Alzheimer Disease International (ADI).

Vinculado ao envelhecimento, o mal de Alzheimer é a causa mais comum de demência, sendo responsável por entre 60% e 70% dos casos. A demência vascular é a segunda causa. No entanto, a associação dessas duas doenças é comum, de acordo com especialistas. O Alzheimer leva a uma deterioração da memória e de outras faculdades intelectuais e, progressivamente, a uma perda de autonomia. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), há cerca de 47,5 milhões de pessoas com demências no mundo, e 7,7 milhões de novos casos todos os anos – ou seja, um a cada quatro segundos.

O Reino Unido, um dos países analisados na pesquisa (que também incluiu Espanha, Suécia, Holanda, entre outros), registrou uma queda de 20% da taxa de incidência global da demência por mais de duas décadas. Segundo estudo publicado em abril na revista científica Nature Communications, o país contava com 209 mil casos novos em 2015 – muito abaixo dos 251 mil apontados em previsões de 1991.

Mais de 100 anos depois da identificação do mal de Alzheimer, ainda não existe um tratamento que permita curá-lo, ou frear sua evolução. As causas da doença, que implica o aparecimento de proteínas anormais no cérebro, continuam sendo objeto de debate. Estudos recentes sugeriram que a poluição poderia ser um dos responsáveis.

Entre as hipóteses que podem explicar essa estabilização da taxa de demências, está uma melhoria da qualidade de vida e da educação, assim como uma redução dos riscos cardiovasculares, devido ao avanço de tratamentos para hipertensão e colesterol alto. “Qualquer coisa que ajuda a reduzir o risco cardiovascular parece ser benéfica, como a atividade física, uma alimentação saudável nos moldes da dieta mediterrânea e não fumar”, resume o professor Philippe Amouyel, coordenador geral do programa de pesquisa da União Europeia em Doenças Neurodegenerativas (JPND, na sigla em inglês).


Palavras cruzadas, sudoku e jardinagem De acordo com alguns estudos, tudo que faz o cérebro trabalhar, como estudos superiores, ou atividades como palavras cruzadas, sudoku, leitura, jardinagem, trabalhos manuais, assim como o fato de não viver isolado, principalmente para quem já se aposentou do trabalho, contribuem para reduzir o risco de demência.

Enquanto isso, outros desenvolvimentos podem inverter a tendência, como a progressão do diabetes, a obesidade e o sedentarismo, alertam especialistas. Em nível mundial, o número de casos de demência pode chegar a 75,6 milhões, em 2030, e a 135 milhões, em 2050, um aumento alimentado particularmente por países de baixa e média renda, segundo a OMS.

Isso se deve a um aumento das doenças cardiovasculares e da obesidade, assim como de uma ampliação acelerada da expectativa de vida nesses países. De acordo com o especialista francês, eles já representam mais da metade dos casos de demência em todo o mundo.

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