Tapioca é rica em sais minerais e aceita todo tipo de combinação

Saiba como escolher ingredientes para evitar uma bomba calórica

por Paula Takahashi 04/03/2014 15:00

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Marcos Vieira/EM/D.A Press
Flávia Maques, de 29 anos, aprendeu a incorporar a tapioca na sua rotina alimentar (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)
Não é preciso ir para as praias de águas quentes do litoral alagoano ou cearense para se beneficiar do consumo da tapioca. O alimento, popular em cidades do Norte e do Nordeste do país, ganha adeptos em Minas e ocupa cada vez mais espaço na mesa ainda dominada pelo pão de queijo. Feita de fécula de mandioca –, farinha semelhante ao amido de milho – a tapioca tem várias identidades. É conhecida como polvilho doce, goma de mandioca, goma seca e até como beiju. “Tapioca é um nome fantasia”, observa o nutrólogo Fabiano Robert. As diferentes nomenclaturas podem estar entre os motivos para as pessoas ainda terem dificuldade de encontrar o produto no mercado.

O aumento da procura, porém, chamou a atenção da indústria e algumas marcas já vêm ganhando destaque nas prateleiras. Mas qual seria o motivo para que o prato tipicamente nordestino desembarcasse por aqui? A médica nutróloga Norma Leite, representante da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) no estado do Sergipe, explica. “É uma boa fonte de carboidrato, que garante energia. Além disso, é um alimento natural, sem aditivos químicos ou conservantes. Não contém glúten e ainda é versátil, podendo ser consumido com vários tipos de recheio”, afirma. Fabiano lembra que o produto não tem adição de sódio, sendo ideal para hipertensos e renais crônicos, e o valor energético é muito baixo.

“Uma porção de 45 gramas contém cerca de 70 calorias, enquanto um pão francês com 50 gramas tem entre 140 e 150 calorias”, calcula. Não é por acaso que a tapioca vem sendo cotada para substituir o protagonista dos cafés da manhã, o pãozinho francês. “Além da alta quantidade de sódio, o pão traz gorduras, o que não ocorre com a goma da mandioca”, alerta o médico. Portanto, trata-se de um carboidrato muito mais saudável que os demais.

No quesito vitaminas o alimento deixa a desejar. “Não se destaca pela riqueza em vitaminas e sim pela presença de sais minerais. Em 100g de goma de tapioca encontramos aproximadamente 1,4 miligrama (mg) de ferro, 15mg de cálcio e outros em menor proporção, como magnésio, fósforo, potássio, zinco, manganês, cobre e selênio”, enumera a nutróloga Norma Leite. Para agregar valor nutricional ao produto, vale abrir mão de todo tipo de recheio. “Frutas, queijos e até ovos deixam a refeição mais equilibrada e completa, rica em todos os nutrientes”, acrescenta a especialista.

INTELIGÊNCIA
Como a tapioca aceita tudo, é preciso utilizar o produto com inteligência, alerta Norma. “Se for consumida só com manteiga, por exemplo, terá um índice glicêmico muito alto e não vai provocar a tão esperada saciedade”, reconhece a médica. Acrescentar proteína e vitaminas é fundamental para tirar o maior proveito possível do prato, que deve ser leve e com baixo teor de gordura.

Marcos Vieira/EM/D.A Press
A orientação para consumir o produto veio depois de constatar alterações nos exames de sangue (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)
“A carne seca, mais gordurosa, pode ser substituída pelo patinho moído, uma carne mais magra. O queijo coalho pode dar lugar ao minas frescal. Uma boa combinação também é a muçarela de búfala, tomate cereja e manjericão”, aconselha. Adicionar chia no preparo da massa vai garantir maior saciedade. Para os adeptos da versão doce, trocar o doce de leite por geleia de frutas sem açúcar é outra alternativa.

QUALIDADE
Entre os praticantes de atividades físicas, a tapioca tem encontrado público certo. “Não existe uma relação direta com a perda de peso, mas o fato de ter menos calorias que o pão e ser um carboidrato de melhor qualidade ajuda a torná-la mais saudável”, reconhece Fabiano. O alimento pode ser consumido tanto no pré-treino, em torno de 30 minutos antes do exercício, como depois. “Antes da atividade, pode ser acrescida de frutas, como banana polvilhada com farelo de aveia, oferecendo assim energia para um bom rendimento. Depois do treino, pode ser adicionada de proteínas magras, que ajudam na recuperação do exercício, estimulando o ganho de massa muscular”, orienta Norma.

A grande vantagem da goma de mandioca é que praticamente não há contraindicações. “A ressalva é em constipados crônicos. Nesse caso, ela deve ser utilizada juntamente com uma alimentação balanceada, rica em fibras. Já que ela não tem esse nutriente, pode tornar o trânsito intestinal lento”, alerta a nutróloga Norma Leite. Adicionar chia, mamão e aveia são boas opções para trazer o equilíbrio que o prato precisa. “Geleia de ameixa e a própria ameixa seca também criam um bom casamento. Vale lembrar que, para quem tem bons hábitos alimentares, a tapioca sozinha não vai provocar a constipação”, reconhece Norma.

Não vale sair trocando todas as refeições para se beneficiar dos baixos valores energéticos do alimento. “Pode ser incluído em substituição ao pão e ao arroz, mas não a uma refeição completa como o almoço, por exemplo”, orienta Fabiano Robert. No jantar, pode entrar no acompanhamento de uma boa salada. A redatora web Flávia Maques, de 29 anos, aprendeu a incorporar a tapioca na sua rotina alimentar. A orientação para consumir o produto veio depois de constatar alterações nos exames de sangue.

Thaís Britto / Divulgação
%u201CUma porção de 45 gramas contém cerca de 70 calorias, enquanto um pão francês com 50 gramas tem entre 140 e 150 calorias%u201D, calcula o nutrólogo Fabiano Robert (foto: Thaís Britto / Divulgação)
“Meu percentual de gordura estava muito alto, apesar de eu estar dentro do peso. Procurei uma nutricionista e descobri que o glúten não me faz muito bem, mas ainda não chega ao ponto de ser intolerável”, conta. Diante da necessidade de reduzir o consumo da substância, a tapioca surgiu como uma aliada. “Depois que comecei a reduzir o pão, percebi que fico mais leve e minha digestão é mais rápida. Os resultados foram imediatos”, garante.

A agilidade de preparo também contou pontos. “Em 10 minutos o lanche está pronto. Faço muito com queijo minas ou canastra light, apresuntado magro ou peito de peru light. Uso também a carne de soja, que imita a moída e fica bem temperadinha”, conta. A redatora também dá dica para quem não abre mão de um docinho. “Às vezes preparo uma só de frutas, mas uma que adoro é de salada de frutas com mel.”

FAÇA SUA MASSA
Ingredientes

» 1 copo de polvilho doce
» 1 pitada de sal
» Algumas colheres de água filtrada
» Opcionais: ervas desidratadas (orégano, manjericão)

Preparo
1 - Coloque o povilho em uma travessa juntamente com o sal e as ervas
2 - Misture os ingredientes e hidrate a massa com água. A adição de água deve ser feita aos poucos, até que a massa fique hidratada sem que perca a forma. Vale lembrar que se a quantidade do líquido for grande, a massa se espalha e não passa bem pela peneira. Se for pequena, a massa não fica bem hidratada e ficará quebradiça na frigideira. Misture até obter uma consistência firme
3 - Reserve por 12 horas em geladeira
4 - Seque a massa com a ajuda de um papel-absorvente, se for necessário
5 - Passe a massa pela peneira, formando flocos finos
6 - Leve a frigideira em fogo baixo, cubra todo o fundo com a massa
7- Vire depois de um minuto e acrescente o recheio de sua preferência
8- A massa pode ser armazenada por três dias na geladeira

Fonte: Fabiano Robert, nutrólogo

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