Fruta de origem asiática, Caqui é uma das saborosas estrelas da temporada de outono

Aprenda uma receita de tortinha crocante de caqui

por Patrícia Crespo 20/04/2014 09:22

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Leandro Couri/EM/D.A Press
(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
As chuvas de verão ainda não foram embora, mas o outono vem chegando de mansinho. Manhãs frescas, brilhantes e claras, fins de tarde cheios de cores e um anoitecer cortado por um delicioso ventinho nos convidam ao aconchego. As comidas mais quentinhas e reconfortantes voltam aos cardápios. A estação também traz de volta as deliciosas frutas do outono. Nos mercados, os tons dos abacates e das tangerinas disputam espaço com maçãs, carambolas e os tão esperados caquis. Estes, ao contrário dos outros, têm safra curta e determinada e por isso mesmo são tão apreciados e procurados nesta época.

O caqui tem origem asiática, mas foi na China e no Japão que fincou raízes e de lá se espalhou pelos quatro cantos do planeta. Chegou ao Brasil com a leva de imigrantes japoneses no fim do século 19, encontrando, no Sul e Sudeste do país, solo e clima favoráveis ao seu cultivo. No Japão, segundo estudiosos, estão catalogadas mais de 800 variedades da fruta, mas por aqui o tipo rama forte, o fuyu, o goimbo e o kyoto são os mais populares. Apesar de existirem variedades que “travam a boca”, o caqui quando maduro é suculento e doce. O tão procurado “caqui chocolate”, não é considerado um tipo exclusivo do gênero. Todo caqui pode ser ‘chocolate’ desde que tenha sementes. É a natureza quem decide. Uma única árvore pode gerar frutos com e sem sementes. A presença delas ajuda na liberação dos taninos, responsáveis pela característica adstringente da fruta.

Elegante e delicado, o fruto do caquizeiro tem polpa farta e gelatinosa. Queridinho dos nutricionistas, concentra boas quantidades de vitaminas A, B e C , sais minerais e fibras. Para comê-los o ano inteiro, os japoneses, com sua sabedoria milenar, fazem as tão famosas passas de caqui conhecidas como hoshigaki. O caqui seco com o calor e a luz do sol é a única forma de degustar a fruta na entressafra, além de conservar suas qualidades nutritivas sem que lhes sejam adicionados produtos químicos ou nocivos à saúde.

O caqui se adaptou tão bem lá pelos lados de São Paulo que na região de Itatiba, no Sudoeste daquele estado, ocorre no mês de abril a festa do caqui, onde os agricultores comemoram a colheita e divulgam a fruta. A cidade do Rio de Janeiro, e mais especificamente na Baixada Fluminense, também é conhecida pelos seus saborosos caquis. Na famosa Avenida Brasil, centenas de ambulantes anunciam a chegada da safra.

O termo caqui é uma derivação do nome em japonês kaki, e é como a fruta é conhecida por lá. Mas na Europa a fruta é conhecida como dióspiro, termo de origem grega que significa alimento de Zeus, personagem da mitologia.

Minha querida manicure, Nalva Paim, foi quem me inspirou para o tema desta matéria. Nalva morou muitos anos em Portugal e conta que por lá, os caquis, ou dióspiros, são muito procurados em meados de novembro, quando o verão já se foi e o outono anuncia sua chegada. Encontrei esta semana uma bandeja farta de caquis por menos de dois reais. Ótimos, bonitos e baratos. Depois de me lambuzar com alguns, me dei conta de que raramente utilizo a fruta em receitas. Fui então à caça delas e encontrei preparos superdiferentes, como o fagiolini com shiitake e geleia de caqui, o lombinho de porco perfumado com caquis, o creme de caquis ao vinho do Porto, pudim e mousse de caqui, suco energético, caipirinha de caqui com maracujá, tortas, geleias e tantas outras receitas que prometi a mim mesma guardá-las e executá-las a cada temporada. Para nossos leitores, preparei uma tortinha crocante de caquis, onde a fruta é utilizada ao natural para não perder todos os seus sabores e aromas. E que venham os caquis!

Leandro Couri/EM/D.A Press
(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Tortinha crocante de caqui

Ingredientes

4 caquis cortados em gomos; 100g de chantili; 1 folha de massa folhada; 180ml de vinho do Porto; 60g de açúcar refinado;suco de 1 limão; açúcar de confeiteiro e folhinhas de hortelã para decorar

Modo de fazer

Faça a calda colocando, numa panela pequena, o vinho e o açúcar. Leve ao fogo baixo, sem mexer, até reduzir pela metade. Reserve. Tempere os caquis cortados com limão. Corte a massa folhada em oito aros (base e cobertura) e leve ao forno seguindo as instruções de preparo do fabricante. Reserve. Monte as tortas com uma base de massa folhada assada, uma colher generosa de chantili, deite sobre ele os gomos da fruta. Acrescente um pouco da calda. Coloque por cima outro disco
de massa. Peneire açúcar de confeiteiro e decore com uma folhinha de hortelã.

*Patrícia Crespo é formada em jornalismo pela Puc-Minas e em gastronomia pela Estácio de Sá

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