Do Liebfraumilch ao mandiopã

por Eduardo Avelar 01/09/2013 20:41

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Olá amigo, vamos fazer mais um exercício de memória e reflexões gastronômicas? Você se lembra de quando começaram a chegar ao Brasil aqueles vinhos chiques alemães, que depois de um tempo se tornaram arroz de festa e foram substituídos por outros e mais outros. Hoje, somos não somente grandes apreciadores, entendedores, mas especialmente produtores. Hoje quando falamos de vinhos de qualidade de Três Corações, de plantio e produção de vinhos com uvas pinot noir de Diamantina, ainda tem muita gente que faz aquele olhar de Rodolfo Valentino, como dizia o mestre Kafunga, ou dão aquele murmúrio ruminante. Pois é, assim caminha a humanidade, cultura vem, cultura fica e são absorvidas.

Tenho falado muito sobre experiências inesquecíveis na França, Itália, Espanha, Portugal, em viagens de trabalho ou mesmo de lazer, quando meu espírito aventureiro me leva para as estradas em busca de novidades gastronômicas. E não são raras as grandes e agradáveis surpresas que encontro nos mais desconhecidos destinos. Não me esqueço dos aromas, dos sabores e da alegria em visitar criações de cabras e produção de queijos, produção e degustação de escargots na Borgonha, uma riquíssima região da França e famosa por seus vinhos especiais, grandes restaurantes estrelados. Outras visitas, como às pequenas vinícolas no Alentejo, em Portugal, os cordeiros Lechazos em Burgos na Espanha, a produção de Calvados em pequenas fazendas da Normandia, que também escondem produtores de queijos especiais.

Em locais remotos, cujos acessos são difíceis, com estreitas estradas cortando plantações de uvas, encontramos das coisas mais simples e rudimentares a restaurantes estrelados. Na Itália, nos arredores de Florença, por exemplo, descobrimos a Macelleria Cecchini, um açougue que funciona como restaurante em Panzano in Chianti, onde vive e trabalha o único chef de cozinha não francês que assina o Cardápio do Oriente Express. O gênio açougueiro e cozinheiro preserva o burro toscano-manteiga de banha, o pão medieval e a famosa bisteca fiorentina e ainda recita Dante Alighieri para seus visitantes vindos de todo o mundo. Poderia ficar aqui falando de cultura, de histórias de sabores de outras épocas, mas o que importa é como estamos caminhando hoje. Mesmo sendo um estado mediterrâneo e que começou sua história com quase dois séculos de atraso em relação ao Brasil, hoje Minas representa a síntese da cultura dos diversos terroirs brasileiros, além de sempre estar na vanguarda das artes, arquitetura, música, dança, cinema, literatura, política e hoje, mais do que nunca, da gastronomia. Só está faltando o nosso povo descobrir que nem sempre se faz turismo somente com grandes hotéis e restaurantes, e passar a garimpar as pequenas joias que temos escondidas em nosso mar de montanhas.

Tudo é uma questão de ponto de vista, como um dia definiu o arquiteto Sergio Bernardes com as mãos em meus ombros, num fim de tarde, nas varandas da sede do Morro do Chapéu, em Nova lima: “depois dizem que Minas não tem mar, eis o mar de Minas com suas ondas petrificadas, umas por virem atrás das outras...” Atrações gastronômicas artesanais pelo interior só estão esperando ser conhecidas e valorizadas especialmente por nós mineiros, para que possam gradativamente aprender, se adequar e se credenciar para receber turistas aventureiros de todo o mundo, como eu e alguns milhares de mineiros e brasileiros que curtimos essas experiências em outras paragens.

Vamos transformar definitivamente Minas Gerais na cozinha do Brasil. Saudações gastronômicas.

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