Seis séculos de sabores do Alentejo e a mais autêntica experiência culinária portuguesa

Luis Mourão é um dos chefs mais reconhecidos de Portugal, com mais de 20 anos de experiência

por Marianna Rios 03/02/2013 17:09

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Arquivo Pessoal
(foto: Arquivo Pessoal )
Depois de exemplar obra de recuperação arquitetônica, o Convento do Espinheiro, situado na região do Alentejo, em Portugal, se transformou num prestigiado hotel, a Luxury Collection Hotel & Spa, um dos mais luxuosos do país. Um lugar marcante, que guarda memórias de seis séculos de história. Exatamente nesse lugar, acaba de ser organizada uma viagem ao passado repleta de sabores e tradição portuguesa. Após a colheita de frutas silvestres naquelas terras seculares, o chef do hotel, Luís Mourão, ensinou aos hóspedes o preparo especial de deliciosas compotas, tal como faziam os mais antigos ancestrais portugueses, que aproveitavam para degustar essas delícias durante os meses frios de inverno. No final, cada participante pôde levar, além dos vidros de compota, um conjunto de receitas e saberes para transmitir para amigos e familiares.


A iguaria há vários séculos está presente na alimentação do povo alentejano, por uma grande contribuição das freiras. Por volta do século 15, os conventos recebiam grandes doações de açúcar, e nas épocas de grande abundância, normalmente nos meses quentes, eram colhidas grandes quantidades de deliciosos frutos que eram preservados para o meses de inverno, quando havia a escassez. “Existe um senso comum de que a receita é quase sempre uma calda de água, açúcar e frutas espremidas, mas na verdade depende muito da criatividade de cada doceira. Há até quem coloque um pouco de aguardente e todas juram ter um ingrediente secreto, o que atribui um certo misticismo à receita”, explica Luís Mourão, chef do Convento do Espinheiro.


Ele é um dos chefs mais reconhecidos de Portugal, com mais de 20 anos de experiência e com participações em importantes festivais de gastronomia portuguesa. Comandou cursos e cozinhas em diversos empreendimentos, já tendo ganho a medalha de bronze nas Olimpíadas Culinárias de Erfurt, na Alemanha. Desde dezembro de 2009, é o chef executivo de cozinha no Convento do Espinheiro, a Luxury Collection Hotel & Spa, Évora.

Cozinha fradesca A dois quilômetros da cidade alentejana de Évora, declarada Patrimônio histórico da humanidade pela Unesco em 1986, o luxuoso mosteiro de Nossa Senhora do Espinheiro é um misto de requinte e história em meio a uma paisagem medieval. De todas as memórias do lugar uma a que ninguém fica indiferente é o romance entre Afonso, filho do rei d. João II, e a herdeira da coroa portuguesa, Isabel, primogênita dos reis católicos, em 1490. O casamento revelava um auspicioso combinado político que consumaria a união ibérica sob a autoridade da dinastia portuguesa de Avis. Mas os jovens noivos resolveram antecipar a lua de mel numa câmara do convento sob a complascência angustiada dos frades. Na mesma noite, um dos merlões (parte da estrutura) que coroavam a igreja ruiu.


Para os religiosos, que haviam notado o desrespeito por parte dos príncipes a uma casa de Deus foi como um sinal divino e muitos leram nele um prenúncio de desgraça que se abateria sobre o futuro casal. Como uma força premonitória que obrigasse à remissão de um tamanho pecado, o príncipe acabaria por morrer poucos meses depois, vítima de uma queda acidental de cavalo nos campos de Santarém. Esse fato mudará a história e os protagonistas na regência portuguesa. Fato é que, ao longo dos séculos, o Espinheiro foi saqueado e a igreja espoliada de boa parte dos seus tesouros de arte sacra, mas a memória gustativa da cozinha fradesca permaneceu intocada. A receita de compota do chef Luís Mourão é prova disso.

 

 

Arquivo Pessoal
(foto: Arquivo Pessoal )
Compota de abóbora

Ingredientes


1/2kg de mogango (tipo de abóbora); 800g de açúcar; 2 paus de canela; 1 anis estrelado; 200ml de água.

Modo de fazer


Corte o mogango em vários pedaços regulares, reserve. Coloque o açúcar em uma panela com 200ml de água, junte a canela e o anis estrelado, deixe ferver. Junte o mogango, e deixe cozinhar, sempre mexendo, até ficar com a textura de um purê. Se preferir pode triturar, mas a maneira tradicional é deixar cozinhar até chegar ao ponto de purê. Depois guarde em um frasco esterilizado e bem fechado.

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