Cercadas de lendas e mistérios, as romãs são imprescindíveis nas ceias de fim de ano

por Estado de Minas 30/12/2012 09:24

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Leandro Couri/EM/D.A. Press
(foto: Leandro Couri/EM/D.A. Press )

A palavra réveillon é uma derivação do verbo francês réveiller, que significa revelar, despertar, acordar. Já nos dicionários da língua portuguesa o vocábulo réveillon nomeia uma festa com baile e ceia na véspera do ano-novo. Celebrar a virada do ano com danças e comidinhas já revelam as melhores intenções para o fechamento de um ciclo e o despertar de outro. No entanto, os rituais e superstições envolvendo os alimentos são referências para esse momento de transição e renovação. Desde a mais remota Antiguidade certos alimentos carregam significados de bons agouros. São costumes mitológicos, perpetuados pelas tradições de diversas religiões e que povoam o imaginário popular até os dias atuais. Nas ceias de 31 de dezembro os grãos, como lentilhas, arroz e trigo, remetem à abundância e à fertilidade. Os peixes fazem alusão à partilha e purificação. A carne de porco simboliza resistência e força.

As frutas secas e castanhas sempre estiveram associadas à uma mesa farta, pois são alimentos que podem ser armazenados e estocados como provisão para uma possível escassez. A folha de louro traz sucesso e vitória. Já as romãs e as uvas reforçam a idéia de multiplicidade e fartura. Para os judeus, comer romãs no ano-novo judaico é questão de virtude. O peso religioso da romã também aparece no catolicismo.

Em 5 de janeiro, dia de reis, é costume comer algumas sementinhas e guardá-las na carteira para ter sorte e riqueza ao longo do ano. Essa tradição remete às cerimônias e cultos da antiga civilização romana que tinha a fruta como símbolo de ordem, riqueza e fecundidade. As lendas que inspiram os rituais gastronômicos nos festejos do ano-novo não contam, obviamente, com nenhuma comprovação científica. De qualquer modo, é difícil achar alguém que nunca tenha se rendido a uma “simpatia”, ainda que somente para se divertir.

Entretanto, muito mais que sorte, fartura e prosperidade, os pratos da ceia devem agradar e satisfazer o paladar, pois feliz é aquele que começa o ano podendo comer do bom e do melhor. Nativa da Pérsia e cultivada no Irã desde 2000 a.C., vários estudos arqueológicos garantem ter encontrado resquícios da fruta em milenares túmulos egípcios. A romã foi levada pelos fenícios para o Mediterrâneo, de onde se difundiu para as Américas e acabou aportando no Brasil, onde encontrou condições favoráveis para um crescimento, florescimento, frutificação e produção de frutos de primeira qualidade. Rica em compostos antioxidantes, ácidos fenólicos e flavonoides, essa flor em forma de fruta faz um bem danado para a saúde do corpo e da mente. Graças à presença do composto antocianina – também presente no vinho – seu consumo promete longevidade. Sortudo então é quem a come habitualmente.

As romãs fazem parte do dia a dia da culinária árabe. Nos empórios que comercializam produtos orientais é bem disponível um suco concentrado da fruta que serve de base para molhos e caldas doces e salgadas. Espanha e Turquia são os maiores produtores. No sul da Espanha existe uma linda cidade que leva o nome da fruta em espanhol: Granada. Dessa região saem também os mais belos exemplares da planta. Degustá-la ao natural, pacientemente chupando e separando um por um dos grãozinhos envolvidos num saboroso suco agridoce é certeza de momentos de calma e tranquilidade. Todavia o líquido espesso de coloração forte e brilhante retirado mediante a separação das sementes é ingrediente para receitas de sabor incomparável. Para brindar 2013 com muito sabor e saúde preparamos uma verrine de mascarpone com calda de romãs. Uma sobremesa fácil e rápida para uma finalizar qualquer tipo de ceia. Confira e teste a receita abaixo.

Verrine de mascarpone com calda de romãs

Ingredientes para 4 pessoas

100g de açúcar refinado, 200g mascarpone, 200ml de creme de leite fresco; 4 biscoitos tipo champanhe esmigalhados; folhinhas de hortelã para decoraçãoPara calda de romãs:2 romãs grandes; 100ml de água; 100g de açúcar refinado

Modo de preparo

Calda: Retire as grãos da casca das romãs e leve-os para ferver com a
água e o açúcar. Deixe apurar por aproximadamente 10 minutos.
Reserve. Bata o creme de leite
fresco com o açúcar até obter o ponto de chantilly, acrescente o mascarpone.
Montagem: Distribua camadas do creme,
da calda e do farelo dos biscoitos,
alternadamente, em bonitas taças.
Finalize com raminhos de hortelã. Leve ao
refrigerador até o momento de servir.

*Texto: Patrícia Crespo, formada em jornalismo pela Puc-Minas e em gastronomia pela Estácio de Sá

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