Procura por vinhos de qualidade mais em conta obriga restaurantes a oferecer alternativas

Entre elas estão a venda pelo preço de loja e as degustações. Levar a própria garrafa de casa também vale

por Eduardo Tristão Girão 14/10/2011 07:00

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Pedro Motta/Esp. EM/D.A Press
(foto: Pedro Motta/Esp. EM/D.A Press)
Não bastasse o fato de os restaurantes cobrarem muitas vezes quantias assustadoras pelos pratos individuais (R$ 70 já é “normal”), a política de preço deles para o vinho tem contribuído decisivamente para tornar o programa “sair para comer” algo proibitivo. No caso de uma garrafa comum (750ml), cobra-se pelo mesmo rótulo o dobro do preço visto em supermercados e importadoras, em média. Geralmente, quanto mais caro, menor é a margem de lucro, mas aí a conta do casal já passou dos R$ 200 e é tarde demais. No entanto, ainda há lugares que não deixam o freguês com a sensação de ter sido “assaltado”.

Um dos exemplos mais emblemáticos disso é o do restaurante Amadeus, que desde 2009 vende a seus fregueses vinhos a preço de prateleira. Nem mais, nem menos. “Não tenho exclusividade com nenhuma importadora e tenho boa condição de compra. Costumam dizer que a casa é o melhor cliente das importadoras”, explica o administrador, Luís Eugênio Torres. Por causa dos preços mais baixos da concorrência, não raro chegam a vender cerca de 100 garrafas numa única noite. Detalhe: são 150 lugares.

A adega da casa fica num espaço subterrâneo climatizado de 45 metros quadrados e abriga aproximadamente 2,5 mil rótulos. Como não há carta de vinhos, é nesse ambiente que o freguês escolhe o vinho que vai tomar, com etiquetas de preço em todas as garrafas e o auxílio de um dos sommeliers da casa. “As pessoas ficam muito à vontade”, relata ele. O vinho mais barato sai por R$ 25 e há cerca de 200 por até R$ 35. Parece improvável num cenário como o atual, em que os preços geralmente começam em R$ 60.

Apesar disso, são os rótulos argentinos e chilenos na casa dos R$ 100 os mais vendidos. “As pessoas têm saído de casa dispostas a pagar pelo menos R$ 60 pelo vinho, então fomos melhorando a qualidade do que temos aos poucos. As pessoas estão aprimorando o gosto e estão vendo que vale a pena. Gostam de coisa boa, mas só tomam esse tipo de vinho em casa. Muita gente desanima de beber vinho fora de casa porque sabe que o de R$ 120 custa R$ 70 na importadora”, afirma ele.

Pedro Motta/Esp.EM/D.A Press
A adega do restaurante Amadeus tem 2,5 mil rótulos com preços na etiqueta: o cliente vai até o local e faz sua escolha (foto: Pedro Motta/Esp.EM/D.A Press)


Para ajudar a manter a conta sob controle, a casa trabalha com cartelas de consumo individuais, 200 rótulos de vinho em meia garrafa, bufê de antepastos a R$ 59 (quilo) e pratos individuais a partir de R$ 30 (somente à noite).

Voo
Outro local que mantém política de preço amigável na venda do vinho é o Outono 81, bar que funciona dentro da importadora Zahil. Os flights (degustação de sequência de vinhos em taça) são uma das marcas da casa e têm preço a partir de R$ 17 (incluindo três rótulos), disponíveis de terça a sábado, a partir das 19h. O flight temático desta quinzena tem foco na região italiana de Abruzzo, incluindo quatro rótulos por R$ 26. Pagando R$ 62, cada pessoa degusta esses quatro últimos vinhos acompanhados por entrada, prato e sobremesa.

“Os flights são subsidiados, ou seja, o que cobramos por eles não cobre os custos do evento. Mas acredito que assim ajudo a criar cultura de vinho na cidade e tenho chance de conquistar clientes”, explica Dulce Ribeiro, proprietária do bar-loja. Além disso, recentemente ela passou a permitir que a freguesia bebesse no local os vinhos que adquirisse na loja, sem pagar a mais por isso (somente à noite). O catálogo do local conta com cerca de 300 rótulos e preços a partir de R$ 26 – as opções até a casa dos R$ 40 são várias.

Rolha
Talvez o pioneiro nesse tipo de iniciativa na cidade, o chef Gabriel Carvalho, proprietário do restaurante Sapore d’Italia, há seis anos parou de cobrar a taxa conhecida como “rolha” para cada garrafa trazida de casa pelo freguês. No lugar disso, passou a cobrar R$ 3 pelo uso de cada taça de vinho na mesa, independentemente da quantidade de garrafas trazida. Pode parecer estranho, mas basta fazer a conta para constatar a enorme economia que isso proporciona. Vale lembrar que a rolha costuma custa em torno de R$ 50.

Pedro Motta/Esp.EM/D.A Press
Outono 81, que funciona dentro de uma importadora, promove degustação de sequência de vinhos em taça (foto: Pedro Motta/Esp.EM/D.A Press)


“As pessoas chegam aqui em estado de glória, com uma garrafa em cada mão. Comentam comigo o que compraram e até mandam me chamar para vir provar. É uma festa”, conta o chef. A iniciativa deu tão certo que a carta de vinhos local conta com não mais que 20 rótulos. Em tempo: começa hoje o festival de bacalhau a casa, com menu individual de cinco etapas, sendo quatro pratos com o peixe e uma sobremesa (R$ 55 de terça a quinta e R$ 68 de sexta a domingo; bebidas e serviço à parte). Entre os destaques, bacalhau na brasa com musseline de batata trufada.

ONDE IR

Amadeus
Rua Alagoas, 699, Savassi.
(31) 3261-4292. Aberto de segunda a sexta, das 11h30 às 15h e das 18h ao último cliente; sábado e domingo, das 12h ao último cliente.

Benvindo
Não cobra rolha às terças e quartas. Às quartas há rodada dupla de garrafa de espumante para mulheres. Rua São Paulo, 2.397, Lourdes. (31) 2515-8883. Aberto de terça a sexta, das 12h às 15h e das 19h à 1h; sábado, das 12h às 17h e das 19h à 1h; domingo, das 12h às 17h.

D’Anjou
Não cobra rolha, apenas R$ 5 por taça, independentemente da quantidade de vinhos. Rua do Ouro, 1.381, Serra. (31) 2535-3231. Aberto terça das 11h30 às 15h; quarta a sábado, das 11h30 às 15h e das 19h à 0h; e domingo, das 12h às 16h.

Enoteca Decanter
Promove almoços harmonizados com vinho por R$ 89 (individual) aos sábados, incluindo duas entradas, um prato principal, uma sobremesa e uma taça de vinho para cada etapa. Rua Fernandes Tourinho, 503, Funcionários. (31) 3287-3618. Aberto de segunda a quinta, das 9h às 22h30; sexta e sábado, das 9h às 23h.

Pedro David/Esp.EM/D.A Press
Gabriel Carvalho, do Sapore d'Italia, não cobra ''rolha'': ''Sou convidado para provar o vinho que os fregueses trazem'' (foto: Pedro David/Esp.EM/D.A Press)


Hermengarda
Não cobra rolha de terça a quinta. Rua Outono, 314, Cruzeiro. (31) 3225-3268. Aberto terça e quarta, das 19h a 0h30; quinta a sábado, das 19h à 1h; domingo, das 12h às 17h.

Outono 81
Rua Outono, 81, Carmo. (31) 3227-3009. Aberto de terça a sábado, das 19h à meia-noite. A loja funciona nos mesmos dias, a partir das 9h.

Sapore d’Italia
Rua Mestre Luiz, 64, São Pedro. (31) 3227-4585. Aberto de terça a sábado, das 19h30 à meia-noite; domingo, das 12h30 às 17h.

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