Entrevista com Paula Hermany, estilista e proprietária da grife Vix

Durante intercâmbio brasileira começou a criar e a comercializar modelos que se tornaram hit

por Laura Valente 17/01/2017 08:00

Gustavo Ipolito/Divulgação
"Procurava criar modelos a partir de critérios de empatia e exclusão, ou seja, implementar nos modelos o design, as estampas e os acessórios dos quais eu sentia falta na hora de comprar" - Paula Hermanny (foto: Gustavo Ipolito/Divulgação)

Neste 2017, a grife de moda praia Vix completa 12 anos de sucesso no varejo. Fundada por Paula Hermanny, na época estudante capixaba que começou a criar modelos durante intercâmbio nos EUA, as peças de design criativo e handmade, modelagens bem trabalhadas, estampas exclusivas e acessórios em pedras, couro, juta e cordas, aliadas aos clássicos metais dourados, logo estouraram no jet set internacional. Aliás, celebridades como Gisele Bündchen, Sienna Miller, Kate Moss e Jennifer Aniston foram as primeiras a usar e a espalhar a notícia de que havia uma nova grife de moda praia causando sensação nos destinos litorâneos mais badalados do planeta. Mais recentemente, as princesas inglesas Kate e Pippa Middleton, entre outras influencers. Tanto que a marca, que pode ser encontrada em boutiques descoladas e lojas de departamento dos Estados Unidos tais como Saks, Neiman Marcus, Nordstrom e Bloomingdale’s, já soma mais de 1,2 mil pontos de venda no mundo. Agora, Paula pretende ampliar a atuação no Brasil, e acaba de inaugurar lojas em várias cidades litorâneas e capitais, incluindo Belo Horizonte (no Pátio Savassi). A seguir, ela faz um balanço da carreira, revela detalhes da identidade da marca e os planos para o ano novo.

 

Quem é a Paula? Onde nasceu, qual era o contexto familiar (profissões de pai, mãe, quantos irmãos)?
Nasci em Vitória, filha mais velha de uma família de três. Pai administrador de empresas e mãe auditora geral do estado.

Qual foi a realidade de sua infância, Paula? Que lugar o litoral teve nesse período de sua vida?
Minha infância foi no litoral do Espírito Santo, com muita praia, body board e esportes de uma maneira geral. Nas férias, íamos para a região serrana no Rio de Janeiro, mas a praia sempre foi um lugar de destaque em minha infância e adolescência.

Considerava-se uma “rata de praia”? Que praias brasileiras mais frequentou?
Sim, e até hoje tenho uma relação muito forte com o mar. Quando estou no Rio de Janeiro sempre começo o dia com um mergulho, e também frequento muito as praias do Espírito Santo e de Búzios.

Alguém da família trabalhou ou trabalha com moda?
Minhas avós eram pessoas muito habilidosas com as artes manuais e também com a construção de roupas – modelagem, acabamento impecável, e também faziam pintura e escultura.

Sei que a ideia da Vix surgiu quando você fazia intercâmbio no exterior. Como começou?
A Vix foi criada a partir da minha vontade e vocação para trabalhar com moda. A oportunidade surgiu quando fui morar nos EUA e se revelou à medida em que minhas roommates americanas mostravam interesse em comprar as roupas e, principalmente, os biquínis que eu usava. Dali pintaram as primeiras encomendas indoor, fui fabricando, aumentando a produção, e, dali, vieram as primeiras ordens outdoor. Porém, da fabricação do primeiro pedido até chegar à estrutura de hoje, percorri um longo caminho de trabalho, dedicação e vontade.

Como se capacitou para criar moda?

(Fez cursos de design de moda? Como desenhou e desenvolveu as primeiras peças?)
Minha formação é em economia e business. Nunca fiz nenhum curso técnico na área de moda, com a qual minha relação sempre foi visual e intuitiva. Procurava criar modelos a partir de critérios de empatia e exclusão, ou seja, implementar nos modelos o design, as estampas e os acessórios dos quais eu sentia falta na hora de comprar uma peça e não repetir os erros que via em modelos disponíveis no mercado. Resumindo, passei a desenvolver produtos que eu gostaria de usar.

Como caracteriza o DNA da Vix?
A Vix Paula Hermanny é uma marca de resort wear, pensada para mulheres modernas, que buscam conforto, charme e praticidade, mas sem perder a elegância ao se vestir. Foco em uma modelagem impecável, estampas exclusivas e detalhes especiais, como a introdução de cordas, metais, resina e pedras. Essas são as marcas registradas da grife, que transmitem a sua personalidade por meio de peças ao mesmo tempo despojadas e sofisticadas, indicadas para uso desde a praia até o pós-praia.

Qual é o preço médio de uma peça da marca?
O biquíni fica na casa dos
R$ 450, e os modelos de vestuário em R$ 650.

A grife conquistou um público seleto e exigente no exterior e no Brasil. A que credita este sucesso?
Acredito que o cuidado minucioso com elementos como design, conforto e qualidade são as características que fizeram a diferença para o sucesso da Vix.

Quem foi a primeira celebridade a usar uma peça da grife?
Gisele Bündchen. Ela saiu na capa do catálogo da Victoria’s Secret e na Sports Illustrato – considerada a grande referência de moda praia na época.

E o impacto que este fato causou?
Foi determinante para a visibilidade da marca.

O Brasil é referência internacional em moda praia, quando você começou já havia grifes de sucesso no mercado. Nesse contexto, como se posicionou?
A marca começou lá fora e toda a construção dela foi feita adaptada para o mercado internacional. Por isso, as modelagens eram bem diferentes das peças brasileiras, que respeitavam a demanda do mercado local e respectivas exigências. Então, na época em que fundei a Vix, havia muitas marcas brasileiras, mas que produziam principalmente para o varejo local. Outro diferencial é que a marca passou a fazer varejo 12 anos depois de já existir no atacado. Logo, foi muito bem construída lá fora para atender a exigências como pontualidade nas entregas, design, conforto e qualidade. Além dessa dinâmica, outro grande diferencial veio da escolha de matérias-primas, ferragens, pedras, materias rústicos, bordados e outros.

A consumidora brasileira se difere da estrangeira?
Sim, a começar pelo tamanho do biquíni. Lá fora, a cobertura do bumbum é muito maior em comparação ao Brasil. Também há uma curiosidade: o mercado americano e internacional como um todo não abre mão de saídas de praia que combinem com as estampas do biquíni, diferente do que ocorre aqui, já que as consumidoras brasileiras misturam peças lisas com estampadas numa boa.

Há coleções ou linhas segmentadas para agradar a perfis de público diferentes?
Temos duas linhas diferentes: a tradicional e a Sofia, esta última criada quando fiquei grávida de minha primeira filha. Ela traz DNA de dupla cidadania, mesclando lifestyle da moda praia brasileira e californiana, modelagens diferentes e estampas únicas, para um público mais jovem, adolescente.

Atualmente, a Vix conta com quantos pontos de venda no Brasil e no exterior?
No total, são 1,2 mil pontos de venda multimarcas pelo mundo, e 10 lojas próprias no Brasil, sendo a mais recente a de BH, além de Vitória, Niterói, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Búzios. Em breve, inauguraremos uma em Miami,
Qual é o papel do comércio online no faturamento da grife?
O e-commerce representa em torno de 20% do faturamento total da marca.

Você está no varejo há 12 anos, começou pouco antes do início da crise econômica, em 2008. Como sobreviveu a ela em constante crescimento?
Estamos em processo de expansão. A Vix está crescendo muito e se tornando ainda mais conhecida no Brasil, principalmente por ela ainda ser nova por aqui. Acredito que o sucesso vem de um trabalho sério, determinado, maduro e de qualidade.

Agora, você acabou de investir na abertura de loja em Salvador e em BH. Trata-se de uma aposta mais forte no mercado interno?
Sim, estamos privilegiando praças em que a Vix já era bem posicionada na venda por atacado.

Você acredita que a aposta de grifes no varejo próprio (e não apenas em vendas por atacado para multimarcas) é uma tendência nacional e mundial do mercado de moda? Por favor, justifique.
Sim, é um caminho natural de uma marca que pretende transmitir todo o seu lifestyle.

A abertura da loja em BH encerra a distribuição para multimarcas da cidade?
Não necessariamente. Como é uma loja própria, não encerramos a distribuição em multimarcas locais.
Quem é a mulher Vix?
As peças são feitas para uma mulher moderna e sofisticada que quer transmitir sua personalidade por meio do que está usando.

Para onde caminha o comportamento de consumo em torno da moda praia?
Essa é uma pergunta que eu e minha equipe nos fazemos a cada coleção. Mas sentimos que, cada vez mais, a moda de forma geral está chegando à areia e indo da areia para as ruas. Ou seja, a peça boa é aquela que transita com desenvoltura tanto no beira- mar quanto no pós-praia.

Quais são os planos da grife para 2017?
Manter o que foi conquistado e aguardar a melhora da economia brasileira como um todo.

E você? Quem é a Paula Hermanny atual? Casada, mãe?
Mãe de dois filhos adolescentes. Alguém que busca melhorar como pessoa e como profissional. Acho que o corpo, a mente e o espírito são um só organismo e devem estar em equilíbrio para o bem estar pessoal e o do planeta.

Como se veste?
Gosto de roupas fáceis, confortáveis, leves e despojadas. Chiques, mas ao mesmo tempo despretensiosas.

Na sua opinião, o que é luxo?
Luxo é poder viver de uma forma saudável, fazer o que ama e se sustentar disso.

 

 

 

 

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