A 25 km do centro da capital catarinense, essa faixa de areia de águas calmas e claras guarda aos pés um dos primeiros bens tombados pelo patrimônio do Brasil. A Praia do Forte, em Florianópolis, é o tipo de canto que poucos turistas alcançam, mesmo na alta temporada.
A praia que esconde uma fortaleza colonial entre Jurerê e Daniela
O acesso responde por boa parte do sossego. A praia fica no extremo norte da Ilha de Santa Catarina, entre as conhecidas Jurerê Internacional e Daniela, e só pode ser alcançada por uma estrada estreita e sinuosa que sai de Jurerê.
O nome oficial é Praia da Ponta Grossa, mas o apelido pegou por causa da fortificação que se ergue no morro acima dela. A faixa de areia tem cerca de 400 metros de extensão e largura que varia entre 2 e 45 metros, com mar virado para oeste, em direção à Baía Norte. Esse posicionamento incomum faz da praia uma das poucas da região com águas quase sem ondas, mornas e claras o ano inteiro.

A história que poucos conhecem ao subir o morro
A construção da Fortaleza de São José da Ponta Grossa começou em 1740, idealizada pelo Brigadeiro José da Silva Paes, primeiro governador da Capitania de Santa Catarina. Junto com as fortalezas de Santa Cruz de Anhatomirim e Santo Antônio de Ratones, ela compõe o triângulo defensivo que deveria proteger a Ilha de Santa Catarina contra invasões estrangeiras.
Em 1777, a coroa espanhola promoveu um grande ataque a Florianópolis. Sob ordens, o capitão Simão Rodrigues de Proença se retirou do forte no terceiro dia do cerco, sem combate, com apenas dois disparos efetuados. Os espanhóis mantiveram o domínio da ilha até o ano seguinte, quando o Tratado de Santo Ildefonso devolveu o território aos portugueses.

Um dos primeiros bens tombados do país
Já em ruínas, a fortaleza foi tombada em 1938 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), sendo um dos primeiros bens tombados do Brasil. As primeiras intervenções vieram em 1976 e a restauração concluída em 1992 abriu o monumento à visitação pública.
Em novembro de 2022, o Iphan entregou a fortaleza novamente restaurada, com investimento de quase R$ 7 milhões fruto da parceria com o Ministério da Justiça. A obra incluiu paisagismo, expografia, sinalização, rampas externas e elevador para garantir acessibilidade universal a um monumento construído originalmente para impedir o acesso de inimigos.
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O que ver na praia e na fortaleza?
O roteiro funciona como passeio de dia inteiro, alternando areia, gastronomia e história. Veja o que vale a pena conhecer no entorno:
- Casa do Comandante: edifício de dois pavimentos que abrigava o paiol de pólvora e hoje guarda exposição com artefatos arqueológicos.
- Capela de São José: única construção do sistema defensivo da ilha que mantém sua função religiosa original.
- Quartel da Tropa: hoje recebe núcleo das rendeiras de Florianópolis, que produzem renda de bilro no local.
- Bateria de São Caetano: pequeno forte erguido em 1765 a 200 metros da fortaleza principal, junto à Praia de Jurerê.
- Mirante das muralhas: vista panorâmica da Baía Norte, da Ilha de Anhatomirim e dos morros de Governador Celso Ramos.
- Bacias de água cristalina: pequenas piscinas que se formam entre as rochas no canto esquerdo da praia durante a maré baixa.
Quem deseja tranquilidade e história em Florianópolis, vai curtir este vídeo do canal 2 Nomades pelo mundo, que conta com mais de 8,5 mil visualizações, onde Marcos e Vitória mostram a estrutura e as belezas da Praia do Forte em Santa Catarina:
Quando ir e o que fazer em cada estação?
O verão é a alta temporada, com mar mais convidativo e visitação intensa. Mas cada estação tem seu apelo na Baía Norte:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à praia mais discreta do norte da ilha
A rota mais usada parte do centro da capital pela SC-401, em trajeto de cerca de 25 km e 40 minutos de carro. No km 13, no trevo de Jurerê, o caminho cruza Jurerê Internacional até desembocar em uma estrada estreita que desce até a praia. O estacionamento é limitado, e a recomendação é chegar cedo na alta temporada.
Quem prefere transporte público pode pegar a linha 210 (TISAN) no Terminal de Integração do Centro (TICEN) e fazer baldeação para a linha 220 (TILAG) em Santo Antônio de Lisboa. Há ainda a opção marítima, com desembarque no trapiche de Jurerê, a 3 km da fortaleza.
Conheça o canto mais histórico da Ilha da Magia
A praia oferece o que poucos lugares do litoral brasileiro entregam de uma vez: areia clara, mar morno em baía e uma fortaleza de quase 300 anos no morro acima. É o tipo de roteiro que cabe um dia inteiro e ainda fica devendo.
Você precisa conhecer a Praia do Forte e sentir o ritmo de um canto da capital catarinense onde a história ainda fala mais alto que o agito do verão.






