A 170 km de Goiânia, no sul do Cerrado, Caldas Novas guarda o maior manancial hidrotermal do planeta. A água sobe do subsolo já quente, com temperatura entre 34°C e 57°C, e o fenômeno transformou a cidade goiana no maior complexo termal do mundo, com fluxo anual estimado em mais de 2 milhões de visitantes.
Por que essa cidade ferve no meio do Cerrado sem ter vulcão por perto?
O calor não vem de magma, vem do tempo. As águas termais de Caldas Novas têm origem em chuvas que caíram há até mil anos sobre a Serra de Caldas. Segundo o Ministério do Turismo, a água da chuva penetra em fissuras das rochas sedimentares e desce cerca de mil metros, onde é aquecida pelo gradiente geotérmico natural da Terra a aproximadamente 60°C.
Depois, ganha pressão e volta à superfície por outras fendas, misturando-se a infiltrações do lençol freático. O processo dura cerca de mil anos. A descoberta histórica do fenômeno é atribuída ao bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva Filho, em 1722, durante a busca por ouro no sertão goiano. Décadas depois, em fevereiro de 1777, o paulista Martinho Coelho de Siqueira redescobriu as fontes da Lagoa de Pirapitinga ao caçar com seus cães na região.

O parque que protege o segredo das águas quentes
Tudo isso só funciona porque a serra está preservada. O Parque Estadual da Serra de Caldas Novas (PESCaN) ocupa 12.315 hectares de Cerrado entre Caldas Novas e Rio Quente, segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (SEMAD). Foi criado pela Lei nº 7.282, de 25 de setembro de 1970, e é a unidade de conservação mais antiga do estado.
A serra que dá nome ao parque chamou tanta atenção que ganhou destaque internacional. Em maio de 2025, a Nasa publicou no Instagram uma imagem aérea do platô feita pelo satélite Landsat 9, com a legenda “What’s that?”, segundo registro da SEMAD. A serra protege a área de recarga dos aquíferos hidrotermais que abastecem toda a região.

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O que fazer e onde comer na capital das águas quentes?
O roteiro vai dos mega resorts ao Cerrado preservado, com banhos quentes durante o dia e noites de gastronomia goiana. Os principais pontos ficam a poucos minutos do centro.
- Lagoa Quente de Pirapitinga: nascente histórica onde a água termal aflora naturalmente, com o famoso poço quente o suficiente para cozinhar um ovo em poucos minutos.
- PESCaN: trilhas de baixa e média dificuldade levam à Cachoeira da Cascatinha e à Cachoeira do Paredão, com mirante a 1.043 m de altitude. Entrada gratuita, das 6h às 18h.
- diRoma Acqua Park: um dos maiores parques aquáticos da cidade, com toboáguas, piscinas termais e área kids.
- Lago Corumbá: represa para esportes náuticos, lanchas e pesca esportiva, com pôr do sol procurado por turistas.
- Jardim Japonês: área verde com paisagismo oriental, ponto de meditação e contemplação no centro da cidade.
- Santuário Nossa Senhora da Salete: erguido no Morro do Capão, com vista panorâmica da cidade e arquitetura moderna.
Na mesa, a cozinha goiana traz o Cerrado para o prato, com pequi, guariroba e galinhada como protagonistas. As cachaças artesanais da região são parada obrigatória.
- Empadão goiano: massa amanteigada com recheio de frango, guariroba, linguiça, queijo e azeitona, vendido em padarias e restaurantes locais.
- Galinhada com pequi: arroz com galinha caipira temperado com o fruto símbolo do Cerrado, prato de almoço de domingo.
- Pamonha goiana: feita com milho verde, pode ser doce ou salgada com queijo e linguiça.
- Peixe na telha: tucunaré ou pintado assado em telha de barro, comum nos restaurantes às margens do Lago Corumbá.
- Doces caseiros: especialmente os de leite, frutas cristalizadas e cocada, vendidos em casas tradicionais da cidade.
Quem busca lazer em Caldas Novas, vai curtir este vídeo especialmente selecionado do canal To De Férias, que conta com mais de 94 mil visualizações, onde mostram 15 locais incríveis no paraíso das águas quentes de Goiás:
Quando o calor combina com banho de água quente?
O clima é tropical de savana, com verão chuvoso e inverno seco. O segredo é o contraste: nas noites mais frias, mergulhar nas piscinas termais vira experiência completa. Cada estação muda o tipo de passeio:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à maior estância hidrotermal do planeta?
De carro, o acesso mais comum é por Goiânia, com 170 km de estrada pela BR-153 e GO-139, em cerca de 2h30 de viagem. Saindo de Brasília, são aproximadamente 300 km pela BR-040 e BR-352, com tempo médio de 3h30.
O município conta com aeroporto regional, mas a maioria dos turistas chega pelo Aeroporto Internacional Santa Genoveva, em Goiânia, ou pelo Aeroporto Internacional de Brasília, ambos com transfers e linhas de ônibus regulares até Caldas Novas. São Paulo fica a cerca de 870 km e Belo Horizonte a 645 km.
Pegue a estrada e mergulhe nas águas quentes do Cerrado
Caldas Novas reúne o que parece impossível: água quente que brota sozinha, parque estadual com mirante a 1.043 m, lago de 65 km² e gastronomia goiana de pequi e empadão. A cidade vira destino o ano inteiro, e o inverno seco faz cada banho ficar ainda melhor.
Você precisa pegar a estrada e conhecer Caldas Novas, a capital das águas quentes onde o Cerrado e a geotermia se encontram para criar o maior spa natural do mundo.






