Existe um pedaço da Bahia onde a maré baixa muda a paisagem inteira e transforma o mar em piscinas de água morna. Maraú, no sul do estado, fica em uma língua de terra entre o oceano e a terceira maior baía do Brasil, e ainda preserva o ritmo de vila de pescadores que tinha há três séculos.
A vila com nome indígena que virou refúgio dos viajantes
O município nasceu em 1705, quando frades capuchinhos italianos chegaram à aldeia chamada Mayrahú, palavra que significa Luz do Sol ao Amanhecer na língua original. Conforme registros históricos da Prefeitura Municipal de Maraú, a aldeia foi elevada a vila em 1761 e só ganhou status de cidade em 1938.
A Península de Maraú está na chamada Costa do Dendê, no sul baiano, a cerca de 270 km de Salvador e 127 km de Ilhéus. O destino tem cerca de 21 mil habitantes e fica encaixado entre o Oceano Atlântico e a Baía de Camamu, classificada pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos como a terceira maior do país em volume de águas.
Uma curiosidade pouco contada: entre 1860 e 1864, a Inglaterra venceu uma concorrência para instalar ali uma usina de destilação de querosene, com 500 operários e até uma estrada de ferro interna. As ruínas da fábrica, conhecida pelos moradores como João Branco, ainda existem às margens do Rio Maraú.

Por que esta praia entrou na lista das 100 mais icônicas do planeta?
Em outubro de 2025, a praia de Taipu de Fora foi incluída no guia internacional Corona Beach 100, que reúne as cem praias mais icônicas do mundo. Curadores como oceanógrafos, surfistas, mergulhadores e jornalistas avaliaram cultura à beira-mar, conexão com a natureza e estética cênica, e Taipu recebeu dois dos três sóis possíveis no ranking.
Conforme o levantamento global, o Brasil foi o país com o maior número de praias na lista, com sete delas concentradas no Nordeste. O destaque para Taipu vem das piscinas naturais formadas em barreira de corais a cerca de 1 km da praia, visíveis apenas na maré baixa.
No mesmo ano, a península recebeu reconhecimento institucional. Segundo a Secretaria de Turismo e Lazer da prefeitura, o município foi certificado no Mapa do Turismo Brasileiro do Ministério do Turismo, no grupo B, ao lado de Itacaré e Canavieiras.
O que vale a pena conhecer e provar na península
O destino combina quilômetros de praias quase desertas com uma cozinha que celebra o azeite de dendê produzido na região. Entre as principais atrações, destacam se:
- Praia de Taipu de Fora: 7 km de areia clara com piscinas naturais que aparecem na maré baixa, em barreira de corais a cerca de 1 km da costa.
- Vila de Barra Grande: porto de entrada da península, com ruas de areia, pousadas pé na areia e o pôr do sol mais celebrado da Ponta do Mutá.
- Praia de Algodões: faixa de areia quase deserta, mesmo na alta temporada, ideal para quem busca privacidade.
- Cachoeira do Tremembé: queda de água doce que despenca direto na Baía de Camamu, acessível somente por lancha.
- Praia do Cassange: piscinas naturais na maré baixa e ondas para surfe na maré alta, ao lado da Lagoa do Cassange.
- Trilha das Bromélias: percurso ecológico que liga Taipu de Fora a Cassange, entre restingas e vegetação preservada.
A culinária local é uma extensão da Costa do Dendê e brilha especialmente nos pratos com frutos do mar. A região mantém ainda o tradicional Festival da Tainha, em Barra Grande, que valoriza a pesca artesanal. Entre as iguarias mais procuradas pelos visitantes, vale provar:
- Moqueca de peixe ou camarão: ensopado com leite de coco, azeite de dendê e coentro, símbolo da cozinha baiana.
- Lagosta grelhada: pedida frequente nas barracas de Taipu de Fora, servida quase sempre com arroz de coco.
- Bolinho de tainha: receita da pesca artesanal local, principal estrela do festival anual de Barra Grande.
- Camarão no coco: prato caiçara servido dentro do próprio coco verde, com leite e temperos da terra.
- Peixe na chapa com arroz de polvo: combinação clássica das mesas pé na areia da península.
Quem deseja descobrir um paraíso ecológico na Bahia, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Foco na Viagem, que conta com mais de 187 mil visualizações, onde o Apresentador mostra um roteiro completo de passeios e belezas em Maraú e Boipeba:
Quando ir a Maraú e o que fazer em cada época do ano?
A península tem clima tropical úmido, com chuvas distribuídas pelo ano e meses de menor precipitação entre setembro e fevereiro. A maré baixa é o que define o passeio do dia, já que as piscinas naturais de Taipu de Fora só aparecem com o mar recuado.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à península escondida no sul da Bahia
O caminho clássico parte de Salvador, a 270 km de distância, com travessia de ferry boat até Itaparica e seguida pela BA-001 até Camamu. De lá, lanchas regulares cruzam a Baía de Camamu até Barra Grande em cerca de 40 minutos.
Para quem chega pelo sul, o aeroporto de Ilhéus é a opção mais próxima, a 127 km, com acesso pela BR-030, em trecho ainda com estrada de terra que pede atenção em dias de chuva. Outra alternativa é o ônibus a partir de Itacaré até Camamu, com a travessia de barco fechando o trajeto.
Vale a pena atravessar a baía
A península guarda um pedaço raro do Nordeste, com praias preservadas, recifes vivos e uma cozinha que respira o azeite de dendê produzido ali mesmo. Poucos cantos do litoral brasileiro entregam essa combinação de natureza intacta, mar morno o ano inteiro e ritmo de vila de pescadores.
Você precisa atravessar a Baía de Camamu e conhecer a Península de Maraú, um dos últimos endereços da Bahia onde o tempo ainda passa devagar entre coqueiros e piscinas de coral.





