Esse refúgio do litoral fluminense reúne uma ilha para cada dia do ano e uma das únicas baías do Brasil reconhecidas pela UNESCO como Patrimônio Mundial. Angra dos Reis guarda mais de 2 mil praias na Costa Verde, no sul do estado do Rio de Janeiro.
A baía com mais ilhas do que dias no calendário
Angra fica a 151 km do Rio pela BR-101, em cerca de duas horas e meia de viagem pela Rio-Santos. Segundo o portal oficial Visite Angra, a baía reúne 365 ilhas e mais de 2 mil praias, protegidas das ondas do mar aberto pela formação geográfica da costa.
O nome guarda uma curiosidade. Os portugueses chegaram em 6 de janeiro de 1502, dia de Reis no calendário católico, e batizaram a enseada de Angra (palavra que designa baía aberta com costas próximas) dos Reis Magos. Mais de cinco séculos depois, o centro histórico ainda guarda igrejas, conventos e sobrados do período colonial.

O reconhecimento da UNESCO que mudou o mapa do turismo
Em julho de 2019, a UNESCO reconheceu Paraty e Ilha Grande: Cultura e Biodiversidade como Patrimônio Mundial, em decisão registrada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A área total chega a 148.831 hectares, com a maior porção territorial em Paraty e Angra dos Reis.
Foi o primeiro sítio misto brasileiro, categoria que reúne valores culturais e naturais excepcionais. E o primeiro da América Latina com uma cultura viva integrada ao ambiente, diferentemente de outros sítios mistos do continente, como Machu Picchu, classificados como sítios arqueológicos em paisagem natural. Cerca de 85% da cobertura vegetal nativa da área permanece preservada, formando um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica do país.

Reconhecimento nacional e o título de Destino Turístico Inteligente
Em 2021, Angra foi escolhida para integrar o projeto-piloto Destinos Turísticos Inteligentes do Ministério do Turismo (MTur), ao lado de capitais como Salvador, Recife, Florianópolis e Curitiba. Segundo o MTur, foi a única cidade não capital convidada para o programa, que estrutura o turismo a partir de pilares como sustentabilidade, inovação e acessibilidade.
A região faz parte da terceira zona indutora do turismo do estado, segundo o Ministério, e recebe há anos visitantes brasileiros e estrangeiros atraídos pelas águas calmas e pela combinação rara de mata atlântica com mar tranquilo.
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O que ver nas ilhas e o que comer entre um passeio e outro?
O melhor jeito de conhecer a baía é a bordo de uma escuna, lancha ou táxi-boat, em roteiros que costumam durar de 5 a 7 horas. Confira os destinos que aparecem nos passeios mais procurados:
- Praia de Lopes Mendes: na Ilha Grande, com 3 km de areia branca e fina, mar aberto e ondas que atraem surfistas. O acesso pede travessia de barco e trilha de cerca de 30 minutos.
- Lagoa Azul: piscina natural de águas azul-turquesa entre ilhotas próximas à Freguesia de Santana, com paradas para mergulho livre.
- Lagoa Verde: também na Ilha Grande, com águas calmas e tons esverdeados rodeados por mata.
- Ilhas Botinas: duas ilhotas idênticas conhecidas como Ilhas Irmãs, cartão-postal de Angra com águas transparentes.
- Ilha de Cataguases: pequenas praias de areia fina e águas verdes, próxima ao continente e ideal para passeios curtos.
- Praia do Dentista: na Ilha da Gipóia, frequente em rankings nacionais por sua areia clara e mar transparente.
A cozinha local segue o ritmo do mar, com pescados saídos da própria baía e influência caiçara. Veja o que aparece nos cardápios:
- Camarão na moranga: prato fluminense servido em restaurantes do centro histórico e nas pousadas da Ilha Grande.
- Peixe com banana: clássico caiçara que dá nome a um restaurante tradicional na rota das escunas, na ilha de Passa Terra.
- Vieiras locais: produzidas em fazendas marinhas da própria cidade, segundo o portal de turismo do estado.
- Moqueca de peixe: receita de tradição costeira, comum em restaurantes pé na areia da Vila do Abraão.
Quem busca um roteiro econômico em Angra dos Reis, vai curtir este vídeo do canal Bloco de Viagens, que conta com mais de 23 mil visualizações, onde o casal mostra como economizar em passeios e hospedagem na Costa Verde:
Quando ir e o que fazer em cada estação?
A baía pode ser visitada o ano inteiro, e cada estação tem seu apelo. Confira o que esperar do clima na cidade:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Costa Verde sem complicação
De carro, o trajeto mais comum sai do Rio de Janeiro pela BR-101, a Rio-Santos, em cerca de 151 km e duas horas e meia. De São Paulo, são aproximadamente 410 km pela mesma rodovia. Há ônibus diários partindo das duas capitais.
Quem chega ao centro de Angra encontra escunas, lanchas e táxi-boats no cais central, com rotas para a Ilha Grande, a Ilha da Gipóia e o circuito das pequenas ilhas. Para a Vila do Abraão, principal vilarejo da Ilha Grande, a travessia leva cerca de 40 minutos de barco saindo do continente.
Conheça a baía com mais ilhas que dias no ano
A combinação é difícil de encontrar em outro pedaço do litoral brasileiro: 365 ilhas, mar verde e azul, mata preservada e o título de Patrimônio Mundial da UNESCO em uma única baía. É o tipo de viagem que cabe um fim de semana, mas pede uma semana inteira.
Você precisa subir em uma escuna em Angra dos Reis e descobrir por que a Costa Verde virou referência internacional de turismo no Brasil.





