Imagine chegar a um abrigo de animais e encontrar, do outro lado do muro, um saco se mexendo, em silêncio e cheio de medo. Foi assim que Bambi, uma cadela fragilizada e assustada, chegou à Fundação Col Choca La Pata, em Chocontá, Cundinamarca. Jogada por cima da cerca dentro de um costal, de quase dois metros de altura, ela apareceu com sinais claros de fraqueza, dor e abandono, revelando uma realidade que muitas vezes fica escondida em cidades pequenas e áreas rurais.
Qual é a situação de Bambi e o que o abandono de animais revela
Depois da queda, Bambi mal conseguia ficar em pé. Apresentava fraqueza, possível desnutrição, problemas de pele e a suspeita de estar prenha, o que tornava tudo ainda mais urgente. Ela foi levada imediatamente a uma clínica veterinária local para exames, avaliação de fraturas internas e cuidados básicos de emergência.
O caso chama atenção para o abandono de animais, especialmente cães em situação de vulnerabilidade. Jogar um animal dentro de um saco por cima de um muro não é “deixar no abrigo”: é expor o bicho a medo, dor e risco de morte. Além da queda, os sinais de má alimentação, fraqueza muscular e pele machucada mostram que Bambi provavelmente passou muito tempo sem cuidados, carinho ou segurança.

Por que o abandono de animais é tão preocupante para o bem-estar animal
O abandono não é apenas “deixar o animal para trás”; é romper completamente a proteção básica que ele precisa para sobreviver. Cães e gatos dependem dos humanos para ter comida, abrigo, atendimento de saúde e, sobretudo, um ambiente seguro. Quando isso é tirado deles, o corpo e a mente começam a adoecer.
No caso de fêmeas prenhas, como pode ser o caso de Bambi, o risco é ainda maior. Uma cadela desnutrida tem mais chance de perder os filhotes, desenvolver infecções e sofrer complicações graves no parto. Além disso, o estresse extremo, o medo constante e a dor podem deixar marcas emocionais duradouras, tornando a recuperação mais lenta e difícil.
Como a fundação lida com o abandono de animais e quais são os desafios diários
A Fundação Col Choca La Pata funciona como um porto seguro para animais em risco em Chocontá, acolhendo casos de maltrato e abandono. No episódio de Bambi, a equipe relatou que não há câmeras de segurança na área onde ela foi arremessada, o que impediu a identificação de quem a abandonou e mostra como esses crimes muitas vezes ficam impunes.
O abrigo sobrevive, em grande parte, com a ajuda da comunidade. Sem convênios com clínicas veterinárias, cada consulta, exame ou medicação precisa ser paga na hora. No caso de Bambi, isso significou arcar com custos de atendimento emergencial, alimentação especial, possível acompanhamento da gestação e tratamento de pele, tudo com recursos limitados e imprevisíveis.
Quais custos e cuidados um abrigo precisa bancar para salvar animais como Bambi
Por trás de cada resgate que emociona nas redes sociais, existe uma lista de gastos que muitas vezes o público não vê. Para que cães e gatos como Bambi tenham uma segunda chance, a fundação precisa garantir não só o primeiro socorro, mas também o acompanhamento ao longo de semanas ou meses, o que exige planejamento e transparência na gestão.
Esses cuidados envolvem diferentes tipos de despesas contínuas, que vão muito além da simples ração diária:
- Consultas veterinárias, exames clínicos e de imagem para diagnóstico completo;
- Medicamentos para dor, infecções, parasitas e problemas de pele;
- Alimentação específica para animais desnutridos ou em recuperação;
- Procedimentos ligados à gestação, como ultrassons, parto assistido ou castração posterior;
- Itens básicos de abrigo, como cobertores, produtos de limpeza e manutenção dos espaços.
Bambi é apenas um rosto entre tantos que chegam aos abrigos em condições críticas, dependendo da solidariedade de desconhecidos para sobreviver. A história dela reforça a urgência de políticas locais de proteção animal, educação sobre guarda responsável e apoio contínuo a projetos como o da Fundação Col Choca La Pata, que todos os dias tentam transformar dor em recomeço.






