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Início Saúde e bem-estar

Aquele doce antigo que você adora pode estar silenciosamente intoxicando seu coração

Por Gustavo Trindade
27/07/2026
Em Saúde e bem-estar
Aquele doce antigo que você adora pode estar silenciosamente intoxicando seu coração

Duas semanas de consumo diário já são suficientes para desencadear uma arritmia

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Resumo
  • O que é: O alcaçuz preto contém glicirrizina, substância que reduz os níveis de potássio no sangue e pode alterar o ritmo cardíaco.
  • Principal benefício: Compreender o risco ajuda a consumir com segurança, evitando complicações como arritmias e fraqueza muscular.
  • Dica essencial: Pessoas acima de 40 anos que usam diuréticos ou têm pressão alta devem evitar o consumo diário de alcaçuz preto.

O alcaçuz preto pode parecer apenas um doce antigo e inofensivo, mas seu consumo frequente esconde um risco pouco comentado. Para quem passou dos 40 anos, o efeito sobre o potássio no sangue pode ser suficiente para desencadear batimentos cardíacos irregulares e exigir atenção médica imediata.

Como a glicirrizina do alcaçuz derruba o potássio e afeta o músculo cardíaco

A raiz de alcaçuz contém glicirrizina, um composto que age no corpo de forma semelhante a um hormônio chamado aldosterona. Quando consumida em excesso, essa substância faz os rins reterem sódio e eliminarem potássio pela urina. O resultado é um desequilíbrio eletrolítico que afeta diretamente a condução elétrica do coração.

Com o potássio baixo — condição conhecida como hipocalemia —, as células do miocárdio perdem a capacidade de se contrair e relaxar no ritmo correto. Isso pode gerar desde palpitações leves até arritmias ventriculares graves, especialmente em pessoas com mais de 40 anos, cuja reserva funcional cardíaca já não é a mesma de décadas anteriores.

Aquele doce antigo que você adora pode estar silenciosamente intoxicando seu coração
A substância do alcaçuz que imita um hormônio e expulsa potássio do corpo

Fraqueza muscular, palpitações e tontura: os sinais de que o potássio caiu demais

A hipocalemia induzida pelo alcaçuz pode começar de forma silenciosa, mas alguns sinais indicam que os níveis do mineral estão perigosamente baixos. Reconhecê-los cedo faz diferença na prevenção de complicações maiores.

  • Fraqueza muscular ou câimbras que aparecem sem esforço físico aparente.
  • Palpitações ou sensação de que o coração está falhando, especialmente à noite.
  • Tontura ou desmaio súbito, que pode indicar queda de pressão por desequilíbrio eletrolítico.
  • Pressão arterial elevada, pois a retenção de sódio provocada pela glicirrizina também sobe os níveis pressóricos.
  • Cansaço intenso e tremores, especialmente nas pernas, que não melhoram com repouso.

Como consumir alcaçuz preto com segurança após os 40 anos

O segredo está na dose e na frequência. Um consumo ocasional e em pequena quantidade tende a ser seguro para a maioria das pessoas saudáveis, mas o hábito diário deve ser evitado. A FDA americana já alertou que cerca de 56 gramas de alcaçuz preto por dia, durante duas semanas, podem desencadear arritmias em maiores de 40 anos.

  1. Limite o consumo a porções pequenas e esporádicas, nunca diárias.
  2. Verifique se o doce contém alcaçuz verdadeiro: muitos produtos são apenas aromatizados com anis e não oferecem risco.
  3. Evite completamente se você usa diuréticos, corticoides ou medicamentos para pressão arterial.
  4. Se sentir palpitações ou fraqueza após consumir alcaçuz, suspenda o uso e procure um médico relatando o consumo.
Aquele doce antigo que você adora pode estar silenciosamente intoxicando seu coração
Por que hipertensos e quem toma diuréticos não podem nem provar alcaçuz preto

O que os estudos e relatos médicos mostram sobre alcaçuz e arritmia cardíaca

A relação entre alcaçuz preto e eventos cardíacos graves está bem documentada na literatura médica. Um relato de caso publicado no Journal of Internal Medicine descreveu uma mulher de 44 anos que apresentou episódios repetidos de taquicardia ventricular com risco de vida após consumir alcaçuz diariamente por cerca de quatro meses. Seu potássio na admissão era de apenas 2,3 mmol/L — muito abaixo do valor normal de referência.

Os episódios de arritmia cessaram completamente após a interrupção do consumo e a reposição intravenosa de potássio. O caso ilustra como o efeito da glicirrizina pode ser silencioso até atingir um ponto crítico. A American Heart Association reforça que pessoas com mais de 40 anos, especialmente as que já têm alguma condição cardiovascular, são mais vulneráveis a essas alterações eletrolíticas induzidas pelo doce.

Saiba mais sobre esse risco
📊 Dado científico 2,3
Potássio em 2,3 mmol/L após consumo diário de alcaçuz

Relato de caso no Journal of Internal Medicine registrou taquicardia ventricular grave com esse nível de potássio em paciente que consumiu alcaçuz por 4 meses.

⏱️ Tempo de risco 2 sem
Duas semanas de consumo diário já oferecem perigo

A FDA alerta que 56 g de alcaçuz preto por dia durante duas semanas consecutivas podem desencadear arritmia em pessoas acima de 40 anos.

⚠️ Contraindicação
Hipertensos e usuários de diuréticos devem evitar

Quem tem pressão alta, doença renal ou usa medicamentos que afetam o potássio não deve consumir alcaçuz verdadeiro, mesmo em pequenas quantidades.

De quanto em quanto tempo o consumo de alcaçuz se torna um risco real para o coração

O consumo ocasional de um pequeno pedaço de alcaçuz preto dificilmente causará problemas em pessoas saudáveis. O perigo aparece com a ingestão diária e continuada por duas semanas ou mais, especialmente em porções que somam cerca de 50 a 60 gramas por dia. Acima dos 40 anos, o corpo tem menos capacidade de compensar a perda de potássio, e o risco de arritmia se torna clinicamente relevante. Se você faz parte de algum grupo de risco, a orientação mais segura é evitar completamente o alcaçuz verdadeiro e optar por doces aromatizados artificialmente, que não contêm glicirrizina.

Se você já passou dos 40 e tem o hábito de consumir alcaçuz preto, preste atenção aos sinais do seu corpo. Fraqueza, câimbras ou palpitações não são normais e merecem investigação. Converse com seu médico sobre seus hábitos alimentares e, se necessário, faça a dosagem de potássio no sangue. A prevenção é simples e começa com a informação que você acaba de receber.

Tags: arritimia cardíacadocesSaúde
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