Jenni, da AlphaJuris, mostra de onde vem cada citação jurídica
Assistente lê a lei no texto oficial, separa o que localizou do que falta conferir e avisa quando não confirma uma informação
Uma jurisprudência citada numa petição precisa existir de verdade, e o jeito mais seguro de saber é ir até a fonte. Essa é a lógica da Jenni, assistente jurídica lançada pela AlphaJuris, legaltech brasileira de jurimetria e inteligência artificial. A ferramenta trabalha por conversa, por voz ou por texto, e em cada etapa mostra de onde tirou o que usou.
Por que a fonte importa
Ferramentas de IA podem produzir referências convincentes que não existem, e os tribunais já punem isso. Em 2025 e 2026, cortes como o TRT-MG (Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região), o TJPR (Tribunal de Justiça do Paraná), o TST (Tribunal Superior do Trabalho) e o TRT-GO (Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região) multaram por litigância de má-fé partes e advogados que citaram jurisprudência inexistente, criada por IA. Em Minas Gerais, a multa de R$ 1.200 recaiu sobre o próprio trabalhador representado.
Desde novembro de 2024, a Recomendação 001/2024 do CFOAB (Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil) admite o uso de IA generativa na pesquisa, desde que o advogado verifique o conteúdo antes de levá-lo ao processo.
Como a Jenni checa cada referência
O caminho começa com uma pergunta jurídica. A Jenni pesquisa em segundo plano e reúne a jurisprudência, a legislação e a doutrina disponíveis. A lei é lida no texto publicado oficialmente, e cada trecho vem com a indicação de onde saiu, o que permite ao advogado abrir a fonte e conferir por conta própria. Em seguida, a assistente separa as referências que conseguiu localizar das que ainda precisam ser conferidas. Se não consegue confirmar uma informação, avisa, em vez de preencher a lacuna. Por trás disso, vários modelos de inteligência artificial trabalham juntos em cada tarefa.
“Os tribunais já estão punindo advogados por citar decisões que a inteligência artificial inventou. A Jenni foi feita para o contrário: cada citação vem com a fonte, e o que ela não conseguiu confirmar aparece marcado para o advogado conferir”, diz Matheus Henrique Bertuci, fundador da AlphaJuris.
A mesma lógica nos documentos do caso
A conferência vale também para os arquivos do processo. O advogado pode perguntar “o que o contrato da Maria diz sobre a multa?”, e a Jenni procura nos documentos anexados ao caso. A resposta traz os trechos encontrados, com o nome do arquivo de origem. Se a resposta não está nos documentos, ela diz até onde a busca chegou.
Quando escreve uma peça, a assistente aplica às citações a mesma checagem da pesquisa. O texto sai no padrão forense, em folha A4 e fonte Times 12, com a logo do escritório, e fica salvo no caso para o advogado ler, ajustar e revisar.
O que mais a assistente faz
A Jenni acompanha processos, prazos e publicações e usa um navegador de verdade para tarefas em portais, mas para antes de protocolar, assinar, pagar ou enviar. Também monta, em poucos minutos, aplicativos sob medida, como um quadro de atendimento ou uma agenda de audiências. Segundo o Perfil ADV, estudo encomendado pelo CFOAB à FGV (Fundação Getulio Vargas), com 20.885 profissionais ouvidos e divulgado em maio de 2024, 72% dos advogados no Brasil são autônomos.
“A maioria dos advogados no Brasil é autônoma. A Jenni dá a eles o apoio que antes exigia uma equipe inteira: alguém para pesquisar, redigir, acompanhar prazos e até construir as ferramentas do dia a dia, tudo numa conversa. E o último clique continua sendo do advogado”, afirma Bertuci.
Para saber se uma jurisprudência é verdadeira, a regra é localizar a decisão na fonte e conferir o texto. Com a Jenni, a origem vem junto com a resposta, e o que não foi confirmado aparece marcado. A assistente está disponível em alphajurisbr.com.br/jenni, onde a primeira pergunta por texto pode ser feita sem cadastro.