Ficou sem clube? Plataforma quer encurtar o caminho até a próxima proposta
Startup criada por jogadores lança em outubro um aplicativo em que o atleta sem contrato monta um perfil verificado e conversa direto com clubes e agentes. O primeiro mês é gratuito
Para quem joga futebol fora da elite, ficar sem clube faz parte do calendário. Fora da Série A, os contratos domésticos assinados na primeira janela de 2026 duraram em média cerca de dez meses, segundo o relatório de transferências da ANRESF, agência de regulação do futebol, feito com a CBF Academy. Ou seja, a cada temporada muita gente volta ao mercado atrás da próxima chance.
É para esse jogador que a Empregol lança em outubro sua plataforma. A startup foi criada por quatro sócios, três deles com carreira no futebol, e aproxima jogadores e jogadoras sem contrato ativo de clubes e agentes.
Como funciona para o atleta
O primeiro passo é montar o perfil: posição, dados físicos, estatísticas e vídeos com os melhores momentos em campo. Antes de aparecer nas buscas, o cadastro passa por uma conferência de identidade e de documentos. Feito isso, o atleta fica visível para agentes e clubes, que também são verificados, e a conversa acontece pelo chat da própria plataforma.
Do outro lado, clubes e agentes podem fazer uma busca gratuita, com filtros básicos, ou pagar por um plano que mostra o currículo completo do jogador e a situação contratual checada. Um perfil verificado e bem preenchido, portanto, conta pontos na hora de chamar a atenção de quem está contratando.
Para o jogador, a assinatura vai de R$ 24,90 a R$ 79,90 por mês, conforme o plano e o prazo escolhidos. No lançamento, o primeiro mês sai de graça, e a ideia da empresa é que atletas e contratantes aproveitem esse período para se cadastrar e conhecer a plataforma sem custo.
Trocar de clube faz parte da carreira
Para os sócios da Empregol, o jogador das divisões de acesso vive algo parecido com quem busca recolocação no mercado de trabalho, só que várias vezes ao longo da carreira. Em poucas temporadas, um atleta pode passar por diferentes clubes, e cada mudança reabre a mesma busca por visibilidade. A diferença de salário também pesa: fora da elite, a remuneração média dos contratos domésticos é de R$ 109 mil por ano, contra R$ 1,7 milhão na Série A. Manter o perfil atualizado entre uma temporada e outra ajuda a não sumir do radar.
O apoio continua depois da assinatura
No plano premium, o atleta pode marcar sessões com psicólogos, advogados, consultores financeiros e preparadores físicos parceiros, pagando à parte e com preço corporativo. Se fechar com um clube, segue na plataforma com o status de empregado aberto a propostas e mantém esse acesso. “O clube paga para encontrar mais rápido e com informação checada. O atleta paga para ser visto por contratantes verificados e para ter acesso a profissionais que, sozinho, ele pagaria bem mais caro”, diz Caio Vieira, cofundador e diretor comercial da Empregol.
Mais espaço para quem é formado no Brasil
Os sócios esperam mais procura por jogadores formados no país com a regra aprovada pela CBF e pelos clubes das Séries A e B em 21 de setembro. O limite de estrangeiros por partida cai a partir de 2027, e cada clube terá de ter pelo menos 20 atletas de até 23 anos entre os 50 inscritos no Brasileirão. “Com menos estrangeiros e mais vagas obrigatórias para atletas de até 23 anos, os clubes vão precisar ampliar o radar. Tem muito jogador pronto entre um contrato e outro, e a gente quer que ele seja encontrado”, afirma Hygor Ribeiro, cofundador e CEO da Empregol e jogador profissional.
E a fila de quem procura time é grande. Um levantamento da EY para a CBF, divulgado em 2019, mostrou que, de cerca de 88 mil jogadores profissionais registrados no país, só 11,7 mil tinham contrato ativo na data de corte.
Resumo para quem está sem time
Para quem está sem clube, a proposta da plataforma é sair do anonimato: montar um perfil completo, com vídeos dos melhores lances, passar pela verificação e ficar à vista de clubes e agentes que procuram reforço. Com o primeiro mês gratuito no lançamento, dá para começar sem pagar.