Inaugurado em 1971 na orla da Paraíba, o edifício projetado por Sérgio Bernardes combinou geotecnia costeira e geometria em anel para erguer um ícone sobre o lençol freático praiano.
Por que o formato circular protege o hotel contra os ventos e a maresia do oceano?
Você já tentou segurar um guarda-chuva aberto no meio de uma ventania forte na praia? A superfície plana segura todo o ar, enquanto um objeto arredondado deixa a rajada passar pelas laterais sem fazer esforço.
Na engenharia do Hotel Tambaú, o arquiteto Sérgio Bernardes adotou um anel contínuo de baixo perfil com raio constante. Essa geometria reduz o arrasto aerodinâmico dos ventos do oceano Atlântico e distribui as tensões de flexão ao longo de toda a estrutura, evitando pontos de concentração de carga no concreto armado.

Quais são as dimensões e especificações técnicas da estrutura do Hotel Tambaú?
O projeto estrutural do edifício foi dimensionado para integrar a edificação ao ecossistema praiano, combinando grandes vãos livres e fundações especiais com as seguintes métricas:
Capacidade e distribuição espacial: conta com 173 apartamentos distribuídos em dois pavimentos dispostos em um anel circular completo sobre a praia.
- Diâmetro externo total: estrutura principal em disco com cerca de 130 metros de extensão entre os extremos da edificação.
- Área do pátio central: cerca de 8.000 metros quadrados internos abrigando jardins, piscinas e áreas de convivência bioclimáticas.
- Sistema de fundação profunda: conjunto de estacas escavadas que atravessam a camada de areia friável até ancorar no substrato rochoso.
- Cobrimento de proteção do aço: espessura de concreto sobre a armadura interna reforçada para impedir a proliferação de fissuras induzidas por cloretos.
Como a engenharia estabilizou as fundações do prédio em areia saturada de água?
Tentar apoiar uma parede pesada na areia molhada da praia faz com que a estrutura afunde gradualmente à medida que as ondas vão e voltam, processo conhecido como perda de capacidade de carga do solo.
Para contornar o lençol freático elevado na orla de João Pessoa, os engenheiros geotécnicos utilizaram estacas profundas perfuradas sob revestimento metálico. Elas repassam o peso de milhares de toneladas do edifício para a rocha sã subterrânea, eliminando o risco de recalque diferencial mesmo com a variação diária das marés.
Quais normas técnicas de durabilidade regem estruturas expostas à névoa salina?
Edificações erguidas em zonas marinhas de alta agressividade precisam seguir diretrizes rigorosas da norma NBR 6118 da ABNT, que classifica a orla marítima sob a Classe de Agressividade Ambiental IV.
Essas exigências estipulam cobrimentos mínimos de concreto sobre o aço superiores a 40 milímetros e fator água-cimento reduzido. Dessa forma, impede-se que o ar marinho despassive o ferro interno e cause o descascamento do concreto.

Quando é necessário contratar um engenheiro especialista em patologia das estruturas?
Edifícios históricos à beira-mar necessitam de vistorias periódicas conduzidas por um engenheiro especialista em patologia das estruturas para diagnosticar corrosão de armadura, manchamento por ferrugem e fissuração superficial.
Trabalhos de recuperação em ambientes marinhos não devem ser feitos de forma improvisada, pois o uso de argamassas inadequadas aprisiona a umidade e acelera a destruição interna do pilar ou da viga.
Contexto importante: Este artigo é informativo. Para projetos estruturais locais similares, recomenda-se avaliação de engenheiro especialista em patologia das estruturas ou engenheiro geotécnico, especialmente em contextos de risco de infiltração, corrosão por maresia e comprometimento estrutural.

